sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Naqueles dias


Hoje estou naqueles dias ("borocoxô, com a cabeça pesada e o coração apertado, com vontade de sair correndo e gritando, onde tudo vê a tona até o pindgo d'água, enfim...) Então, copiando a idéia do blog Between us, também lá vai a música do momento de hoje...

Vacina na veia

The beauty of the sun
By and by, a cloud
Takes all away

Shakespeare

Se você olhar pra trás e sentir uma saudade
Não espere, não vacile
Vá em frente e volte atrás

O passado não condena, só talvez não viva mais
O passado não condena, só talvez não viva mais

Mas caso tenha esquecido levemente o ocorrido
Tá tudo aqui guardado para sempre ser lembrado

Uma mancada como aquela, a gente acaba esperta
Uma mancada como aquela, a gente acaba esperta

Vacina na veia para não cair na teia
Vacina na veia para não

E não se faça de coitado, de esquecido ou de confuso
Aqui não tem otária, só mulher com a guarda em punho

Quando a coisa ficou preta, que vacilo, coisa feia!
Quando a coisa ficou preta, que vacilo, coisa feia!

Pra onde foi? Onde ficou aquela coisa verdadeira?
O forte ficou fraco, e do homem fez-se o rato

Mas um dia a sorte muda e o sacana vira Buda
A vida sempre ensina quem da sorte ainda precisa

Vacina na veia para não cair na teia
Vacina na veia para não

Mas ainda assim obrigações me chamam e depois pelo menos o cuidado das amigas, já estará valendo...



quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Faxina subjetiva


Adoro essa flor: Dente-de leão...Leve na forma e forte no nome. Inspira-me...

Não sou muito adepta dos livros de auto-ajuda, às vezes eles são óbvios demais, mercadológicos demais ou quem sabe surrealista demais, sei lá...Mas às vezes eles dão uns toques legais aqui e acolá, como, por exemplo, "Quando o amor não vem", de Ivana Vazant, uma psicóloga americana que escreve um monte de coisa, mas o que nunca esqueci foi quando ela afirmou que "muitas vezes precisamos fazer a faxina das nossas gavetas interiores, onde a gente acumula um monte de entulho, poeira e morre de medo de arrumar com medo de que o "lixo" se transforme numa avalanche sem fim.

Entretanto, ficar perdida muitas vezes nessa gaveta bagunçada é pior do que arrumá-la. "
Pois é! Faz muito tempo que faço arrumação, mas tem coisas que nem gosto de ver. Fica entocada. Mas cair e levantar de bike e de patins me ensinou a ter menos medo do invisível e do inesperado. Como assim?
  1. Fechar gestalts (círculos, histórias) para enfim estar livre para outras coisas. Comecei colocando um ponto nesse monte de "admiradores" que ficam fazendo xixi no território (eu) e eu finjo que não vejo. Usando uma metáfora, peguei a agenda de A a Z (claro que ela não é tão grande assim) e fui mandando um "se ligue". Se ligue porque você é casado; se ligue porque você é galinha; se ligue que você me deixa mal; se ligue galera estou só, carente, mas não topo tudo e qualquer coisa tá; ESTOU DE BEM COMIGO E LIGUEI O FODA-SE PARA TODO MUNDO...Estou até com 4 kg a menos...Maravilha!Não vou dizer que é fácil não. Tem dias que ainda me acordo mal, pensando...Mas na maioria das vezes estou bem porque Deus é mais;
  2. Terminei meu mestrado que consumia meu juízo;
  3. E hoje fechando com chave de ouro: entreguei um audio-visual legal para a associação que trabalhei como voluntária. Pois é! Estou fechando minha contribuição com essa segunda parada gay de Campina. A minha participação mais atuante. Por quê? Porque descobri mais uma vez que sozinha não vou mudar o mundo; porque preciso desacelerar e "cabo-woman" por "cabo-woman" (faz tudo) já faço no trampo em que ganho para fazer. Quero espaço para exercer no que me especializei. Não dá? Então estou caindo fora e de cabeça erguida, com o barco andando e não como os ratos que abandonam quando tudo está dando errado;
Como é bom se sentir mais leve. Como é bom não arrastar gavetas abarrotadas de entulhos que não servem mais. Para que guardar uma "roupa velha, apertada, fora de moda" se eu não uso mais? Hora de esvaziar as malas. Deixá-las leves para apanhar outros tesouros...Se bem que eu tenho uma fixação por bolsa. Quanto maior melhor, mais peso, aff! tentando mudar esse negócio. Bolsas menor ou então mais organizada, que tal? Eu estou achando essa idéia uma boa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quando acabei com a vergonha e com o medo


Aqui em Campina Grande/PB, começa hoje a semana para segunda Parada Gay. Ela de fato se realizará sexta-feira a partir das 15:00 hs nas mediações do Parque do Povo tendo como sempre a diversidade sexual, humana e cultural como tema. Amanhã vou participar de uma tenda falando sobre afetividade e daí focando também a homoafetividade. Foi pensando nisso que pensei numa roda de conversa com quem fosse chegando e fiz o seguinte texto para ser lido e destribuido. Como sempre qualquer semelhança pode ser mera coincidência, mas reflete a história de muitos jovens, baseado então no que vi, já li e vivi...lá vai o texto:

Quando acabei com a vergonha e com o medo

Eu sou Luís e tenho 17 anos. Ainda não sei muita coisa sobre a vida, mas fiquei aliviado quando acabei com a vergonha e com o medo que sentia.

Tudo começou quando eu ainda tinha 5 anos. Meu amiguinho e eu brincávamos de carrinho quando ele sugeriu que a gente se deitasse e fingisse como ficavam papai e mamãe. Como a gente estava brincando de faz de conta, não vi nada demais. E ele me deu um beijinho, como pai e mãe fazem. Aí veio o terremoto na minha casa! Minha mãe viu o selinho, me bateu e disse que preferia me ver morto a ter um filho “viado”. Eu nem sabia o que era aquilo, mas pelo jeito que ela ficou era algo muito feio e errado.

Anos mais tarde, meus amigos de escola e minha família diziam que eu era estranho porque não era metido a machão. Eu nem sabia como era ser assim. Era falar forte, ser estúpido? Mas eu não gostava de ser assim. E eu ainda nem sabia o que estava sendo. Estava crescendo, ora! E foi aí que descobri o que os meninos chamavam de “viado” . Eram os meninos que gostavam de outros meninos.

Eu! Eu não quero ser isso não! Não quero ser chacota para meus colegas, motivo de piada. Não quero decepcionar minha família. Eu não sou isso não. Definitivamente! Mesmo não sabendo ainda quem eu sou. Sei que eu sou uma pessoa que está descobrindo o que gosta e não tem muita certeza do que não gosta.

Quando tinha então 15 anos, meu colega sugeriu que olhássemos nossos órgãos genitais. Fiquei tentado. Curioso. Seria igual ou diferente? Como? O que é que se sente quando se pega? E quando se olha? Todo mundo falava o que eu não era mesmo, então, decidi arriscar. De repente quando fiquei só em casa fomos nos observar. Foi quando a empregada quase nos pegou no flagra, nos olhando. Eu fugi, fingi e morri de vergonha. Ela não tocou no assunto, mas bastava pensar que ela podia imaginar que eu era...Eu era? Não sei? Ai, que vergonha! Que medo de ser.

