quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Fotoretrô

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Esposa ou escrava branca?


Depois de muito tempo sem se verem, aquela notícia caiu como uma boba. E sem nenhum romantismo, nem cerimonia noticiou

- Precisava vê-la. Tenho algo sério para conversar com você. Olha, esse eu meu próximo projeto de vida: Quero casar. Então eu vou colocar logo os termos de nossa união. Quero que mude seu guarda roupa, seu modo de falar - Detesto suas ironias! - e que não saia tanto com seus amigos. Sim! Isso é importante. Não vou para lugares onde não me sinta a vontade, portanto, você também não irá. Quanto a transporte você não precisa: a deixo e a pego em qualquer lugar. E afinal, também não precisará trabalhar tanto, o que tenho dá para nós dois muito bem. Beber só se for em casa. Para nossa harmonia vamos fazer coisas que eu goste e que você goste também.

Um silêncio tenso pairou no ar.

- E aí? Não vai dizer nada.
- Existem muitas mulheres que aceitem essa proposta?
- Sim, claro.
- Eu me pergunto se esse é seu projeto de vida ou de desespero? E ainda, onde está a corrente da mesa da gaiola de ouro?
- Você acha que pode casar e manter uma vida de solteira?
- Não! Mas acho que depois de tanto tempo sem nos vermos fiquei confusa se você queria uma esposa ou uma escrava branca?

Aborrecido ele a deixou sozinha com suas perguntas que mais confusa ainda se perguntava: como é que as pessoas chegaram a esse ponto: driblar a insegurança, encarcerando, matando, o outro em vida? Afinal não seria a partir dos problemas que se chega a um consenso? E o consenso não quer dizer acordo entre as partes e não a imposição de um sobre a vontade de outro? A liberdade de ser ela, porque quem realmente se apaixonara, se comprava?

Ela acreditava que não. Em tempos pra lá de modernos, há coisas que não são tão modernas assim.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Bessa Kite Surfe Club e o mágico do som



Bessa Kite Surf Club, o lugar de João Pessoa. Sob Nova Direção do nosso colega Daniel, embora não seja programa da Globo, além de uma paisagem incrível em frente ao mar, conta com um espaço de coqueral com graminha verde maravilhosa. Dá até vontade de sair rolando...Brincadeiras e verdades a parte, o que torna o lugar ainda mais aprazível é a seleção musical do lugar que é diferente da maioria dos lugares que costuma-se ir com o vício do forró de plástico enfadonho. A seleção musical tem a sensibilidade de perceber a animação que nos estiga começo do dia e a maravilha que é o fim-de-tarde bem vivido. Eu indico.
E tem mais: fomos convidados para a próxima, hem. Quanto a mágica? Imagine você sentar à beira mar e escutar Jack Jonhson e Red Hot Chille Pepers sem precisar pedir, como num passo de mágica? Coisas de Mandrack.






quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Minha retrô 2009


Ainda no lema de que se a Globo faz eu também faço. Lá vai mais um balanço rápido e rasteiro...

Trabalho: três mudanças em um ano.

Casa: também três mudanças em um ano e de cidade, duas.

Amores: Empatada. Zerada. Gestaltes fechadas.

Amigos: Em movimento de espação para os que chegam [que legal! Minha socialização continua melhorando!] e ponderação madura em relação aos que já estão.

Dinheiro: Um pouquinho mais do que no ano passado, pelo menos até dezembro. Depois disso não sei bem...

Virada: No meio do semestre de 2009.

Família: mais forte, mais unida.

Saúde: também mais forte. Principalmente a sanidade, rs.

Auto-estima: Em mudança. Menos menino, menos hippe, mais mulher.Sem medo de ousar.

Angustia: e os novos rumos? Então como vou articular 2010? Como dar novos sentidos a coisas antigas? Péssima jogadora, honesta demais, me ferro...

Conquistas: mais perto do sonho tornar-se realidade.

Perdas: quase lá, dessa vez não foi. Gente parte, gente fica. Um certa sensação de humilhação e trapaça.

Lema:

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.[...]
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato [...]
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
(...)
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.[...]
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, [...]
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree. (...)
(Clarice Lispector - Rifa-se um coração)


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Auto-ajuda, cartomante ou terapeuta? Vai encarar?


Depois que um colega disse que iria a uma cartomante para "desencavar a caveira de burro" na vida dele, começamos a discutir uma matéria da Revista Veja que falava sobre o crescimento da venda dos livros de auto-ajuda. Sei que sou suspeita para falar sobre essa categoria de livro que na maioria das vezes pinta o mundo muito rosa e por isso, quase sempre não gosto muito deles, o que pode até ser um tipo de preconceito. Sei lá! No entanto, comecei a me dar conta de uns tempos para cá que tudo está desencantado demais e que precisa de rosa sim!

Nessa linha, já li alguns livros de auto-ajuda que me são presenteados ou reocmendados. E se o dito conseguir levar-me até o fim, torço o braço e recomendo. Concordando com o que uma psicanalista abordava sobre essa categoria de livro, acredito que os livros de auto-ajuda estão em alta porque cada vez mais nos sentimos desconectados com o mundo e com as pessoas. Diante da falta de tempo e de nossa crescente incapacidade em lidar com o sofrimento que demanda muito tempo/energia [e tempo é dinheiro], acabamos por optar por algo que traga um alívio mais imediato. Algumas vezes os livros de auto-ajuda abrem um porta para refletirmos sobre nós, mas quase sempre não vai mais além. Até porque esse não é o seu papel. Passado o "mertiolate" e posto o bandaid naquilo que nos encomoda, vamos enfrente e na maioria das vezes nem nos damos conta de que o "elefante" permanece no meio da sala e aquilo que nos causou angustia e sofrimento possivelmente voltará a dançar um tango em nossa sala de estar pessoal em outra situação que nos evoque desconforto.

