sábado, 30 de agosto de 2008

Falta um personagem em Sex in the City?


Tanto o seriado como o filme Sex in the City ficaram famosos pelo modo como milhões de mulheres se identificaram com o romantismo, a sensualidade, a independência ou então os sonhos e as incertezas das personagens. Então se esses são, entre tantos outros, os traços que marcam as personalidades das mulheres do século XXI acho que está faltando uma. Quem? Marge Simpson.

Ela não seria mais um esteriótipo feminino? Sim, porque é inegável o sucesso do desenho entre todas as faixas etárias, bem como entre ambos os sexos. Caricaturada? Talvez, mas não inexistente entre nossas mulheres. Marge representa justamente aquelas mulheres que ainda se matam para dar conta de casa, família e filhos. Abriu mão de uma possível carreira profissional para se dedicar a família. Charlotte em Sex in the City não teria feito isso? E vocês já perceberam como em alguns episódios a Marge tem suas impreitadas, enquanto executiva de sucesso ou então como artista plástica, estragadas pelo Home? Enfim, ela acaba renunciando esse lado de sua realização pessoal porque o Home se sente inferior (e como seria diferente diante do primitivismo e do egoísmo dessa criatura?), desestruturando assim o projeto de família que abraçou ao se casar...Bem, não dá para negar que ela representa mais uma parte do segmento feminino. Acho até que a Marge mantem aquela exclusiva vidinha familiar porque o movimento feminista iria cair de pau falando sobre o blá-blá das conquistas femininas e tal em relação ao trabalho, ao domínio dos homens e que a Marge representaria nada mais nada menos do que a mulher do século passado e não a pós-moderna... Ou seja, mais um modo de dissimular que as mulheres não são tão livres assim...e quando falo de liberdade falo de "Liberdade para dentro da cabeça". E quem disse que o programa dominical Fantástico não traz também contribuições importantes a esse respeito? Num dos episódios sobre família, um filosófo destacou que a felicidade da mulher se aproximaria cada vez mais da compreensão de que não existe o amor romântico, mas do amor enquanto realização pessoal dentro da relação. Lembrem-se que nada é por acaso. Por quê você acha que o carro Peugeot, o sabão OMO e o caldo de Picanha Knorr vendem tanto? Porque se você tiver um Peugeot, uma caixa de OMO e o caldo Knorr você, respectivamente, encontrará o amor da sua vida, ganhará um abraço macinho e cheiroso de seu filho, sem contar que sempre manterá todos reunidos à mesa. Em síntese, a idéia de amor romântico além de linda, VENDE. E quem tem dinheiro tem mais chance de comprá-la...Sendo assim não é nada confortável admitir explicitamente que as Marges existem e andam entre nós. É mais fácil dar um upgrade em Marge e chamá-la de Charlotte York não é verdade? E agora quem poderá nos defender?

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