quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A desfiguração de Narciso – 3º. ato (a tentativa de resposta a revanche)

Como sempre, qualquer semelhança com a vida real pode ser mera coicindência...

Inquieto. Desconfortável consigo. Aquela era a máscara que ele não aceitaria: a de um homem canalha, usurpador e oportunista. “Como ela pôde ficar com a última palavra? Como ela não quis ouvir minhas justificativas plausíveis. Sim, porque tudo o que eu passo é muito difícil e doloroso para que eu possa administrar...” E como um verdadeiro Narciso, preocupado em manter sua imagem intacta, ele não iria permitir ficar sem explicações porque não poderia ser julgado como culpado antes da defesa, ora! Seria o mínimo. Ligou algumas vezes querendo falar sobre suas “mentiras sinceras”, pedindo com falsa humildade perdão pelo o que nem tinha feito...esperneando porque não teve o direito de enrolar (o que para ele era explicar) mais uma vez. E enquanto ele preocupava-se em manter a imagem de herói ilibado, insistindo na comunicação e nas mensagens por celular, Narciso, esqueceu que havia alguém realmente ferido, magoado e sentido-se usado. A questão é: um Narciso sempre será incapaz de perceber a dor do outro. A dor que não seja a desfiguração de sua farsa: a de uma imagem perfeita de si a qual não existe. Vive de jogos, mentiras e arapucas que mantenham sua estética. Nem que seja a base de “cirurgias plásticas” grotescas, as quais o tornem ainda mais inumano. Ele é um ser de vazio, de faltas e ausências, um incapaz de perceber e respeitar a alteridade do outro, portanto, confinado a viver isolado dentro de si e de suas verdades internas perfeitas. Além claro, de querer roubar a vitalidade e tornar descrente quem com o outro se importa, seu grande aleijo. Então, que esse mundinho seja só dele e que assim se conforme com o confinamento dos mortais. Sem tentar acabar com a vida e a alteridade de mais ninguém. Sem tentar encenar possíveis 3º. atos porque afinal trata-se do fim da peça em dois atos para o elenco que faz parte da encenação forçada e que saíram um tanto fragmentados.

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