Pensei, pensei e decidi procurar uma pessoa que eu confiasse. Que pudesse guardar o segredo das minhas dúvidas sobre quem eu era e nem eu sabia. Procurei uma prima mais velha e com uma super cabeça-aberta. Sempre falava comigo sobre sexo, me orientava e era engraçada. Contei o que tinha acontecido a ela e então me disse que era normal. O fato de ter curiosidade em ver e ter gostado que outro menino o tocasse não queria dizer que ele era “viado”, que por sinal era uma palavra muito negativa, ou melhor, não queria dizer que ele era homossexual. Mesmo quando menino e menina são pegos brincando de papai-mamãe, os pais brigam porque não é a hora certa. Porque as pessoas sempre falam de sexo como algo feio e sujo. E ela mesma me confessou que quando era criança brincou com outra menina também de papai e mamãe porque também tinha curiosidade como qualquer outra criança.

Minha prima disse que hoje tinha certeza que gostava de meninos porque teve a oportunidade de namorar e experienciar. E olha que ela quando adulta ainda beijou pra valer uma menina! – nessa hora ela deu uma risadinha, o que me fez pensar que ela foi até mais além.

Mas ela já tinha experiência suficiente para sentir do que ela gostava. E era por isso que ela me disse que somente o tempo e as minhas experiências vão dizer quem eu sou. E que isso vai mudar muito como o tempo, junto com o meu corpo e meus gostos. Tudo é uma questão de tempo e nada está confirmado. Seja apenas feliz e relaxe. Vá resolvendo os problemas da vida na medida em que forem aparecendo. Não tenha medo nem vergonha do que você fez, nem que porventura venha a fazer. Tem coisas que são só de criança e de adolescentes, mas que podem mudar ou não quando ficamos adultos. O tempo vai dar muitas respostas. Ufa! Eu, agora com 17 anos, ainda não sei o que sou, infelizmente não tive ainda muitas experiências, mas pelo menos tenho certeza de que agora me sinto aliviado por ter mais vergonha de mim, nem medo do que fiz. Com o tempo vejo se preciso encarar meus pais. Quando souber quem estou sendo, afinal amar não é amar incondicionalmente? Amor de pai e mãe não deveria ser assim?


terça-feira, 25 de novembro de 2008

Vixe que saudade sem fim



Motivo? Carência, síndrome de abstinência...? Quando a dor se intensifica eu peço: “Morfina! Morfina! Pelo amor de Deus...”Sei lá... “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, né não? Saudades de que então?

Do cheirinho de café forte e fresco

De beijinho de peixe dourado

De boiar no tanquinho de olhos fechados e sentir o SMACK!

Do abraço de urso

De ser protegida

De ser salva

De ser mimada

De ser amada

De ver

De sentir o arrebatamento do amor depois da guerra superada

Do cheiro de roupa limpa

De compartilhar o chocolate na hora de dormir

Da música do Mundo Livre S.A

De sonhar

De lembrar quando tudo parecia perfeito

De esquecer

De implorar para ficar perto

De lutar para ficar longe

E por fim, de matar o que me mata: a saudade

Mas “viver é desenhar sem borracha” (Millô Fernandes). Sendo assim, o desenho saindo bonito ou feio é com ele que a gente fica. É dele que a gente se orgulha ou não. È com ele que vamos conviver e viver a partir dele para o resto da vida. E se borrar? Passamos por cima? Ficará tudo bem? Nem será percebido? Faremos alguns reparos? Será possível? E se a “emenda sair pior do o que soneto”? Quem sabe? E vamos vivendo sem a borracha...Ah! Uma imensa borracha espaço-temporal que operasse na lacuna das viagens temporais.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Silêncios e segredos navegando despercebidos pela internet



O Orkut, os blogs, o MSN e todas as demais ferramentas de tecnologia de informação e comunicação transformaram-se em ferramentas interessantes, para não dizer importantes na vida das pessoas.

São nelas que você se percebe, para não dizer “curía”, a vida virtual do outro, o que não quer dizer que seja nem menos nem mais falsa ou verdadeira da que temos no plano material. A vida virtual é mais uma dimensão das nossas vidas que assim como as demais tem suas verdades e mentiras. Embora impere os sorrisos, os lugares bonitos, as amizades (quase o paraíso), aqui e lá, você percebe alguns que resvalam suas tristezas nos nik-names virtuais, nas histórias do blogs sua solidão, seus silêncios e medos. Quem nunca xeretou a vida de ninguém pelo blog ou pelo Orkut que atire a primeira pedra?

É quase impossível não querer saber como fulano ou sicrano estão, qual seu atual estado civil (o mais visitado) e as fotos quase sempre sorridentes. Afinal alguém já viu a foto de alguém chorando no Orkut? Podem-se usar as metáforas com outras imagens que podem ser um indicativo do estado emocional no qual a pessoa se encontra, mas dificilmente vemos a imagem propriamente dita. A questão não se trata de ser certo ou errado, mas que essas ferramentas transformaram-se o “grande olho da vigilância” da vida alheia. Um enorme Big Brother Brasil virtual, onde a maioria das pessoas se contorce em olhar ou não olhar? Eis a questão.

Eu tantas vezes fingi indiferença a tais ferramentas, mas que no fundo escondia lá no cantinho dos meus silêncios e dos meus medos o não querer ver o que poderia doer e machucar. Encafifar e fantasiar então parece que essas ferramentas são expert’s nisso. A partir do que se vê mil e uma fantasias são construídas: se a pessoa está bem, mal, mais bonita, feliz... Se bem que esses espaços aparentam o paraíso da felicidade, o mundo da fantasia, embora mentiras sejam contadas para si e para os outros.

Eu tive que fingir indiferença quando vi no Orkut de um amigo a mensagem de uma ex-amiga “Damião”. Mas o “alerta vermelho” já tinha sido ligado. Não queria vê-la mais. Ela estava longe, mas parece que vai voltar. E daí? Daí que ela representa um monte de coisas que tinha resolvido esquecer e que talvez não estejam tão bem acomodadas dentro de mim, principalmente sentimentos de rejeição, de ameaça, de fracasso e de traição.

As fantasias agora pululam na minha cabeça: Então era por isso aquele tratamento de A ou B? Qual o contato que realmente mantém A ou B? Sim, porque mantêm contato na medida em que são “amigos virtuais...” O que não deveria me importar mais, ainda no cantinho dos meus silêncios e segredos, doe e incomoda. O que deveria ter sido superado, talvez não fora. Um pedido de perdão do que fizera não tinha sido suficiente para esquecer o acontecido. A cicatriz está lá. E ela está provavelmente voltando para resgatar o que perdeu. Quem? Quais pessoas? Que eu tenha forças para encarar...E pare de ter medo e fantasiar à respeito. Usando o slogan do pânico vai ser “beijo na boca ou tapa na cara?”.

Do outro lado me apego a um texto que me foi presenteado por uma colega, pertencente a Kim & Alison Mcmillen e adaptado por mim:

Amar-me em qualquer circunstância é ter AUTO-ESTIMA.

Não ir de encontro a quem realmente sou é ser AUTÊNTICA.

Aceitar minha vida com seus obstáculos é ser MADURA.

Não forçar uma situação é RESPEITAR-ME.

Livrar-me de tudo que não é saudável é AMOR-PRÓPRIO.

Parar com projetos megalômanos de futuro e fazer o que gosto é ser SIMPLES.

Desistir de querer ter sempre razão é errar menos. É ser HUMILDE.

Viver um dia de cada vez é PLENITUDE.

