segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Crônicas urbanas de um cotidiano surtado


Adoro escrever crônicas e poesias...e algum tempo deixei para lá. Vou retomar essa minha tentavia hoje aqui no blog, mas me poupem dos tomates.E lembre-se qualquer semelhança com a realidade pode sim ser mera ficção, ou não.

CRÔNICAS URBANAS DE UM COTIDIANO SURTADO
Eni sábado. Sem as obrigações de horário para acordar, dormir, chegar no trabalho, almoçar, bater cartão...Mas o mais legal são os planos para noite. Nesse momento o que resta? Passar um "fax" para colegas e ver quem se habilita para comprar quem sabe um vestidinho bem provocante. Quem sabe um daqueles que nos faz esquecer que a semana está acabando e outra já está chegando. Bem, depois disso é preciso arranjar tempo para ir ao salar fazer às unhas, cabelo, tratar da pele...E, claro, está linda, ótima e muito bem humorada para noite que promete.

Agora esse é o momento: bater calçada, no bom sentido. Entra e sai. Entra e sai. E tira e bota e tira e bota (Hum! Que isso parece sugestivo). Mas depois de algum tempo por mais encatadora que a idéia tenha lhe parecido a brincadeira cansou. Enfim, essa será a ÚLTIMA E PONTO FINAL. Quantos vestidos! Acho que nem me lembro mais do que é que estava precisando...Ah! Ali está: branquinho, lindo, com rendinhas meigas, tão primaveral. Tudo bem é um número a menos, mas quem sabe entra né? Vamos apelar para "Seu Longuinho". Ai meu Deus às lojas já estão fechando. Já são 15:00. Ainda falta um monte de coisa, inclusive descançar para ficar mais linda. Calma, calma. Esse vestido vai entrar. Entrou! Mas não fechou, o que me lembra a destestável idéia de que tenho que perder alguns quilinhos. Ops!Mas há ainda outro problema, além de não ser mais um vestido digno da minha confiança, claro: Como é que não pode caber em mim?

E não é que o vestido tem cara de vestido de casamento. Ô ou! Vestido errado. Festa errada. Ainda não é hora para isso. Mas que era lindo era.Além de ser um daqueles vestinhos que é alguma coisa nove e noventa e nove, que ilude porque a gente morre achando baratíssimo, né? Enfim, lavamos nós para casa finalmente. Como nada agradou vai aquele pretinho básico: o coringa nas horas mais difíceis.

E a noite promete. Um cantor de "cutuvelo" para cá e para lá. E a gente aguenta. Amigos bem sucessidos, outros nem tantos. E a gente aguenta. Gente que você quer evitar. E tudo parecia dentro da normalidade, a não ser o fato que os pés estavão me matando com aquele salto alto que a maioria das mortais não tem o hábito de usar diariamente no trabalho. Comes e bebes para lá e para cá. Para salvação da lavoura o repertório muda para uma coisa mais animadinha e junto com ele "alguém mais animadinho" que começa uma discussão que quando você menos espera parece o estouro da boiada. Tumulto contido. Pés doendo. Nervos abalados. É o fim da noite e o que nos espera é uma cama macia e fofinha. Mas em tempos de Lei Seca (se beber não dirija)resta pegar um táxi. E então, todos vão pegar um táxi também. Outra caçada a carruagem que levará direto ao reino dos céus. Depois de ultrapassar vários obstáculos,inclusive pessoas, a redenção: UM TÀXI.

Nos jogamos para dentro para ter certeza de que ele não seria saquiado por ninguém. Estávamos lá rumo a casa, observando felizes (de alívio, né?) o desepero dos outros para conseguir sua carruagem. Com um coleguinha dentro do carro meio lá meio cá, por causa de uma biritazinha a mais. Quando, de repente, uma brincadeirinha a mais outra a menos, o taxista surta. Se empolga geral e começa a participar da fuleragem. Sendo que a medida que ele brincava, ele também esquecia o volante. Ai, ai. Não era apenas brincadeiras porque o cara começou a entrar de repente no papo cavernoso de católico que é espírita e viu num sei o que num terreiro de candomblé. O que era aquilo? O cara não estaria cumprindo a lei seca em horário de trabalho. Sim, porque para ele dirigir sóbrio era obrigação de trabalho. Mas pelo papo e a ausência do cheiro de álcool no ar, o problema não era embriaguez. O CARA ESTAVA SURTADO. Descompensou. Desatou a falar da vida dele e a enfiar espíritos sobrenaturais. E não era coisa de fanático religioso não. MORAL DA HISTÓRIA: chegado no reino dos céus da nossa paragem via nossas camas, metade da galera se jogou fora do carro, com medo, de saco cheio por causa dos próprios problemas, achando que aquela não era a hora... E apenas uma única corajosa ficou lá dando conselhos ao taxista para que fosse para casa descansar e tal.

Era só o que faltava: um táxista surtado numa noite cansativa. Amanhã quem vai ter que correr para marcar uma hora com a terapeuta sou eu. Ai, ai, mas enfim lar doce lar. Ontem já passou e o agora é hoje.

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