quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sessão nostalgia



Eita! Que hoje parece que minha infância está galopando atrás de mim. E olha que o dia das crianças já passou. Desde que fiz meu último balanço existencial (postagem de Lições de vida em Quando Nietzsche chorou) que a ausência do meu pai me pegou e outras coisas vieram a tona sobre infância X meu pai. Para tentar fazer as pazes com o meu lado infantil e consequentemente com possíveis mágoas que tenha dele, decidi mandar uma carta de reconciliação, ou melhor, uma carta diplomática, se é que posso chamar tal carta assim. Nada de muito meloso, mas tentando ser mais filha e menos inquisidora. Foi um lerê colocar essa carta no correio porque ou não tinha tempo, ou a dita agência estava fechada... enfim, depois de uma semana de escrita consegui postá-la. Acreditam que eu tinha perdido até mesmo o endereço dele? Pois é. E olha que sempre acreditei que meu pai me era indeferente, mas descobri que no fundo no fundo não era assim. E pior, que tinha raiva dele e uma vontade enorme de me vingar, de bater nele pergutando por quê isso e aquilo...Reconciliando esses sentimentos ambiguos de amor e ódio pelos pais, vivi uma nostalgia boa e recordei de algumas coisas que faziamos juntos e que eu adorava como:

* Comer pão árabe com coca-cola. Nossa é o gosto da minha infância. Aqui em Campina não tem desse e eu às vezes como o similar, como hoje, o pão sírio (mais fofinho e menos seco). Apesar do prazer tenho que segurar a onda para não bater o peso na consciência das calorinhas que essa criança aqui está cortando e que não pode mais adiquirí-las. E lá vai uma alfinetada: meu pai detesta mulher gorda vivia falando que a "gata russa do Paizão" tava fofinha e que não pudia comer mais. Seria meu excesso de peso uma rebeldia inconsciente contra meu pai? Cenas dos próximos capítulos posteriormente, rsssss;

* Outra coisa que me lembra pai e infância é Maria- Mole. A gente passava por uma Bomboniere no Rio de Janeiro que vendia doces finos e requintados, mas não podia ver a tal da Maria-Mole. Ficava loca e a mulherzinha que atendia tirava ela da cristaleira e as colocava num saquinho branco de papel. Algumas nè? Porque como criança gordinha uma só não satisfazia;

* Sabe aqueles biscoitos fofos brancos que vende em praia (pelo menos quando eu era criança nas praias do Rio de Janeiro era o pau que vendia)? Nem sei se ainda vende, mas vi ontem uns no hiper bompreço e lembrei da minha infância...Ele era oco, redodondo como uma rosquinha, crocante, desmancha na boca e pode ser doce ou salgado. Parece um sucrilho ou algo assim. Antes eles eram embalados em sacos de papel, os do hiper era num saco plástico, mais uma atentado da tecnologia contra o meio ambiente à parte;

*Adorava uns chocolates que parecia umas moedas, outros um guarda-chuva e até uns que tinha formato de cigarro. Meu pai trazia um todos os dias que voltava do trabalho. Taí a origem do fato de ser CHOCOLÁTRA, me viciaram na serotonina desde criança. Apesar de mãe fumante e adorar esse último tipo de chocolate, não me tornei mais uma fumante das estatísticas e não gostei quando experimentei;

* Nossa tem uma última coisa que não pode ficar de fora dessa postagem. E essa tem haver com infância e minha mãe. Adorava comer a massa de bolo crua. Ela terminava de fazer o bolo, me sentava em cima da pia de lavar prato e raspava a massa do bolo com o dedo e empurrava um dedão grosso dentro da minha boca cheio de massa de bolo. Eita que era bom de mais.Ficava toda lambuzada...Ainda hoje gosto de comer algumas coisas e ficar lambuzada como sorvete, sonho com açúcar...rssss;

Bem, dessa lista de coisa eu continuo gostando somente do pão árabe, da maria-mole e do chocolate (de qualquer formato)...quase tudo né? Mas essas coisas me fez lembrar que do jeito dele ele tentou dar carinho. Torto mas tentou...Um último comentário que não pode faltar: vocês perceberam que minhas lembranças de infância são quase todas relacionadas a comida? Quando terminei de listar me dei conta disso e lembrei do que li de uma psicanálista que a gente aprende desde criança a resolver os nossos problemas ou comemorar nossas alegrias comendo. E isso fica registrado na nossa memória. Nos condicionamos sem saber. Não que isso seja totalmente ruim. Quando somos bebês e a criança começa a chorar a primeira coisa que a mãe pensa é se é fome e tasca o peito ou a mamadeira no menino...O problema está na fixação da associação comida X felicidade/alívio. Existem outros substitutos que numa relação sadia com os pais a criança vai encontrando ao longo da vida para encarar as frustrações e as alegrias que não seja apenas comida. Cadê os meus? Vou encontrá-los porque há maneiras e maneiras de se preencher os vazios e as ausências da vida.





2 comentários:

  1. 1. Eu adoro a maria-mole que vem no hiper!!! Me acabo naquilo.

    2. Biscoitos fofos brancos são biscoitos de povilho e são agridoces ;-)

    3. Eu amava os chocolates de moeda/cigarro e tudo mais. Hoje chocolate não me mexe... Nem na TPM. Meu negócio são coisas doces...

    4. e eu continuo adorando massa de bolo crua kkkk quando faço, o "tacho" é meu kkkkk

    Beijo

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  2. Ainda bem, porque por alguns intantes pensei que era E.T

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