sexta-feira, 28 de março de 2008

Episódios da vida na ficção


Fiquei profundamente emocionada ontem com a cena em que Fernanda Montenegro, em "Queridos Amigos", descreve algumas das torturas pelas quais mulheres passaram na época da ditatura militar no Brasil. Em quase um monólogo, ela intepréta com indiguinação a descrição dos maus-tratos físicos (socos e pontapés) e psicológicos (agressões verbais, humilhação e estupro), ministrados por meio de técnicas conhecidas como corredor polonês, cadeira de dragão e pau-de-arara. Nos momentos de tortura enfiar o cacetete, chamado de "chico doce", no ânus e na vagina para obter informações sobre comunistas subversivos, era um "prazer para os torturadores". São episódios reais como esses que quando trazidos a tona na ficção avivam a nossa memória e fazem gritar em nossa consciência: "E por que hoje nós não fazemos nada para lutar por nossos direitos, quando antes o risco de vida era maior e muito mais presente? O que é que preservamos afinal de contas, o nosso medo?" Maior do que o medo é a energia a qual gastamos por não encará-lo. Assim como também são grandes os benefícios que perdemos por nos acovardamos diante da necessidade de sair desbravando em nome do que é certo e do que é melhor para todos.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Globalização versus nacionalismo em Edith Piaf




Bem, depois que Marion Cotillar ganhou o oscar de melhor atriz num filme biográfico da cantora francesa de cabarê Edith Piaf, a cantora vem caindo no gosto "popular". Seriam essas uma das vantagens da globalização: num curto espaço de tempo você sabe onde, quando e como. Compartilhamos e vivemos as infomações quase que em tempo real. Pena que muitas vezes as maravilhas européias nos fazem esquecer nossas riquezas, bem mais próximas de nós, que não o Urso de Ouro emTropas de Elite. O fato é que é ótimo conhecermos outras culturas, mas jamais devemos achá-las melhores do que as nossas porque além de diferentes, tais culturas não representam o sonho do Paraíso Perfeito, do tudo ótimo...Não devemos esquecer que lá fora somos vistos como um povo muitas vezes inferior, interesseiro, com "cara" de traficante, ou então, de prostituta. Não é a toa que as políticas de caça e proibição da imigração vêm se intensificado na França. Seja com o presidente francês Sarcozi, ou então, na Espanha quando barrados em aeroportos. Todo país tem suas mazelas e misérias, inclusive os europeus, caso contrário periférias como as da França não eclodiriam em revoltas. Pense nisso! Ah! Mas essas questões não desmerecem nem as músicas de Edith Piaf, que são ótimas, nem outras. A música abaixo pelo menos eu, achei fantástica. Aproveite e veja o link com uma animação com a mesma trilha sonora:






A Quoi ÇA Sert L'amour
Edith Piaf



A quoi ça sert, l’amour?


On raconte toujours


Des histoires insensées


A quoi ça sert d’aimer?


L’amour ne s’explique pas!


C’est une chose comme ça !


Qui vient on ne sait d’oùEt vous prend tout à coup.
Moi, j’ai entendu dire


Que l’amour fait souffrir,


Que l’amour fait pleurer,


A quoi ça sert d’aimer?


L’amour, ça sert à quoi?


A nous donner d’la joieAvec des larmes aux yeux…


C’est triste et merveilleux !


Pourtant on dit souvent


Que l’amour est décevant


Qu’il y a un sur deux


Qui n’est jamais heureux…


Même quand on l’a perdu


L’amour qu’on a connu


Vous laisse un gout du miel -


L’amour c’est éterne!


Tout ça c’est très joli,


Mais quand tout est fini


Il ne vous reste rien


Qu’un immense chagrin…


Tout ce qui maintenant


Te semble déchirant


Demain, sera pour toi


Un souvenir de joie!


En somme, si j’ai compris,


Sans amour dans la vie,


Sans ses joies, ses chagrins,


On a vécu pour rien ?


Mais oui! Regarde-moi !


