sábado, 25 de outubro de 2008

Cumplicidade ou companheirismo?



Na última listinha, 3 x4, que fiz no meu blog coloquei que uma das características que não pode faltar a um homem é a sensibilidade e que a minha maior qualidade era ser cúmplice. Na verdade uma coisa leva a outra. Assim, um homem sensível vai entender o melhor momento de ser cúmplice de sua mulher. Eu, por exemplo, sempre pego a deixa de todos que estão a meu redor para ser cúmplice. E não se trata apenas de segredos irreveláveis aos quais graças a Deus acabo esquecendo com o tempo porque minha memória e horrível. Inclusive quando algum segredo é retomado em uma conversa, na maioria das vezes, quem me conta algum deles tem que recontá-lo porque não lembro "daquele segredo". Ainda bem. O negócio fica bem guardado, além de ser também -olha o hiperbolismo - o segredo da minha profissão, né?

Sou cumplice nas pequenas artices do meu irmão, assim como ele é comigo também, rs...dos amigos e sua dores, das circusntâncias estratégicas que exigem muita força na peruca e de alguém que diga: "Não se preocupe estou do seu lado. Caia que eu seguro." Quem me conhece sabe. Defendo os que amo com unhas e dentes a ponto de por em risco minha integridade, seja física, emocional, espiritual e sei lá mais o que. É cada "causo" de arrepiar os cabelos, mas é segredo, tá?

Ao "pé-da-letra", consultando o Aurélio cúmplice significa:

1.
Pessoa que tomou parte em um delito ou crime; co-autor.

2.P. ext. Pessoa que colabora em, ou participa com outrem de algum fato; parceiro, sócio.


De fato é assim que sou: parceira, como se tivesse cometido junto o "delito" dos que eu amo. E por quê não companheira, explico pela definição também:
1.Que acompanha.
2.
Aquele que acompanha.
3.
Camarada, colega.
4. Bras. Pop. F. amistosa de tratamento; meu amigo.


Eu não sou apenas expectadora, colega, tipo "se o bicho pegar eu corro", "uma dia por aí a gente se vê". Eu fico junto. Sou leal aos que amo.

E para que essa discussão toda? Porque sou grata ao Universo por ter colocado meu irmão, até a doidinha da minha mãe, meu irmão siâmes, minha irmã"gêmea gata", Jad e alguns outros poucos, que agoro posso estar esquecendo, como cúmplices da minha vida. Não sei o que seria da minha vida sem ele. Mas ao mesmo tempo me entristece quando ressoa nos meu ouvidos frases como: "falei que eramos companheiros, mas cúmplices?" Pisada feia na bola, literalmente, né companheiro?

Contudo ouvir de quem não se espera: "Fique tranquila. Estarei do seu lado". É surpreendete, além de gratificante por ser mais alguém e principalmente, por me fazer acreditar por alguns momentos que a humanidade pode ser realmente humana e não o simulacro que se manifesta hoje. Assim como li em um dos textos filosóficos que vagueio "amar é amar o desejo do outro", ou seja, é tornar a meta do outro, o sonho do outro, sua meta também e se empenhar e ficar firme para que aquele sonho se realize. Por exemplo: meu irmão sussurrou que queria um quarto dele. Sim, porque ele não pede. Faz menção, o que é lindo na simplicidade dele. Então, já estou pensando em me endividar todinha para vê-lo feliz, ou pelo menos, bem. Somente quem ama narcisicamente, ou seja, a si mesmo, suas vontades, seus desejos e seus delírios, é que se torna incapaz de perceber e de ter a sensibilidade de desejar o desejo do outro: incapaz realmente de amar, na medida em que está tão egoístamente absorto em si mesmo. E sim! Não vale abrir mão de coisinhas que não fazem muito a diferença para quem doa. O doador presenteia ao doado com algo igual ou maior do que gostaria de receber, como um sacrifíco, mas não entendido como tal porque se faz porque que quer e porque se tem a certeza do retorno no mesmo quilate - Lógica da Dádiva, segundo Marceul Mauss.

A vida tem se mostrado assim, ruim por um lado, e supreendente por outra. Ainda bem,né?






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