domingo, 19 de outubro de 2008

Impressões sobre Nidi D'arac


Dando um tempo nos estudos. Ufa! Era necessário. A última sexta-feira em Campina Grande foi efervescentemente cultural. Apesar da divulgação não ter sido maior, a banda Nidi D'Arac deu um show no Teatro Municipal. Pagando para ver, sabia apenas que era um banda italiana que iria tocar Salento. Nem sabia que porra era isso, mas gosto de ver as novidades...pelo menos as que são para mim. Baseado nas tradições do antigo salento no sul da Itália, a banda inspira-se no tarantismo e na dança pizzica. Traduzindo: o som tinha inspirações da música árabe, cigana, espanhola e do fado português. Adicionado ao violino contemporâneo e a uma dança extremamente teatral e sensual...Nossa ao final do show fiquei doida para dançar pizzica. Falava para o povo: "Quero um lençolzinho daquele para dançar" (me referido aos lenços usados na dança). Uma pequena descrição do processo da música em meu cérebo:

1) Porra eu não entendo o que esse italiano diz. Preciso aprender italiano? Mas a gente não escuta inglês e gosta do ritmo, sem entender muitas vezes do que se trata. Então?Relaxe...

2) Eita ! Esse som é hipnotizante...Minhas pernas estão se mexendo sem que eu perceba. URRRRU!;

3) Que vergonha!
Uma pessoa rir na platéia quando o vocalista Alessandro Coppola tenta se comunicar em italiano com a platéia. Pense no silêncio e alguém rindo porque ele falava. Profissional, Coppola cortou o papo e começou a tocar divinamente. Acrescenta-se a isso a um galera nas cadeiras de trás que tiravam onda desde o começo da apresentação. Provavelmente foram ao show porque eram italianos. Comentaram apenas o preço do CD que era 15 euros e que não se conseguia baixar as músicas pela net. Impressão preconceituosa minha? Não, porque as comparações que essa galera fazia da música era que parecia com Faroeste Cabloco do Renato Russo, ou então, que Baixinho do pandeiro falava italiano, rindo...Me virei diversas vezes para trás para encará-los e para que percebem que ninguém mais, fora eles, estava achando graça naqueles comentários...

4) Pois é! Teve uma participação do Baixinho do Pandeiro. Ele deu um show. Simplesmente ele acompanhou o ritmo da banda italiana com o pandeiro, enquanto os próprios italianos não conseguiram tamanha façanha com o banjo. Baixinho mostrou-se um artista de verdade: humilde, educado e de uma sensibilidade musical incrível. Imaginem um cara semi-analfabeto, que nunca teve acesso a técnica ou ao conhecimento teórico da música, dar um show? Tiro meu chapéu para ele;

5) A mesma coisa não posso dizer de Artur da Cabruêra. Gosto muito de Cabruêra. Tenho o CD original vou a quase todas as apresentações, já dei um CD de presente a um colega espanhol... mas tentar impurrar o forró da esferográfica (marca da banda) na banda italiana com a mostra do violino, não ficou legal. A impressão que dá é que ele não foi abençoado com o talento e a humildade do Baixinho do Pandeiro, já que ele tentou fazer a mesma combinação quando o Teatro Mágico se apresentou na praça da bandeira. Enfim, são apenas impressões. Minha expressão.

Mas o show de Nidi D'arac ao contrário daquela expressão popular "é de arac", não vale nada ao pé da letra, valeu mais do que apena. Foi fantástico. Que venham mais bandas como elas e que os campinenses sejam educados, menos grosseiros e respeitosos com seus convidados. Um amigo meu, o artista plástico Adeildo Leite, me falou uma vez que nós não recebemos educação artística. Que somos analfabetos, ou seja, não somos educados para analisar, entender e formar nossas opiniões de forma mais sistemática, analítica, crítica...cada acaba então procurando e descobrindo o que quer e como pode...Assim, boa sorte a todos e com as escolhas.


Um comentário:

  1. kkkkkk...
    Gostei vou me entrar no clima do texto e vou fazer uma postagem sobre minha auto-estima.
    Uruuuuu...\0/!!!!

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