A chaque fois j’y crois !


Et j’y croirait toujours…


Ça sert à ça l’amour !


Mais toi, tu es le dernier !


Mais toi’ tu es le premier !


Avant toi y avait rien


Avec toi je suis bien !


C’est toi que je voulais!


C’est toi qu’il me fallait!


Toi que j’aimerais toujours…


Ça sert à ça l’amour !




Tradução


Pra que serve o amor?




Pra que serve o amor?


A gente conta todos os dias


Incessantemente histórias


Sobre a que serve amar?


O amor não se explica


É uma coisa assim


Que vem não se sabe de onde


E te pega de uma vez


Eu, eu escutei dizer


Que o amor faz sofrer


Que o amor faz chorar


Pra que se serve amar?


O amor, serve pra que?


Para nos dar alegria com lágrimas nos olhos


É uma triste maravilha


No entanto, dizem sempre


Que o amor decepciona


Que há um dos dois


Que nunca está contente


Mesmo quando o perdemos


O amor que conhecemos


Nos deixa um gosto de mel


O amor é eterno


Tudo isso é muito lindo


Mas quando acaba


Não lhe resta nada


Além de uma enorme dor


Tudo agora


Que lhe parece "rasgável"


Amanhã, será para você


Uma lembrança de alegria


Em resumo, eu entendi


Que sem amor na vida


Sem essas alegrias, essas dores


Nós vivemos para nada


Mas sim, me escute


Cada vez mais eu acredito


E eu acreditarei pra sempre
Que é pra isso que serve o amor


Mas você, você é o último


Mas você, você é o primeiro


Antes de você não havia nada


Com você eu estou bem


Era você quem eu queria


Era de você que eu precisava


Eu te amarei pra sempre


E a isso que serve o amor.

sábado, 22 de março de 2008

Reinventando a Páscoa.




Não sou fanática do Islam e nem morro defendendo religião, mas não é estranho que essa data tenha um significado para além do religioso? As pessoas comem quando deveriam jejuar, bebem quando deveriam se abster, comemoram quando deveriam rezar e renunciam o perdão ou a compaixão...Enfim, o para além do religioso está justamente no como essa data tornou-se comercial. Venda de muito vinho, bacalhau, peixe,ovos de Páscoa. Como quase todas as datas festivas. Também não dá para negar que é quase impossível entrar no clima dessas festas...Mas penso: como essas celebrações em família deveriam ocorrer mais vezes. Poucas pessoas aproveitão o momento e pedem perdão umas às outras. Poucas pensam em compaixão pelo outro. Poucas pensão que a mesa farta de uns é a fome de tantos outros. A Páscoa enquanto ritual de purificação de nossas almas em plena modernidade/pós-modernidade tem muito o que ser reinventado. Que bom que eu ainda tenho amigos que me ajudam a fazer esse momento de forma um pouco diferente, pelo menos para nós...Bem tentamos ajudar o "mundo", se ele não quis...Vamos ajudar a nós mesmos e fazer nossa parte, como uma gota d'água trazida pelo sabiá na fábula do incêndio da floresta...A Páscoa para os meus dois melhores amigos foi momento de carinho, reencontro, surpresas e renovação da nossa aliança de lealdade mútua. Bem casamento: na alegria e na tristeza, na sáude e na doença... Os chocolates foram só um prestesto para reinventarmos e simbolizarmos esse ritual entre nós nesse mundo que precisa ser "reencantado" todos os dias. Que esses momentos acontençam mais vezes. A Páscoa já teve muitos significados para mim: quando crinaça de alegria, na adolescência de expectativa, já um pouco na maturidade de tristeza, solidão e até uma certa frustação. Hoje em quase plena maturidade o significado é de satisfação e uma alegria mais profunda do que a de criança. Não melhor, mas diferente de quando era criança porque eu tenho amigos com os quais posso contar e tomara que seja para sempre...Que venham muitos chocolates em todas as dastas, em todas as épocas para renovar nosso compromisso de lealdade.

terça-feira, 18 de março de 2008

Menino que diluviu foi esse?