Manter a mente a serviço do coração é SABER VIVER!!!


domingo, 23 de novembro de 2008

Mulher invisível



Hoje acordei me sentindo uma mulher invisível. Motivo? Nenhum em específico ou todos. O famoso balanço do final de ano começa a acontecer sem que eu me dê conta e claro que o lado pessoal foi o que mais pesou... Então enquanto ficava dividida entre tentar estudar sobre o apocalipse político-econômico e ecológico do mundo e balancear a vida, fui obrigada a ficar quietinha na cozinha estudando em silêncio para não acordar ninguém logo cedo da manhã. Juro que tentei segurar a onda. Mas não deu. E olha que até tentei dormir na cama da minha mãe na noite anterior a esse dia (acho que consciente ou inconscientemente procurando colo), mas no meio da noite ela me abandou e foi dormir no outro quarto. E então durante á noite acordei e lá ela estava eu e aquela cama estranha, enorme e sozinha...Pense num sentimento de abandono, de rejeição. Os pesadelos então nem conto...o sono foi péssimo. Parece que todos os sentimentos de culpa que escondo de mim durante o dia estão vindo a tona à noite, no sono, como pesadelos reais...fragmentos do dia

Resumo da ópera: minha amiga liga pedindo uns troços para o cabelo porque ela ia para um casamento e fui bater lá. Peguei a bike e me danei no mundo...E aquela música de Kid Abelha que me lembra momentos horríveis de fossa soando na minha cabeça “sou errada, sou errante...”. Definitivamente odeio rádios...Por um momento lembrei até das imagens do filme Cidade dos Anjos, especificamente quando a personagem de Mag Rayan estava sentindo o vento nos cabelos ao andar de bicicleta e sentia-se feliz. Pena que nossos sentimentos nesse momento eram contrários. Mas nada que uma caixa de chocolate Alpino e conversa jogada fora não resolva. Pois é...Estou aqui não estou? Podendo em prática meu lema dois de vida: “Por hoje mais um dia”.

Para variar minha irmã siamesa sempre conta alguma história sobre os animais. De como os bichinhos sofrem e têm um final feliz. Além de relembrar-me aquela da tartaruguinha, falou sobre os elefantinhos abandonados da África cuidado por alguns voluntários e depois ensinados a viver na selva...Ele tomam mamadeira, usam cobertorzinhos por causa do frio com a falta do calor do corpo da mãe e quando maiores são treinados para voltar a selva, mais tarde retornam ao lugar onde nasceram e que foram cuidados pelos voluntários e mesmo que estranhem os voluntários, basta soprar na tromba deles que reconhecem aquele gesto de carinho.

Ok!Para contra-argumenta contei outra história de elefante não tão legal. Disse que a primeira vez que ouvi falar sobre elefantes é que eles nunca esquecem o lugar que nascem e que quando estão perto de morrer voltam ao tal lugar, por isso, o dito popular de ter memória de elefante. Essa explicação foi adicionada com mais outra explicação de quem me revelou a historia da memória dos elefantinhos “sou como os elefantes, não esqueço nada que fazem comigo. Sou vingativo”. Aff!

Eu disse a minha irmã que quando criança urso só era urso se fosse fofinho e tivesse cara de urso, por isso que por um bom tempo não achava fofinho essas pelúcias com cara de outros bichos, para mim não eram bichinhos fofos. Eu comecei a desmistificar essa impressão quando comecei a associá-los a coisas boas. Tipo a tartaruguinha com a história que ela me contou. Comecei achá-la mais fofa porque me lembra a perseverança. Os pingüins de pelúcia porque me lembra o documentário carinhoso da Marcha dos pingüins”. A coruja porque, claro, representa a sabedoria vigilante, as joaninhas por causa da felicidade associada entre esse bichinho e o filme “Sob O sol Toscana”...No entanto, tem alguns outros bichos que nem de pelúcia descem como os sapinhos (me desculpa tá Jad). “Olha só como melhorei! Para quem não é muito afeita a bichinhos, até a variedade dos de pelúcia, já estou aceitando “. Ela:

- Ah! Mas essa sua fixação infantil que urso de pelúcia só é urso é por causa da história de um presidente americano que não quis matar um urso filhote que lhe deram de presente por ser caçador. Aí, a indústria americana aproveitou o ensejo e começou a fabricar em larga escala o urso Ted, porque ele foi “salvo” pelo presidente americano. Também acho que perdeu a graça para ele matar um bichinho que já estava preso.

Falta dizer a ela que existe outra história sobre o urso Ted, menos sofrida, mas tão manipuladora quanto. E o presidente que ela esqueceu foi Theodore (Ted) Roosevelt...Mas como toda história tem dois lados...

Ri e lembrei-me de outro colega que vive falando que odeia ao se dar conta de que é manipulado pela sociedade...Enfim, fossas culturais... “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Lavoisier).

sábado, 22 de novembro de 2008

Mundinhos paralelos




Enquanto na sala da justiça da minha casa, entre uma notícia e outra sobre a cassação do ex-governador Cássio Cunha Lima, eu tentativa estudar para prova do doutorado...sim porque estudar vem se tornando a cada dia um trabalho de Sísifo, ou seja, quase um sofrimento sem fim, tirei à tarde para dar um tempo naqueles textos apocalípticos em espanhol sobre a sociedade de risco na qual vivemos atualmente.

O que fiz? Fui dar uma geral no meu computador que estava lotado de lixo musical e de imagem. Como toda faxina é chata, inclusive as virtuais e transformei-as em algo mais lúdico. Como assim? Resgatei meu microfone de infância, que foi também do meu irmão (nada mais, nada menos, do que um pilãozinho preto de fazer caipirinha que minha mãe trouxe ainda do Rio de Janeiro quando era uma infante) e começamos a brincar de cantar e de desfilar. Eu até simulei a entrada de uma garota Caldeirão. Finalizei à tarde tirando meus patins novinhos do armário e indo aprender a patinar. Quedas? Apenas uma. De meia bunda. Está bom se compararmos as quais levei de bike...o saldo ainda é positivo. A grande lição de vida que a bike pôde me ensinar é que não importa o que você faça você sempre pode estar sujeito a cair. E mais: a queda dói, mas passa. Os machucados ficam e em alguns dia se vão, mas encarar o medo de frente e rir deles ao subir novamente na sela encarando “mais uma” é insubstituível. As quedas realmente nos tornam mais forte do que nossos medos e nos enisna a encarar o novo sempre de frente, mesmo que um friozinho na barriga.

Entre esses mundinhos paralelos, pela manhã, horário que geralmente acesso a net, vi esse recado fofo do meu irmão no Orkut, sinal de que o dia iria ser bom...

Dizes que é feliz porque me tens e me amas
Digo-te que em teu olhar decifrei o segredo
Na paixão lírica consumindo-me em chamas
Num
amor adormecido que agora te concedo

Dizes que sem mim o que fazes para viver
Digo-te és a vida e o ar que respiro lá fora
Na brisa suave que sopra a cada amanhecer
Enxugando-me as lágrimas vazias de outrora

Vês em meus olhos o magnetismo que brilha
Nos teus eu vejo uma quietude que me acalma
Numa profundidade que apaixona e me extasia

Dizes que te elevas quando sente minh’alma
Em jubilo fico nessa junção que nos contagia
Transcendendo num beijo que atiça e me cala.


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aqueles sonhos mais lindos: sonhei


Quem me conhece sabe que vivo correndo atrás da vida e ela de mim. Faço mil e uma coisas ao mesmo tempo e estou sempre metida em grandes planos. Claro que quase todos relacionados à carreira profissional. Invisto muito nela. Inclusive meu médico me indicou um tacógrafo para registrar meus limites de velocidade. Correr é bom, mas parar ás vezes torna-se indispensável. Gostaria de ter conciliado independência e respeito profissional com o relacional amoroso...Mas cada vez mais parece difícil.

