sábado, 8 de março de 2008

Enfim


Essa postagem tem um "ar" diferente. É mais leve. Finalmente consegui defendir minha dissertação do Mestrado. Por alguns momentos achei que não iria fazê-la, mas...foi. Entretanto, o que tenho de interessante para destacar é um episódio que envolve a mim e minha colega nas vésperas da minha defesa. Essa colega veio dormir na minha casa para usar o computador, enquanto eu preparava minha apresentação. Mais aí ela fez o que tinha que ser feito e foi tentar dormir. Uma hora ou outra, acordava perguntando se queria ajuda, se eu estava bem, aconselhando a dormir para no outro dia logo cedo encarar minha banca de defesa. Enfim, as três da madruga fui dormir. E quem disse que eu conseguia? Rolava, rolava...aí ela acordou, perguntando se eu queria um chá e sentou do lado da minha cama e disse:"vou contar uma historinha para você dormir. Sua mãe contava historinha para você dormir quando era criança?" Eu só sei que ela começou contando sobre histórias para dormir na vida dela e eu também, mais parecia um papo. Até que ela decidiu contar a história das Tartaruguinhas (baseada em cenas reais)...Em João Pessoa, na praia de Intermares, existe um monte de bercinhos de ovos tartaruguinhas. Ela disse que é a coisa mais linda do mundo você ver elas nascendo...

Eca! Acho tartaruga um bicho feio - eu disse.

E ela:

- E o pior que eu também acho, mas quando pequenininhas elas são fofinhas.

Ela disse que elas vão nascendo, rompendo a casca do ovo e indo em direção ao mar. Levas e levas de tartaruguinha...Umas pegam logo as primeiras ondas e vão embora. Outras no meio do caminho superam alguns obstáculos como, ficar de "patinhas" para cima e tal...E outras além de serem as últimas a chegarem, sozinhas, superão os mesmos obstáculos das outras, são pisotiadas por suas companheiras até chegar ao mar para ser devolvida pela primeira onda e persisitir em mais outra e outra, até que enfim conseguem...Naquele momento de olho fechado, recebendo cafuné, eu ri e disse: - Ah! Que ótimo amiga. Agora estou me sentindo uma tartaruguinha devolvida pelo mar e imaginando ficar sem um pedaço da patinha, da cabeça...( e comecei a rir).

Então ela disse:

- É sério amiga. Eu fiquei observando...Mas o mais importante é que essa tartaruguinhas chegam lá, apesar de tudo e de repente ela é a mais forte por ter logo de cara encarado os obstáculos da vida...

Depois disso eu dormi e no outro dia fui mais uma tartaruguinha que mesmo tendo sido devolvida pelo mar antes, voltei para cumprir a trajetória que precisava cumprir...

Foi um dos momentos mais ternos e doces da minha vida, em cuidado e atenção, e justo quando eu estava mais precisando...Mas o que esperar de uma adulta que quando criança segurava uma galinha no colo, um dos seus bichinhos de estimação, e ficava afagando-a enquanto ela se dedicava a olhar o céu e prescrutar seus mistérios?

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