E o que é que a cartomante tem haver com isso? Longe de entrar na polêmica religiosa ou da divindade que as cartomantes seriam portadoras ou não, mais rápido que a auto-ajuda, está o baralho, a reza e os "desmanche de mandiga" são express e daí a procura. Quando ando vejo a enxurrada de panfletos entregues de algumas que trazem seu amor em 24 horas [pacote para a maioria das mulheres que procuram esses tipo de "serviço" em nome do "amor" e os homens, por sua vez, por causa de dinheiro].

E o terapeuta? Esse coitado, nem falo. Geralmente não pode sacar da manga uma solução pronta, nem muito menos a curto prazo. São sessões demoradas e geralmente mais onerosas do que livros e serviços express. Acredito que com dedicação e esforço os resultados com um terapeuta se consolidão melhor, portanto, trata-se de um investimento a médio-longor prazo e até mais interessante. Enfim, cada "macaco no seu galho", que saibamos então desfrutarmos de cada coisa na hora certa.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Letra sem som e história sem fim


Era tão difícil para ela que o choro brotava de suas entranhas como um urro de dor e agonia. Era com um imenso vazio e sem energias para viver que desligara o telefone, enquanto deslizava pelo canto vazio do quarto. Como que se esvaindo. Perdida. Vulnerável e principalmente agredida... Não pelo adeus. Não pela batalha perdida. Não pelas trocas mútuas de farpas. Mas talvez pelas indagações que invadiam aos volumes sua cabeça: por quê? Por que tinha que ser assim, daquela forma?

Sensação tamanha ela somente sentira quando levou sua primeira bofetada. Quando ficou exatamente do mesmo jeito como com o telefonema virulento: com um animal disposta a atacar e a correr. Acuada num canto, perplexa, com medo, rezando para que tudo terminasse e logo.

“-Acabe logo com isso!”– era o que ressoava em sua cabeça.

E seguida aos ecos dessa frase, suscitava-se outro momento. A imagem de sua meninice quando seu padrasto achara seu diário e sutilmente a convenceu deixá-lo ler. Era o diário a única prova de sua inocência e redenção: para si e por si mesma.

Ele a induziu que rasgasse porque ninguém precisava ficar sabendo “daquilo”. Era um segredo dos dois e ninguém mais poderia saber.

“- É isso o que você quer? Que muitas pessoas fiquem chateadas e machucadas com você?”.

Apesar de estar novamente acuada, não era mais aquela menina. Ela tinha como se defender. E estava disposta a pagar qualquer preço, menos o do silêncio, o da cumplicidade covarde e o da submissão. A boca e a mão não seriam mais silenciadas, nem secretamente amordaçadas, seja pelo passado, seja pelo então agora “direto do cantinho do silêncio e dos seus segredos”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Duas mulheres e um desfecho



Aquele momento parecia ser mais um daqueles dos dias de rotina, de corre-corre. Mais um problema de trabalho, mas um contrato a ajustar, mais uma escala no aeroporto, mais malas para cima e para baixo.

Entretanto, algo de extraordinário, ou seja, de fora da rotina, acontecera numa dessas escalas. Encontrara sua arquiinimiga, que por ironia do destino antes foi sua melhor amiga. E no mesmo instante foi invadida por lembranças desconcertantes, sentimentos de dor, tristeza, angustia e impotência. Que peça aquela do destino hem? Depois de anos sem se encontrarem. Depois do último pedido de perdão. Lá estava ela, bem as suas costas fazendo também o check-in. E por que ela ainda se incomodava com aquela presença? Porque aquela presença trazia lembranças mórbidas. Porque aquela presença trazia à tona todo o sentimento de dupla-traição. Trazia a tona os jogos que mais pareciam de vida ou de morte.

Imediatamente ela foi até o bar e enquanto o vôo não decolava pediu uma porção de qualquer coisa. Precisava de algo, que felizmente ou infelizmente não era uma dose. Qualquer coisa que a preenchesse, qualquer coisa que sufocasse aquela dor, qualquer coisa que a punisse por ter sido um coração tão bobo, por ter um coração tão bola. Tremendo, derrubando e esquecendo tudo que estava em suas mãos, transparecia uma naturalidade qualquer diante daquele estorvo. E a cada riso com as amigas, se sentia a palhaça do picadeiro. E a cada riso se sentia mais feia e medonha.

A única coisa que de algum modo a confortava é que logo aquilo também iria passar. E a certeza que tinha: ninguém pode ser feliz construindo sua vida e sua história a partir da infelicidade de um outro. Que ninguém podia ter um...era uma vez alguém que era feliz e que para que um outro fosse feliz tinha que esse alguém ser infeliz... Nada bom para se recordar e tudo para se arrepender porque ninguém gosta de ser tão feio e medonho por dentro. Entre mortos e feridos se salvaram todos ou todas? Naquele momento parecia que não.

Inspiração nesse ícone de luta e intensidade...

Inspiração nesse ícone de luta e intensidade...
Pintora mexicana Frida Kahlo

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