quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Para além das diferenças


O dia não poderia começar, nessa minha "fase de molho", sem escrever no blog. Faz parte da minha higiene mental. Colocar o que penso para fora, sem muitos receios...Mas o que martela hoje na minha cabeça foi um texto da coletânea apresentada pelo livro "Oralidade e Subjetividade: os meandros infinitos da memória". Tem um texto de Alesandro Portelli, acredito que um pesquisador italiano, no qual ele fala da importância de aprendermos com as diferenças na pesquisa de campo. A grosso modo ele fala que não devemos nos igualar aos narradores que pesquisamos numa tentativa de aproximação que neutraliza as diferenças. Eles sabem quem somos, sabe que existe diferenças que nos separa, portanto, não adiantar fingir que não existe. Ou seja, esse negócio "se você está em Roma faça como os romanos", não é bem assim porque nunca vamos ser um deles. Nunca vamos ser romanos. E o que nos resta? Saber. Não negar. E finalmente construir uma relação, no caso de pesquisa, para além dessas diferenças. Elas existem estão aí. Não seremos nunca um "romano", mas nos resta criar pontes de fluxo entre essas diferenças. E o que isso tem haver com a vida? As diferenças entre pessoas existem. Nunca saberemos o que é viver sendo quem são, mas nos resta compreender, aceitar e construir pontes de diálogo, de trânsito, de idas e vindas. E isso vale para qualquer relação interpessoal não só de pesquisa. Construamos relações para além das diferenças e não tentando igualizar tudo e todos para quem somos e o que somos...E principalmente para que saia do jeito que queremos.

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