A chuva de hoje merece um comentário especial. Ela fechou um dia de certa melancólia, apesar do dia ter sido bastante quente e mais parecer um diluviu de verão...Pela manhã senti falta daquelas abraços bem forte e apertados, como no desenho dos "Ursinhos Carinhosos". O encontro do ursinho Amor-Perfeito e Carinhoso...E à noite quando as ruas de repente alagaram senti falta de ter para quem ligar, pedindo para vir me buscar, me salvar daquela chuva, daquela solidão...ou então, senti falta de alguém que me ligasse e mostrasse preocupação comigo...Faz tanto tempo que isso não acontece que já não há como contar o tempo de solidão de pequenas alegrias ao longo do dia....


PS: Não poderia deixar de contar que nesse temporal, como à tarde era "primaveral". estava completamnete de branco. Com a chuva, faltou só as orelhinhas e o rabinho de coelho para ser uma "Coelhinha Play Boy"...É como na lei de Murphy tudo é possível... e além do mais a Páscoa esta chegando mesmo. Eu já entrei no clima.

Micos king-kong



A muito tempo que deveria ter feito essa postagem, mas ando sem tempo para variar...um pouco se ânimo também...Cara, tem coisas que só acontecem comigo. Bem Lei de Murphy:"Não se preocupe as coisas sempre podem piorar..." O dois últimos dos meus episódios foi o fato de dormir em pleno show de Biquini Cavadão. O show estava ótimo, mas o cansaço não deixava nem os olhos ficarem aberto. Sentei e esperei o resto do pessoal se divertir porque não queria cortar o barato de ninguém. Maior do que o mico de dormir sentada ao lado da barriquinha, entre o banheiro e o posto de urgênica, foi um segurança passar por mim quase ao final do show, pôr a mão no meu rosto e perguntar se estava bem. E eu disse que sim! Aaaaaaaaaaah!O outro mico no mesmo dia, logo mais tarde foi ter passeado com meu cachorro e ao soltá-lo da colera ele pulou dentro de Açude Velho. E meu irmão pulou atrás para salvá-lo, enquanto eu parecia uma mocinha romântica a espera de um regate e falando:


- Oh! E agora o que faço?


- Tranquilo, tranquilo - meu irmão.


Será que eles quiserão se ver livre de mim?


Um anjo da guarda que passava parou para fazer o resgate.


Enquanto meu irmão imaginava o jacaré dentro do açúde, eu já estava pensando na minha mãe recebendo a notícia pela TV Paraíba ou Itararé, vendo a gente e o corpo de bombeiros...


Enfim, já quase cortei os dois pulsos numa mesa de vidro em pleno primeiro dia do mês de janeiro de um ano qualquer. Depois peguei um chuvão numa super festa e todos os táxis desapareceram porque não me querião molhada. Um ônibus para mim pode virar uma aventura. Para uns tudo fácil, já para outros...é impossível

domingo, 16 de março de 2008

Para sentir e pensar sobre o que se sente


O dia de hoje é o dessa música. Teria alguns micos para contar, mas deixa para outra postagem. O dia não é de risos. Lá fora até chove. O dia é para pensar e sentir sobre o que se pensa...E esse é o fundo sonoro.


"Hoje eu vou mudar,



Vasculhar minhas gavetas



Jogar fora sentimentos



E ressentimentos tolos.



Fazer limpeza no armário,



Retirar traças e teias



E angústias da minha mente.



Parar de sofrer



Por coisas tão pequeninas.



Deixar de ser menina p/ ser mulher.



Hoje eu vou mudar



Por na balança a coragem



Me entregar no que acredito



Para ser o que sou sem medo.



Dançar e cantar por hábito



E não ter cantos escuros



Pra guardar os meus segredos.



Parar de dizer



Não tenho tempo pra vida



Que grita dentro de mim me libertar...