Lá no fundo do meu eu tinha, para quem não sabe vou registrar aqui para posteridade, (e em alguma medida tenho) aqueles sonhos ditos de mulherzinhas sabe? Casamento com marido fofo, cerimônia, vestido, lua-de-mel, a casa com portãozinho branco e a família de propaganda de margarina. Enfim tudo que qualquer donzela tem direito. O tempo foi se passando e parece que meu príncipe foi ficando cada vez mais longe...Eu nem de longe penso em casar por casar, somente para não ficar sozinha. Também não acredito em príncipes encantados, ou talvez não acredite mais. Se bem que os da minha imaginação não era tipo almofadinha, mas mais descolado, talvez exotérico (detesto gente muito materialista), intelectual...Sei lá! Porra-louca não dá! É que estou mais para marola do que para ressaca tanto de mar quanto de bebida e coisas do gênero...

Para o cotidiano o que vale é o cara que segura a onda, que te dar colo e que fica feliz com pequenas coisas do dia-a-dia, como ficar juntinho, ver filme com pipoca, ficar brincando de fazer cosquinha na cama, que não se importe com minhas brincadeiras infantis e com minhas calcinhas tipo shortinho (macias e confortáveis. Ai, que prazer!)...Essse são os registros mais recentes da minha infatilidade...

Meu amante o chocolate

E petit-gateau então? Ai, ai. Deveria ser proibido para menores

Coisinhas um tanto tolas para alguns que para mim é o auge. Olha! Que por incrível que pareça não me casei por falta de pedidos. Tenho uma caixa com tantos “anéis de compromisso” que estou pensando em mandar para o mar feito oferenda. Sou conhecida entre os poucos namorados como “enrolona”, mas na verdade acho que é falta de fé no futuro a dois. Sonha que se sonha junto é realidade, quando sozinha é ilusão. E ainda não encontrei isso...

Confesso que durante muito tempo pensei em todos os detalhes do meu casamento em cinco atos:

1º. Ato - o pedido: no estilo mais romântico (Lembro de um muito especial: ajoelhado em frente à capelinha de Santo Antônio no Parque do Povo, perguntando se queria casar com ele. O problema? O pedido veio tarde demais ou na hora certa porque nesse ínterim as traições mancharam o romantismo da nossa relação e dos sonhos coloridos também). Hoje ainda não estou aberta a convite de morar junto. Ainda resta uma esperança em mim, oh!... Bem se a justiça se fez com a cassação do nosso ex-governador Cássio Cunha Lima por desvio de verba para compra de votos, por que é que eu não posso sonhar ainda um tiquinho em ter um casamento quase à moda antiga?

2º. Ato - o casamento: A princípio queria um vestido vermelho, para chocar mesmo a minha família por demais vitoriana. Hoje casaria de branco mesmo, estilo mais despojada que é como me identifico e com muitas flores. Talvez numa capelinha, na praia, sei lá...um lugar bem lindinho e aconchegante. Ah! O bolo! Teria que ter aqueles bonequinhos que agora são estilizados com características da personalidade dos noivos. Uma banda de pop-roque para recepção ou algo assim bem diferente, como um casamento ecumênico.

3º. Ato – a lua-de-mel: Ummmmmmmmmm! Tinha que ser ou num lugar friozinho ou numa praia bem animada, tipo França ou Caribe, sei lá...De novo! E muitas fotos registrando o nosso amor eterno...Ai, ai..

4º. Ato - filhos: já quis. Dois para ser exata e homens porque não queria dividir atenção com outras mulheres, elas são por demais competitivas. Hoje acho crianças muito fofas, mas não as quero mais. Sei lá! Em quem vão se transformar? E os custos de vida? E se virar uma divorciada sem pensão alimentícia do guri? E se enlouquecer com meus conflitos e meu ritmo frenético? E se a humanidade enlouquecer? Ai meu Deus é muita coisa para administrar, nam! Então, filhos estão cortados do plano de casamento e família de margarina. Família somente à dois e talvez um cachorro comportado, o que é mais difícil. Gostei da minha última experiência com meu poodle Dezinho. Talvez queira um labrador, mesmo sozinha. Quem sabe?

5º. Ato - a casa: Nada de muito sofisticada, simples, cheia de coisas coloridas e artesanais. Uma casa em constante reconstrução das coisas, dos moveis, com flores na janela, uma rede na varanda, um banheiro enorme (seria demais pedir uma banheira de ágata? ai, ai), uma cadeira de balanço (queria ser posta para dormir no colo do meu marido) e por fim, eu acho, uma clara bóia para ver as estrelas do quarto. Não quero nadinha hem? E comprar os móveis? Nossa iria pensar em cada detalhe. E olha que não sou muito disso hem? O sofá, a nossa cama, nosso quarto... Não queria ficar fora de nada e nem queria que meu futuro marido ficasse, mesmo com aquelas reclamações clássicas de “para que isso ou aquilo”. Queria vê-lo feliz porque estaria também feliz. Sabe aqueles maridos que mimam? Pois é, gosto desse tipo junto com inteligência, a capacidade de me fazer rir e a simplicidade. Sonhava até com os nossos planos em mochilar pelo resto da América Latina, mas sem desperdiçar, claro, algumas oportunidade de fazer alguns programas mais confortáveis e sofisticados. Um pouco de tudo...

Hoje não tem mais pedido romântico, vestido vermelho, bolo com noivos, casa construída a dois...só resta o desfile do egoísmo humano no que EU QUERO AGORA. Novos tempos exigem novos planos. E quais serão meus planos daqui para frente? Sei lá. De novo!

1. Talvez achar pelo menos alguém que me ame e por me amar me faça mimos, me ponha para dormir, me dê colo quando estiver triste, não se importância com meus ataques de infantilismo com lugares e doces, que me faça sempre rir de montão e me diga coisas bonitas e inteligentes. (Xô! Síndrome do príncipe encantado porque isso nem de longe existe mais. Nem o pó). Mas pelo menos a minha esperança é a última que morrerá. Não sei até quando. Igual a letra de música antiga...“Aqueles sonhos mais lindos: sonhei...”;

2. Mochilar sozinha ou com meu irmão;

3.Ter meu labrador. Acho que ai vou ter que mudar de casa porque minha mãe detesta sujeira. Então, ter dinheiro para ter a minha casa para ter o meu cachorro. Essa ordem parece melhor.

Os sonhos eram teen, os tempos se passaram, mas é preciso por um lápide em alguns pontos desse plano, o que não quer dizer em alguns desejos. Tem coisas aí que posso fazer sozinha, por quê não? Mesmo que não me encaixe muito bem naquele perfil “solteiro no Rio de Janeiro”...Ou é? Mas faz parte de nosso show: aceitar nem mais nem menos apenas companheirismo, respeito mútuo, risadas, carinho e sonho à dois.



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O que é preciso para encontrar a alegria de viver?


A gente aprende muito vivendo, pensando, lendo, escutando e assistindo muita coisa também. Sempre há algo de interessante, de diferente, e até de inspirador, para ser extraído das coisas e das pessoas mais estranhas.

Eu pelo menos tenho uma listinha de filmes para lembrar-me sempre do amor, do acaso virtuoso, da coragem e de coisas desse tipo, por isso, meu “filmes de cabeceira” são: De repente é amor, O diário de Brigte Jones, Amelie Poulain, A casa do lago, PS Eu te amo, Velocidade Máxima, Uma linda mulher (Eita! O mofo subiu como diria minha amiga Jad), Perfume de Mulher (aquele tango maravilhoso de Al Pacino, ai, ai...) e por fim, pelo menos , por enquanto, Quando Nietsche chorou (Ok! Gosto muito desse filme, mas esse último foi principalmente para não transformar minha cinemateca pessoal em algo muito meloso tá?). Portanto, nunca perco uma reprise desse filmes.

Ao assistir “Antes de Partir”, um dos pontos que achei interessante e que é explorado pelo filme trata justamente do que é preciso fazer para encontrar a alegria de viver? De forma nenhuma essa questão é posta de modo triste ou melancólica, e sim de maneira redentora que no máximo arranca um engasgo de emoção ao final.

