sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aqueles sonhos mais lindos: sonhei


Quem me conhece sabe que vivo correndo atrás da vida e ela de mim. Faço mil e uma coisas ao mesmo tempo e estou sempre metida em grandes planos. Claro que quase todos relacionados à carreira profissional. Invisto muito nela. Inclusive meu médico me indicou um tacógrafo para registrar meus limites de velocidade. Correr é bom, mas parar ás vezes torna-se indispensável. Gostaria de ter conciliado independência e respeito profissional com o relacional amoroso...Mas cada vez mais parece difícil.

Lá no fundo do meu eu tinha, para quem não sabe vou registrar aqui para posteridade, (e em alguma medida tenho) aqueles sonhos ditos de mulherzinhas sabe? Casamento com marido fofo, cerimônia, vestido, lua-de-mel, a casa com portãozinho branco e a família de propaganda de margarina. Enfim tudo que qualquer donzela tem direito. O tempo foi se passando e parece que meu príncipe foi ficando cada vez mais longe...Eu nem de longe penso em casar por casar, somente para não ficar sozinha. Também não acredito em príncipes encantados, ou talvez não acredite mais. Se bem que os da minha imaginação não era tipo almofadinha, mas mais descolado, talvez exotérico (detesto gente muito materialista), intelectual...Sei lá! Porra-louca não dá! É que estou mais para marola do que para ressaca tanto de mar quanto de bebida e coisas do gênero...

Para o cotidiano o que vale é o cara que segura a onda, que te dar colo e que fica feliz com pequenas coisas do dia-a-dia, como ficar juntinho, ver filme com pipoca, ficar brincando de fazer cosquinha na cama, que não se importe com minhas brincadeiras infantis e com minhas calcinhas tipo shortinho (macias e confortáveis. Ai, que prazer!)...Essse são os registros mais recentes da minha infatilidade...

Meu amante o chocolate

E petit-gateau então? Ai, ai. Deveria ser proibido para menores

Coisinhas um tanto tolas para alguns que para mim é o auge. Olha! Que por incrível que pareça não me casei por falta de pedidos. Tenho uma caixa com tantos “anéis de compromisso” que estou pensando em mandar para o mar feito oferenda. Sou conhecida entre os poucos namorados como “enrolona”, mas na verdade acho que é falta de fé no futuro a dois. Sonha que se sonha junto é realidade, quando sozinha é ilusão. E ainda não encontrei isso...

Confesso que durante muito tempo pensei em todos os detalhes do meu casamento em cinco atos:

1º. Ato - o pedido: no estilo mais romântico (Lembro de um muito especial: ajoelhado em frente à capelinha de Santo Antônio no Parque do Povo, perguntando se queria casar com ele. O problema? O pedido veio tarde demais ou na hora certa porque nesse ínterim as traições mancharam o romantismo da nossa relação e dos sonhos coloridos também). Hoje ainda não estou aberta a convite de morar junto. Ainda resta uma esperança em mim, oh!... Bem se a justiça se fez com a cassação do nosso ex-governador Cássio Cunha Lima por desvio de verba para compra de votos, por que é que eu não posso sonhar ainda um tiquinho em ter um casamento quase à moda antiga?

2º. Ato - o casamento: A princípio queria um vestido vermelho, para chocar mesmo a minha família por demais vitoriana. Hoje casaria de branco mesmo, estilo mais despojada que é como me identifico e com muitas flores. Talvez numa capelinha, na praia, sei lá...um lugar bem lindinho e aconchegante. Ah! O bolo! Teria que ter aqueles bonequinhos que agora são estilizados com características da personalidade dos noivos. Uma banda de pop-roque para recepção ou algo assim bem diferente, como um casamento ecumênico.

3º. Ato – a lua-de-mel: Ummmmmmmmmm! Tinha que ser ou num lugar friozinho ou numa praia bem animada, tipo França ou Caribe, sei lá...De novo! E muitas fotos registrando o nosso amor eterno...Ai, ai..

4º. Ato - filhos: já quis. Dois para ser exata e homens porque não queria dividir atenção com outras mulheres, elas são por demais competitivas. Hoje acho crianças muito fofas, mas não as quero mais. Sei lá! Em quem vão se transformar? E os custos de vida? E se virar uma divorciada sem pensão alimentícia do guri? E se enlouquecer com meus conflitos e meu ritmo frenético? E se a humanidade enlouquecer? Ai meu Deus é muita coisa para administrar, nam! Então, filhos estão cortados do plano de casamento e família de margarina. Família somente à dois e talvez um cachorro comportado, o que é mais difícil. Gostei da minha última experiência com meu poodle Dezinho. Talvez queira um labrador, mesmo sozinha. Quem sabe?

5º. Ato - a casa: Nada de muito sofisticada, simples, cheia de coisas coloridas e artesanais. Uma casa em constante reconstrução das coisas, dos moveis, com flores na janela, uma rede na varanda, um banheiro enorme (seria demais pedir uma banheira de ágata? ai, ai), uma cadeira de balanço (queria ser posta para dormir no colo do meu marido) e por fim, eu acho, uma clara bóia para ver as estrelas do quarto. Não quero nadinha hem? E comprar os móveis? Nossa iria pensar em cada detalhe. E olha que não sou muito disso hem? O sofá, a nossa cama, nosso quarto... Não queria ficar fora de nada e nem queria que meu futuro marido ficasse, mesmo com aquelas reclamações clássicas de “para que isso ou aquilo”. Queria vê-lo feliz porque estaria também feliz. Sabe aqueles maridos que mimam? Pois é, gosto desse tipo junto com inteligência, a capacidade de me fazer rir e a simplicidade. Sonhava até com os nossos planos em mochilar pelo resto da América Latina, mas sem desperdiçar, claro, algumas oportunidade de fazer alguns programas mais confortáveis e sofisticados. Um pouco de tudo...

Hoje não tem mais pedido romântico, vestido vermelho, bolo com noivos, casa construída a dois...só resta o desfile do egoísmo humano no que EU QUERO AGORA. Novos tempos exigem novos planos. E quais serão meus planos daqui para frente? Sei lá. De novo!

1. Talvez achar pelo menos alguém que me ame e por me amar me faça mimos, me ponha para dormir, me dê colo quando estiver triste, não se importância com meus ataques de infantilismo com lugares e doces, que me faça sempre rir de montão e me diga coisas bonitas e inteligentes. (Xô! Síndrome do príncipe encantado porque isso nem de longe existe mais. Nem o pó). Mas pelo menos a minha esperança é a última que morrerá. Não sei até quando. Igual a letra de música antiga...“Aqueles sonhos mais lindos: sonhei...”;

2. Mochilar sozinha ou com meu irmão;

3.Ter meu labrador. Acho que ai vou ter que mudar de casa porque minha mãe detesta sujeira. Então, ter dinheiro para ter a minha casa para ter o meu cachorro. Essa ordem parece melhor.

Os sonhos eram teen, os tempos se passaram, mas é preciso por um lápide em alguns pontos desse plano, o que não quer dizer em alguns desejos. Tem coisas aí que posso fazer sozinha, por quê não? Mesmo que não me encaixe muito bem naquele perfil “solteiro no Rio de Janeiro”...Ou é? Mas faz parte de nosso show: aceitar nem mais nem menos apenas companheirismo, respeito mútuo, risadas, carinho e sonho à dois.



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