Hoje eu vou mudar



Sair de dentro de mim e não usar somente o coração,



Parar de contar os fracassos,



Soltar os laços e não perder as amarras da razão,



Voar livre com todos os meus defeitos



Pra que eu possa libertar os meus direitos



E não cobrar dessa vida nem rumos e nem decisões.



Hoje eu preciso e vou mudar.



Dividir no tempo e somar no vento



Todas as coisas que um dia sonhei conquistar,



Porque sou mulher como qualquer uma,



Com dúvidas e soluções com erros e acertos,



Amores e sabores,



Suave como a gaivota e felina como a leoa,



Tranquila e pacificadora



Mais ao mesmo tempo irreverente e revolucionária,



Feliz e infeliz, realista e sonhadora,



Submissa por condição mas independente por opinião,



Porque sou mulher



Com todas as incoerências que fazem de nós o forte sexo fraco."

(Linda - Vanusa)

sábado, 8 de março de 2008

Enfim


Essa postagem tem um "ar" diferente. É mais leve. Finalmente consegui defendir minha dissertação do Mestrado. Por alguns momentos achei que não iria fazê-la, mas...foi. Entretanto, o que tenho de interessante para destacar é um episódio que envolve a mim e minha colega nas vésperas da minha defesa. Essa colega veio dormir na minha casa para usar o computador, enquanto eu preparava minha apresentação. Mais aí ela fez o que tinha que ser feito e foi tentar dormir. Uma hora ou outra, acordava perguntando se queria ajuda, se eu estava bem, aconselhando a dormir para no outro dia logo cedo encarar minha banca de defesa. Enfim, as três da madruga fui dormir. E quem disse que eu conseguia? Rolava, rolava...aí ela acordou, perguntando se eu queria um chá e sentou do lado da minha cama e disse:"vou contar uma historinha para você dormir. Sua mãe contava historinha para você dormir quando era criança?" Eu só sei que ela começou contando sobre histórias para dormir na vida dela e eu também, mais parecia um papo. Até que ela decidiu contar a história das Tartaruguinhas (baseada em cenas reais)...Em João Pessoa, na praia de Intermares, existe um monte de bercinhos de ovos tartaruguinhas. Ela disse que é a coisa mais linda do mundo você ver elas nascendo...

Eca! Acho tartaruga um bicho feio - eu disse.

E ela:

- E o pior que eu também acho, mas quando pequenininhas elas são fofinhas.

Ela disse que elas vão nascendo, rompendo a casca do ovo e indo em direção ao mar. Levas e levas de tartaruguinha...Umas pegam logo as primeiras ondas e vão embora. Outras no meio do caminho superam alguns obstáculos como, ficar de "patinhas" para cima e tal...E outras além de serem as últimas a chegarem, sozinhas, superão os mesmos obstáculos das outras, são pisotiadas por suas companheiras até chegar ao mar para ser devolvida pela primeira onda e persisitir em mais outra e outra, até que enfim conseguem...Naquele momento de olho fechado, recebendo cafuné, eu ri e disse: - Ah! Que ótimo amiga. Agora estou me sentindo uma tartaruguinha devolvida pelo mar e imaginando ficar sem um pedaço da patinha, da cabeça...( e comecei a rir).

Então ela disse:

- É sério amiga. Eu fiquei observando...Mas o mais importante é que essa tartaruguinhas chegam lá, apesar de tudo e de repente ela é a mais forte por ter logo de cara encarado os obstáculos da vida...

Depois disso eu dormi e no outro dia fui mais uma tartaruguinha que mesmo tendo sido devolvida pelo mar antes, voltei para cumprir a trajetória que precisava cumprir...

Foi um dos momentos mais ternos e doces da minha vida, em cuidado e atenção, e justo quando eu estava mais precisando...Mas o que esperar de uma adulta que quando criança segurava uma galinha no colo, um dos seus bichinhos de estimação, e ficava afagando-a enquanto ela se dedicava a olhar o céu e prescrutar seus mistérios?