Estrelado por Morgam Freeman e Jack Nicholson, os personagem fazem uma lista do que querem fazer antes de partir:

1. Conhecer um lugar majestoso;

2. Rir até chorar;

3. Beijar a mulher mais linda do mundo (entendam linda não como esteticamente);

4. Pular de pára-quedas;

5. Dirigir um Shelb 350;

6. Rever a filha;

7. Ajudar um desconhecido...

Ao longo da realização da lista dos desejos de suas vidas, à vezes adiados pelas obrigações de rotina ou porque pegamos caminhos que nos distanciam sem que percebamos do que realmente queremos, os personagens sentem que a maior de todas as alegrias que deram início ou a partida de suas vidas, talvez aparentemente desencaminhadas, nada mais foi do que o amor. O amor por sua família e pelas pessoas queridas do seu entorno. Dinheiro ajuda, ow! Mas também não é tudo, o que chamamos de amor, fé, crença, felicidade, esse sim, são sentimentos poderosos. Bem, o filme me inspirou a fazer uma primeira lista, que com certeza será acrescentada ou modificada ao longo da minha vida, mas acho que por enquanto posso resumir minha lista do que quero fazer antes de partir em pelo menos quatro desejos, para aproveitar muito bem essa passagem por aqui:

1. Registrar o maior número possível de vezes, fotografar, para poder sempre ver e relembrar, os momentos que me fazem feliz, rir, com minha família, com meus amigos e quem sabe com um companheiro que me ame e se sinta muito bem e feliz também ao meu lado;

2. Viajar, com os mesmos amigos e com a minha família;

3. Ter sempre uma cumplicidade profunda com meu irmão;

4. Pensar menos para arriscar mais no improvável e no imprevisto que às vezes passam rapidamente em nossas vidas e nem nos damos conta.

Espero que nesse momento cada um esteja pensando e tentando executar sua listinha pessoal para ser feliz antes de partir....E parafraseando um pouco uma das mensagens do filme “você até pode manter os olhos fechados, mas deixe o coração aberto...”.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A desfiguração de Narciso – 3º. ato (a tentativa de resposta a revanche)

Como sempre, qualquer semelhança com a vida real pode ser mera coicindência...

Inquieto. Desconfortável consigo. Aquela era a máscara que ele não aceitaria: a de um homem canalha, usurpador e oportunista. “Como ela pôde ficar com a última palavra? Como ela não quis ouvir minhas justificativas plausíveis. Sim, porque tudo o que eu passo é muito difícil e doloroso para que eu possa administrar...” E como um verdadeiro Narciso, preocupado em manter sua imagem intacta, ele não iria permitir ficar sem explicações porque não poderia ser julgado como culpado antes da defesa, ora! Seria o mínimo. Ligou algumas vezes querendo falar sobre suas “mentiras sinceras”, pedindo com falsa humildade perdão pelo o que nem tinha feito...esperneando porque não teve o direito de enrolar (o que para ele era explicar) mais uma vez. E enquanto ele preocupava-se em manter a imagem de herói ilibado, insistindo na comunicação e nas mensagens por celular, Narciso, esqueceu que havia alguém realmente ferido, magoado e sentido-se usado. A questão é: um Narciso sempre será incapaz de perceber a dor do outro. A dor que não seja a desfiguração de sua farsa: a de uma imagem perfeita de si a qual não existe. Vive de jogos, mentiras e arapucas que mantenham sua estética. Nem que seja a base de “cirurgias plásticas” grotescas, as quais o tornem ainda mais inumano. Ele é um ser de vazio, de faltas e ausências, um incapaz de perceber e respeitar a alteridade do outro, portanto, confinado a viver isolado dentro de si e de suas verdades internas perfeitas. Além claro, de querer roubar a vitalidade e tornar descrente quem com o outro se importa, seu grande aleijo. Então, que esse mundinho seja só dele e que assim se conforme com o confinamento dos mortais. Sem tentar acabar com a vida e a alteridade de mais ninguém. Sem tentar encenar possíveis 3º. atos porque afinal trata-se do fim da peça em dois atos para o elenco que faz parte da encenação forçada e que saíram um tanto fragmentados.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A revanche – 2º e último ato




Ela chega na sua casa imaginando que aquele seria mais um dia de rotina. E como toda rotina, ante os últimos acontecimentos de sua vida, usava o lema dos pacientes em estado de risco e drogaditos: “Só por hoje mais um dia...” Um dia bem, um dia feliz, um dia em paz consigo.

O celular toca e distraidamente ela atende enquanto arrumava seu material de trabalho e fazia outras coisas do tipo.

- Oi! Liguei para dizer um oi.

Ela não podia acreditar. Como assim? Oi? Depois do que ela descobriu suas mentiras ele ligava como se nada tivesse acontecido? Entre perplexa e atordoada com tamanha canalhice, ela começa a engrenar um papo como se nada tivesse acontecido para tentar se orientar e saber o que fazer. Fala sobre o trabalho dele, as urgências...e ele lá como se de fato nada tivesse acontecido. “Será que ele ainda não havia descoberto que ela já sabia que ainda mantinha seu antigo caso amoroso?” Bem, o fato é que uma simples reprimenda ao telefone o faria apenas retirar-se e sumir estrategicamente. Mas isso não seria suficiente para ela e todas as coisas engasgadas que estava querendo dizer depois daquele último episódio. Sim, porque este seria de fato o último episódio. Ele de uma vez por todas não seria apenas deletado, seria extirpado da vida dela como a um câncer. Ela iria até o fim com seus planos. Afinal ele dissera da última vez que a amava, que queria se casar com ela ainda aquele ano.

- Ah! Já que você está com seus problemas profissionais resolvidos, andei olhando nas joalheirinha nossas alianças de noivado e estou pensando em confirmar sua presença no jantar de fim-de-ano para anunciar nosso enlace. Assim, teremos tempo para acertar o contrato de separação total de bens e alguns outros detalhes que pensemos.

- Como assim? – ele

- Ora, você me pediu em casamento e disse que queria resolver sua vida sentimental até o fim desse ano, não foi?

- Sim, mas... – ele.

- Que foi? È uma retirada de pedido de casamento? Você mentiu para mim, é isso?

- Não, estou apenas surpreso. Você parecia nunca me levar muito à sério.

- Mas você me deu um ultimato não foi? Disse que me amava...

- Te amo e sempre te amei...

- Então. Disse que me amava, que não queria mais ser enrolado e disse: “Você não quer se casar comigo?”. Não foi isso?

- Foi.

- Mas você parece chocado.

- Não. Estou surpreso.

- Então pelo jeito não foi uma surpresa boa.

- Não, foi sim.

- Sei não heim?

- Olha eu só acho que a gente devia conversar sobre isso pessoalmente eu ainda estou resolvendo-me no trabalho e tal...

- Tá. Eu não disse que a gente vai casar amanhã. Disse apenas que iríamos oficializar nossas intenções.

- Então, vamos conversar sobre isso tá? Pessoalmente. E uma coisa é vê-la como perfil de minha mulher porque eu quero diminuir a possibilidade de erros dessa união.

- Como assim? Você acha que não sou boa para ser sua mulher?

- Não, não é isso. Conversaremos amanhã pessoalmente está bem?

- Ok! Não sei se ao nos encontrarmos visto meu vestido de festa ou meu vestido de luto pela retirada do pedido.

- Não. Não. Não é uma retirada. Venha normal.

- Ok!

E agora? O que ela faria? Iria pegá-lo com a “boca na botija”. Era isso que faria. Tirou das caixas dos esquecimentos – aquela que temos com cacarecos que não temos coragem ainda de nos desfazermos ou então não estamos preparando o suficiente para fazê-lo – as ditas alianças que seria uma surpresa.

