sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Miséria SA


Hoje a postagem é diferente. Sai da discussões sobre as relações à dois para discutir as relações a três, quatro, cinco...As relações em sociedade. Não sei se você já se perguntou:"Devo ou não devo dar esmolas?". Pois é, ultimamente não aguento ver miséria, mas não é porque imagino que o mundo seja rosa, mas porque me dói ver que as coisas não mudam; que as pessoas banalizam a miséria, a violência, como se fizessem parte da paisagem. E olha que antes só de ver já me fazia muito mal. Não dormia pensando:" o que foi que fiz para ter uma vida um pouco melhor do que as do que passam fome?";"O que, ou quem, determinou que eu seria uma escolhida?" De certa forma também banalizei essas coisas. Infelizmente meu tempo de militância de esqueda me mostrou que a mudança não é fácil e que muitas vezes as pessoas que mais necessitam deste tipo de mudança parecem que não a querem, afinal "desde que o mundo é mundoa as coisas são assim, né?"Alguns ditos populares são imbécis e ajudam a manter o sistema tal como ele é. São um reflexo do que o povo pensa e também intrumento para manutenção do poder...Antes dava esmolas para que a minha consciência cristã ficasse mais aliviada, mesmo sabendo que aquela esmola iria ser uma ajuda imediata, que não iria resolver a situação e que, pior ainda, talvez alimentassem o sistema da esmolagem, no qual as pessoas se acomodam e passam essa herança cruel de filhos para netos, perdendo sua dignidade e naturalizando a vida de pedintes a qual vivem. Passei então a comprar adesivos, canetas, balas de crianças, adolescentes e adultos e aí me venho outra questão: "Não estaria de novo alimentando a naturalização do sistema com a exploração do trabalho muitas vezes infanto-juvenil, ou então, o crescimento do trabalho informal, o qual não permite nenhum tipo de segurança ao trabalhador?" Enfim, são tantas as questões que "se correr o bicho pega se ficar o bicho come". A importância do dinheiro, do acumular riquezas, vem tomado proporções tão absurdas que se mata por R$ 1,000. Não só para matar a fome, mas para saciar a sede de vigança de uma classe que tem cada vez menos comparada a outras. Inclusive o entendimento da loucura sai da esfera da razão para entrar na do sentido...Nem os "doidos" rasgam dinheiro. Dá para acreditar? Pelos menos é a segunda vez que um cara me aborda pedindo uma ajuda e eu digo não e ele diz que"vou morrer atropelada". Da primeira vez que ele me disse isso eu disse que se Deus quisesse ia ser assim. Desta eu ri...Seria engraçado se não fosse trágico. Em menos de um mês...Mas nem tudo está perdido. No mesmo dia encontrei uma professora, aquelas que trabalham com meninos carentes, em situação de vulnerabildade. Ela encontrava "suas crianças" no ônibus, chamando pelo nome e tratando tão bem quanto aquelas que tem pais que pagam caro para suas professoras fazerem o mesmo. É isso aì. Para terminar a música do Rappa:

Miséria S.A.
Composição: Pedro Luis


Senhoras e senhores estamos aqui

Pedindo uma ajuda por necessidade

Pois tenho irmão doente em casa

Qualquer trocadinho é bem recebido

Vou agradecendo antes de mais nada

Aqueles que não puderem contribuir

Deixamos também o nosso muito obrigado

Pela boa vontade e atenção dispensada

Vou agradecendo antes de mais nada

Bom dia passageiros

É o que lhes deseja

A miséria S.A

Que acabou de chegar

Bom dia passageiros

É o que lhes deseja

A miséria S.A

Que acabou de falar

Lhes deseja , lhes deseja

Lhes deseja , lhes deseja

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