quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Remendo novo em pano velho...


Sabe aquele ditado popular que diz:"Remendo novo em pano velho esgaça" pois é. Ultimamente venho pensado neste fato. Por que insistimos continuar em situações que já deram tudo que tinham que dar?Metaforicamente, por que somos tão apegados aquela roupa que fica lá entocada no guarda-roupa, fora de moda, velha e apertada, sabendo que ela não nos serve mais? Sei lá, coisas de humanos malucos...O fato é: nos apegamos tanto a alguma coisa ou a alguém que fingimos não perceber que algumas coisas passam, mudam e aí não dão mais certo. Nesse período de compreensão da necessidade de desapegar entramos numa roda-viva muito louca, tentando remendar o que não tem mais remendo: negando, resgatando, transformando, um verdadeiro Kama Sutra ambulante (tomado aqui no sentido da manobras mirabolantes para chegar ao ápice de nossas interelações impossíveis) até nos darmos por vencido. São assim com alguns amigos, algumas relações, nossos pais...

Aprender a desapegar não é uma qualidade própria de grandes avatars como Gandhi ou Jesus Cristo, mas algo que deve ser praticado por nós cotidianamente. Fácil com certeza não é, mas necessário se não quisermos entrar na roda-viva mencionada que só machuca e prolonga um momento que é inevitável quando objetivos em comum se distanciam, divergem, e só restão farpas nessas relações e esperançosas fantasias que dispersam como fumaça. Estar apegado a coisas que já passaram é não aceitar o luto de nossas perdas e suas fases: negação (Ah! Isso não aconteceu. Não é bem assim.), raiva (Eu odeio você, o que você faz...), culpa (Tudo aconteceu porque fiz ou não fiz exatamente isso.) barganha (Se eu fizer isso a partir de agora as coisas vão ser como era. Vão melhorar) para enfim chegar a conformação (Foi. Passou.)Tudo na vida tem seu ciclo de duração e seu fim necessariamente não significa perda, mas mudança para um outro ciclo: perdesse algumas coisas habituais,agradáveis e que muitas vezes só existem na fantasia da gente, mas ganhasse outras . A questão não é perder, mas descobrir o que há de novo em nós, algumas vezes sufocado e mal-tratado pela falta de liberdade nas relações. Enfim, quando na roda-viva é difícil pensar com essa clareza e é por isso que todos os dias acordo e penso: todo dia mais um dia (Lema do Alcoólicos Anônimos, dependente químicos, afinal dependência pessoal também é vício), mais uma vitória para mim e para tantos outros nessa tentativa de desapego.

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