Pela noite pós seu vestido negro mais lindo e sensual com um toque de casualidade claro, como ela. Linda e perfumada ele a pegou em sua casa para irem à casa dele. Lá, ela deixou que ele se enrolasse repetido tudo que já havia feito acreditar sobre o amor, as intenções e pequena ênfase dramática sobre as incertezas do que sentia ante a última frustração do relacionamento deles...Serena ela escuta toda a farsa. E ainda o ajuda a retocar o trabalho do qual ele ainda se sentia inseguro, ao final ela diz:

- Então, quando resolvermos essas pequenas questões chamo sua outra mulher para ser nossa dama de honra?

- Como?

Aí ela conta sobre o telefonema, a deslealdade em fazê-la acreditar que tudo do passado havia acabado e que só restava o presente em construção. Não era uma questão de fidelidade, mas como pôde mentir e enganar daquele jeito? Quer dizer que ela servia para segurar os problemas dele, mas não para ser a amada. Ela fora usada profissionalmente, seu nome corria na boca do povo, sua reputação profissional fora manchada porque ela queria provar que era boa suficiente para ela em qualquer circunstância, que seria até mesmo sua cúmplice. Depois de tudo dito, ela não aceita ouvir mais nada vindo da boca. Chega de mentiras e enrolações! Ela sai do local sozinha. Aliviada, em suas últimas palavras repetiu o que disse a si todos os dias:

- Hoje, não se trata de mais uma briga. Essa foi à gota d’água e a prova de que se você faz isso comigo hoje, nada melhor posso esperar de você mais tarde. Esqueça-me! Esqueça meu nome, nossa história e tudo que remeter a mim ou a nós, porque não apenas o deletarei da minha vida como o extirparei como quem faz a um câncer. Você não vale uma fisgada dessa dor. Você já fez sua escolha e espero que esteja satisfeito com ela. Afinal vocês se merecem, pelo menos por estarem os dois dispostos a tudo para terem, custe o que custar, o que querem. Sejam felizes. – E ela se vai, andando pela noite e sentindo a brisa suave bater em seu rosto.

E SE PUDESSE DIZER ALGO A ESSA AMIGA QUE PASSOU POR ISSO ACHO QUE ESSAS PALAVRAS SERIAM SUFICIENTES...
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O que é um fim-de-semana "MARA"?


Usando o bordão do personagem Ladir do programa "Toma Lá Da Cá" , um fim-de-semana "mara", maravilhoso, foi o meu último fim-de-semana. Por quê?
  1. A presença dos que me acarinham e me amam;
  2. Reafirmar a cada segundo o carinho mútuo;
  3. Ir para um lugar lindo;
  4. Ir para um outro lugar divertido;
  5. Rir de montão;
  6. Comer de montão;
  7. Sentir o vento no rosto;
  8. Sentir a adrenalina;
  9. Fazer fotos;
  10. Trocas presentes;
  11. Ter coragem de sempre recomeçar ou de cair quando levantar;
  12. Sentir-me bem comigo e com quem sou;
  13. E ter certeza que para cada porta que o universo fecha, muitas outras se abrem.
Para encerrar alguns provérbios chineses que me foram lançados pela sorte para que eu pensasse e fizesse sempre...

"Um homem feliz é como um barco que navega com vento favorável;"

"Não se salta um precipício em dois lances;"

"Há três coisas na vida que nunca voltaram atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida;"

"Se parares cada vez que ouvires o latir de um cão, nunca chegarás ao fim do caminho";

"Jamais se desespere em meio as sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda".

Esse não é chinês foi retirado da biografia de Einstein e proferido por meu rmão, valeu!

" A VIDA É COMO ANDAR DE BICICLETA. PARA MANTER O EQUILÍBRIO, É PRECISO SE MANTER EM MOVIMENTO."

ISAACSON, Water. Tradução Celso Nogueira [et al.] Einstein: sua vida, seu universo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007





sábado, 15 de novembro de 2008

A mentira - 1º. ato (a deslealdade via hi-tec)



Como sempre qualquer semelhança com a vida real pode ser mera coincidência...

O telefone é posto no gancho. Atordoada, ela não sabia se abria a geladeira, se pegava algum calmante, se ligava para algum amigo, até que viu o aparelho de som. Abriu no último volume a música. E tantas coisas vinham a sua cabeça como num turbilhão: Por quê? Desde de quando? Novamente? Não seria diferente? E a lealdade? Sim, porque não era uma questão de fidelidade, mas de lealdade. Ela nunca pedira nada e sempre dera tudo que lhe era exigido. Desleal era isso que ele tinha sido. Para não dizer canalha.

Na verdade aquele não era o fim de uma história, mas o fim do recomeço de, talvez, uma mesma história. Mas o que lhe angustiava naquele momento? A mesma mentira? O coração partido? Ou a certeza de que mais uma vez negara seus instintos que daquela história era preciso continuar mantendo distância. Mas pensava: “somos outros, o tempo passou, as coisas mudaram, as pessoas mudam, afinal o que motivou determinadas atitudes antes não existe mais.”

Ela então começou a lembrar e relembrar o passado distante e o presente de algumas horas atrás. Imagine! Eles pareciam tão mais honestos um com o outro, mais ligados, cúmplices, que para ela parecia impossível que ele cometesse a mesma deslealdade. Ele passando por um momento difícil compartilhava cada vez mais suas angústias internas, suas responsabilidades laborais, ela inclusive o “cobrira” algumas vezes. Pareciam mais articulados, interligados. Ela se sacrificara cada vez mais para deixá-lo bem. Nem mesmo as fofocas de “estúdio” o atingiria porque ela se meteria no meio para receber a bala em seu lugar. Assim como já havia feito, inclusive machucando-se em seu lugar.

As atitudes dessa vez pareciam valer à pena, mesmo que seu sinalzinho vermelho interno de alerta tenha piscado. As atitudes pareciam ter sentido ou um sentimento verdadeiro. A prova da ingratidão, da revanche e da deslealdade viera por acaso. Desde quando tudo começou na primeira vez, sim porque talvez aquela fosse a segunda ou a terceira ou quem sabe a quarta vez, sei lá, que recomeçavam, ela fizera questão de nunca pedir-lhe nada, de nunca dividir nada a não ser o carinho, a atenção e os corpos. Até que, por chiste do destino, ela pediu-lhe um equipamento de trabalho emprestado. Definitivamente o equipamento foi à chave para quebrar um tabu de silêncio ou quem sabe de acordos feitos nas carícias e subentendidos da relação. E se ela não tivesse quebrado essas regras? E se ela não tivesse objetivado dividir mais do que carinho, atenção, corpos e naquele momento objetos materiais,talvez nunca soubesse...Não se tratava de fotos escabrosas encontradas ao acaso...

Como aqueles homens super ligados em tecnologia, ele sempre tinha mais de um número de celular, o que às vezes a dava a impressão de ser um número para cada mulher, ou melhor, um número para cada tipo de comprometimento relacional que estabelecia com essas mulheres. Entretanto, ela fazia questão de fingir que não via a luz vermelha piscando, dando alerta. Queria deixar de ser finalmente cismada.

Ligou para um dos números, o mais utilizado por ambos... “o número se encontra desligado ou fora da área de cobertura”. Ela ainda pensou que se tratava de algum problema de urgência e então decidiu ligar para outro número a fim de obter o bendito elemento faltante do equipamento que havia pedido emprestado a ele. O número chama e finalmente atende:

- Oi, fulano...– Ela não teve tempo de completar a frase porque do outro lado da linha fora uma outra mulher que atendera, respondendo que não era o tal fulano, mas sicrana. Aquele nome era familiar. Tinha sido um dos motivos do rompimento da relação deles. “Mas ele não comentara nada nesse recomeço... parecia tudo acabado”.

