sexta-feira, 28 de março de 2008

Episódios da vida na ficção


Fiquei profundamente emocionada ontem com a cena em que Fernanda Montenegro, em "Queridos Amigos", descreve algumas das torturas pelas quais mulheres passaram na época da ditatura militar no Brasil. Em quase um monólogo, ela intepréta com indiguinação a descrição dos maus-tratos físicos (socos e pontapés) e psicológicos (agressões verbais, humilhação e estupro), ministrados por meio de técnicas conhecidas como corredor polonês, cadeira de dragão e pau-de-arara. Nos momentos de tortura enfiar o cacetete, chamado de "chico doce", no ânus e na vagina para obter informações sobre comunistas subversivos, era um "prazer para os torturadores". São episódios reais como esses que quando trazidos a tona na ficção avivam a nossa memória e fazem gritar em nossa consciência: "E por que hoje nós não fazemos nada para lutar por nossos direitos, quando antes o risco de vida era maior e muito mais presente? O que é que preservamos afinal de contas, o nosso medo?" Maior do que o medo é a energia a qual gastamos por não encará-lo. Assim como também são grandes os benefícios que perdemos por nos acovardamos diante da necessidade de sair desbravando em nome do que é certo e do que é melhor para todos.

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