- Ah! Desculpa foi engano. – Foi o que ela pôde dizer ao colocar o telefone no gancho. Ela não permitiria escutar nada novamente daquela mulher. Finalmente as peças se encaixavam, inclusive as da mentiras e da deslealdade...e como num turbilhão: Por quê? Desde de quando? Novamente? Não seria dessa vez diferente? E a lealdade? Sim, porque não era uma questão de fidelidade, mas de lealdade. Ela nunca pedira nada e sempre dera tudo que lhe era exigido, imposto. Desleal era isso que ele tinha sido. Para não dizer um canalha.

E com a música no último volume decidiu sair de casa, bateu a porta e foi em busca de outro caminho e de outro recomeço que não se reencontrasse com aquele trágico começo/recomeço. Ela não estava ferida, ele não mereceria nem mesmo um cisco de sua dor. Ela, embora chocada, estava aliviada porque nunca estivera errada quanto a quem ele realmente era. E dentro da casa continuava ressoando em alto e bom tom a música na voz de Marisa Monte: “Você não serve pra mim”...

“Não fique triste não se zangue
Com tudo o que eu vou lhe falar
Sinto demais, porém agora
Tenho que lhe explicar...

Você comigo não combina
Não adianta nem tentar
Não vejo mais razão nenhuma
Para continuar...

Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Voceeeeeeeeeeeê!
Não serve prá mim!
Não serve prá mim!...

Uma palavra de carinho
Jamais ouvi você falar
Seu beijo tão indiferente
Foi o que me fez pensar...

No tempo que eu estou perdendo
No amor que eu tenho para dar
Deve existir alguém querendo
O que você não quis ligar...

Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Voceeeeeeeeeeeê!
Não serve prá mim!...
Não serve prá mim!...

Pode ser que alguém
Lhe queira dar
Um grande amor
Quero que você seja feliz
Com outro alguém
Porque eeeeeeeeeeeeeu!
Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Voceeeeeeeeeeeeê!
Não serve prá mim!
Não serve prá mim!...”


Profiteroles em luto


Minha irmã siamesa perdeu uma grande amiga e prima de infância. Ela morreu jovem, aos 25 anos, e tinha lúpulos, o que debilitou o sistema imunológico dela e a faz morrer de uma parada cardíaca.

É muito difícil apoiar alguém que sofreu uma perda causada pela morte. E também não há receitas prontas do que se deve fazer. Profissionalmente, geralmente acolho com um abraço, seguro na mão e escuto tudo o que a pessoa tem a dizer: sobre os últimos instantes da morte, a saudade, a raiva por ter perdido...Uma das principais coisas que podemos fazer é escutar e deixar chorar, o que para alguns é algo muito difícil porque se deparar com a morte do outro é se deparar com a possibilidade de sua própria morte ou a de quem amamos. Por isso, alguns pedem o fim do choro e o sepultamento das lembranças que mencionem o morto, o que não é bom. Faz parte da elaboração do luto de cada pessoas falar sobre quem morre e quantas vezes forem necessárias. O assunto precisa ser esgotado dentro de quem sofre, portanto, não há um tempo determinado para esse tipo de conversa.

Quando o alvo do sofrimento não é diretamente a gente com os nossos medos da morte ou dos mortos ou quizá da dor da morte, também nos atinge. Fiquei triste pela minha amiga estar sofrendo, mas tinha que ser mais do que profissional. Tinha que ser amiga. E o que fiz? Passada a curtição da “ressaca” da morte junto à família, também necessária:

1. A fiz comer no café da manhã pelo menos um iorgute, brincando de aviãozinho;

2. Saímos de casa para resolver um problema no banco que não podia esperar;

3. De lá fomos ao shopping almoçar porque prometi fazer greve de fome junto com ela;

4. A fiz comprar o presente de Natal do namô, tudo com a intenção de desviar o foco pelo menos momentaneamente daquela dor;

5. Falei um monte de abobrinha, vimos um monte de besteira e ao final da tarde ela já estava distraída. A vida é longa e às vezes pesada, por isso temos que descarregar a carga para descansar e depois apanhá-la novamente para continuar. Se navegar é preciso, parar também;

6. Em meio ao sofrimento, a reafirmação de nossa aliança de cumplicidade. Minha irmãzinha deu-me um anel delicado, cheio de pedrinhas (como muitas pessoas esquecem que às vezes sou delicada) para ser usado do lado esquerdo do peito “dentro do coração”;

7. E o que o profiteroles tem haver com superação da dor? Foi a sobremesa que escolhemos na tentativa de ter uma boa surpresa nesse dia e que nem foi tão bom assim. Talvez ele seja um similar do verdadeiro profiteroles. Sempre falávamos em comer essa sobremesa porque na novela Cobra e Lagartos, quando o personagem Foguinho enricou só vivia pedindo e comendo isso porque era chic. O nosso se resumiu a duas bolas de creme com calda de chocolate, chantilly e uma casquinha não identificada feita de ovo, como biscoito seco, sei lá...Mas descarregar a frustração nele foi bom porque falamos “trocentas” vezes do quanto era ruim e de todos os pratos ruins que já comemos e não gostamos. O dia foi salvo naquele profiteroles.

8. Falamos inclusive sobre príncipe encantado e chegamos à conclusão de que não queríamos um princípe profiteroles: falsificado ou sem muito gosto. Nosso príncipe pode não ter cavalo branco, nem ser louro, forte e de olhos azuis, como nos contos, mas pelo menos o meu precisa ser sensível, inteligente, carinhoso e não-materialista. Com certeza nunca me agredira nem com palavras, nem com atos e nem com omissões. Se vier com algum bônus como “charman”, não gostar de viver de baladas ou similares, sem porra-louquices, que me faça rir, goste dos pequenos prazeres da vida e principalmente se sinta muito BEM do meu lado, como se eu fosse a melhor coisa da vida dele, o sol que brilha os seus dias e a lua nas noites escuras, quase como se fôssemos uma dádiva um para outro, será perfeito. Deixa rolar quem sabe o universo traz. Como diz uma colega, porque gastar nossa poupança com um fusca de segunda defeituoso se pode se ter o carro dos nossos sonhos se pouparmos mais um pouco? Meio gosto, gosto de mentira ou sem gosto, definitivamente não dá.

9. Perguntada sobre qualidade e defeitos que mais detestava em que amava, no caso específico da minha irmãzinha, respondei a excessiva carência e a apatia muito permanente que ela se deixa levar. É como se para ela não houvesse nem o revezamento dias bons e ruins. É quase sempre um continum. Eu e meu outro irmãozinho fazemos revezamento sim! Se não a gente se fode. Quanto à carência, ok! Também sou assim e daí talvez aquela explicação psicanalítica que detestamos muitas vezes no outro nada mais do que a projeção de nosso próprios defeitos...Tipo: cara-a-cara com a verdade. Afinal detesto ser carente porque esse sim é meu calcanhar de Aquiles.

Aproveitei o dia para jogar os búzios online e não é que a resposta deu direitinho...

Obeogunda responde odá

Amor

Não espere assumir compromissos, pois você mesma não está dando a devida atenção ao seu relacionamento; além disso, a indecisão toma conta de você. Este Odú é da liberdade, da ausência de vínculos, é o Odú vento, que nada consegue prender. Espere a calmaria que logo virá.

Saúde

Cuidado com problemas respiratórios, alergias, asma, bronquite, etc. Procure estar em lugares abertos e despoluídos, com boa passagem de ar. Dentro de escritórios, procure deixar as janelas abertas.

Negócios

Não seja precipitado ao tomar decisões importantes, pense bem se o caminho escolhido não vai contra a sua natureza. Tente não se influenciar

Testem vocês aí, a consulta com os orixás...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ops!Cadê o “the end”?


Sabe aquelas meninas que se encaixam no perfil da mocinha da novela? Sou eu. Boa filha, boa namorada, boa amiga, boa irmã, boa neta, boa aluna, blá-blá... e o pior ou melhor, que não sou eu quem digo para ficar cheia de “cancha” , mas quem convive diz isso. Ai! Que às vezes me dá uma raiva porque gente boazinha quase sempre é muito lesa e apanha pra caralho. Tudo bem, que sempre torço pelas boazinhas em filme e novela, mas sabe uma vila que eu adorava? Aquela da novela Celebridade com Claúdia Abreu e Malu Mader. Nossa essa última era tão boazinha que me irritava tipo: “bateu de um lado? Toma o outro lado da face. Ainda bem que numa das cenas ela deu uma surra navilã, nam. Bicha véia lesa. Aí, definitivamente não tem haver comigo porque se bater eu caio em cima. Mesmo que depois eu vá chorar, perguntando a mim mesma se não haveria outras formas de resolver a questão...Tá, eu não sou uma vilã perfeita. Sou meia vilã. E me esforço, viu?

Mas como para toda boazinha há a Terapía de “palo”, para usar um chiste em espanhol. Pois é! Talvez seja esse seja meu bônus. Por acreditar que nunca vá ultrapassar certos limites do “ser boazinha”, as pessoas acreditam em mim e no que falo/faço ou fazem quase de “gato e sapato” . Mas o bônus do acreditar é bom.

Hoje saí para estudar na biblioteca e ir contra a lei de Murphy, mas depois de uma hora de estudo (tempo ínfimo para quem já estudou um dia 24 horas quase sem intervalo), não consegui permanecer. Corri da biblioteca e fui procurar algum lugar mais próximo para beber. Pois é! E logo eu que não sou muito afeita à bebida usei desse recurso. Bastam três chops e estou pronta para o “bercinho”. Pronta para dormir. Queria relaxar, esquecer a maldita lei de Murphy do dia que passava.

Em busca então de um lugar que me proporciona-se isso, ou seja, discreto, sem ninguém para me dar cantada, rodei e consegui achar um que não tivesse cara de boteco e onde pudesse ficar de óculos escuros, no melhor estilo: “Não me incomode!” Da última vez que tentei beber sozinha nem a garçonete do bar acreditou quando chegou a mim no balcão. Para ela parecia tão absurdo que repetia a pergunta várias vezes do que queria, o que foi brochante para mim. Era como se ela reafirma-se pelo modo da pergunta, o que há séculos queremos quebrar: o tabu de qual é o lugar da mulher. Nesse dia de domingo, bebi apenas duas cervejas e fui para casa. Dessa vez bebi o dobro e saí mais levinha...Que bom!

Como menina boazinha, ainda tentei ir à agência do meu plano de saúde para pagar o boleto com menos multa; tornar o dia mais produtivo, mas a agência no meio da tarde já estava fechada. A lei de Murphy né minha filha? Como minha data de pagamento do boleto não bate com minha data de recebimento do salário, segundo a atende do plano “ela sente muito, mas infelizmente, não é possível fazer nada”.

O fato é que a agência depois das três da tarde estava fechada. Eu não consegui estudar. Vou pagar mais multa. Fui para casa e ainda fiz meu coquetel molotove: depois de umas cervejas, uns doces, chocolates...ás vezes dá certo. Às vezes não! Por isso não recomendo.

Enfim, esperando o “the end” (o final feliz) das meninas boazinhas pelo menos para esse dia de cão, lembrei de uma conversa com uma colega que é espírita num momento que mais uma vez na minha vida buscava explicações sobre os mistérios da minha vida e do universo. Ela me disse que o que a gente passa não é só pela gente, mas para fazer outras pessoas evoluírem. Se eu estou evoluindo ou não, ou se outros da minha companhia estão, o que duvido muito, eu não sei, mas enquanto a trégua não vem está trash. Cadê meu final feliz das menininhas boazinhas? Ow! Fiz tanto para isso e quase involuntariamente, por instinto. Fui tão boazinha. Por que é que não mereço? Nam! Que pelo menos a lei de Murphy passe esses dias para pelo menos estudar, né?

Ops! Uma trégua à noite: fui num encontro das mulheres da minha família. E não é que deu tudo certo. OOOOOOOOOh! Isso realmente é espantoso porque quando se junta minha avó Hitler, minha tia Ilca Tibiriçá e minha mãe Amy, olhe que é o apocalipse e pode sair de tudo nessa disputa feminina de vaidades e poder. Eu? Sei lá. Fico na coluna do meio: lá e cá. Ás vezes brigo. Às vezes me revolto e engulo. Ás vezes saiu correndo ou dou uma de doida. Enfim, depende do meu saco cheio ou não. Ouvimos chorinho e boleros antigos. Lembrei da minha infância, delas cantando na cozinha e pensando sei lá o que...talvez em seus amores. Eu pelos menos, enquanto cantava pensava nisso: em mim, na minha infância, nos lugares onde ouvi aquela música, como eu estava e até nos meus amores...A primeira coisa que minha prima perguntou foi onde eu aprendi a gostar de “música de véi”. Claro que para rebater chamei-a de sem cultura e mandei-a ouvir “Lapada na rachada” (um forró terrível dos terríveis). Como chamar chorinho de música de véi? A definição dessa música no Aurélio é choro em geral brejeiro e alegre. A minha definição: um sussurro de amor baixinho, ao pé-do-ouvido, lamentoso e ao mesmo tempo carinhoso.Ok! por hoje o final foi “the end”. Obrigada pela trégua Murphy.

Chorinho de Cândido Portinari


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A lei de Murphy funciona até dormindo


Desde ontem à noite que a lei de Murphy começou a me perseguir e não deu trégua hoje não...nem para eu dormir, pode? Sabe aquele dito popular: "é melhor sonhar acordado do que ter pesadelo dormindo? " Pois é? O pesadelo está sendo nos dois níveis de consciência: acordada e dormindo. Em síntese o pior ainda pode ser ainda pior! Listando:
  1. Fui cobrada por uma responsabilidade que não era minha, mas de um grupo de trabalho. E um trabalho que faço de modo voluntário heim? Mas que do meu ponto de vista não é menos importante. Tudo bem , já sei daquele blá-blá: num grupo quando há um líder ao sinal de menor ameaça ao trabalho ou insatisfação/rebelião, a liderança é vítima de boicote, torna-se bode expiatório etc. Fui colocar as coisas para funcionar ontem mesmo na marra e disse poucas e boas porque tudo tem um limite;
  2. Pesadelos. Nossa! Tive terrivéis pesadelos com as pessoas me tratando com indiferença, racionalidade e cobrança, como se fosse a revache por algo que tinha feito. Tipo: "toma aí neném seu próprio remédio"?; Claro que resquício também da reunião agradável de ontem. Manía minha de levar tudo "a ferro e a fogo", como se tudo fosse uma cruz e que eu tenho que "pagar pelos meus pecados", nam!
  3. Acordei morrendo de preguiça, sem vontade de sair da cama, querendo que abra um buraco no chão para eu me esconder, além de sentir que estou super carente hoje: querendo colo e dengo.Ow! Vida cruel. Acho que nem sei mais o que isso ausência de carência. Ai, ai.
Mas vamos lá! Tocar o dia é necessário...
Todo dia a insônia
Me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido, fazendo fita

Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora vam'bora
Estamos, meu bem, por um triz
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo acordar
E a gente dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir

Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga
Uma hora aqui, outra ali
No vai-e-vem dos teus quadris

Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir

Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir