terça-feira, 18 de novembro de 2008

A revanche – 2º e último ato




Ela chega na sua casa imaginando que aquele seria mais um dia de rotina. E como toda rotina, ante os últimos acontecimentos de sua vida, usava o lema dos pacientes em estado de risco e drogaditos: “Só por hoje mais um dia...” Um dia bem, um dia feliz, um dia em paz consigo.

O celular toca e distraidamente ela atende enquanto arrumava seu material de trabalho e fazia outras coisas do tipo.

- Oi! Liguei para dizer um oi.

Ela não podia acreditar. Como assim? Oi? Depois do que ela descobriu suas mentiras ele ligava como se nada tivesse acontecido? Entre perplexa e atordoada com tamanha canalhice, ela começa a engrenar um papo como se nada tivesse acontecido para tentar se orientar e saber o que fazer. Fala sobre o trabalho dele, as urgências...e ele lá como se de fato nada tivesse acontecido. “Será que ele ainda não havia descoberto que ela já sabia que ainda mantinha seu antigo caso amoroso?” Bem, o fato é que uma simples reprimenda ao telefone o faria apenas retirar-se e sumir estrategicamente. Mas isso não seria suficiente para ela e todas as coisas engasgadas que estava querendo dizer depois daquele último episódio. Sim, porque este seria de fato o último episódio. Ele de uma vez por todas não seria apenas deletado, seria extirpado da vida dela como a um câncer. Ela iria até o fim com seus planos. Afinal ele dissera da última vez que a amava, que queria se casar com ela ainda aquele ano.

- Ah! Já que você está com seus problemas profissionais resolvidos, andei olhando nas joalheirinha nossas alianças de noivado e estou pensando em confirmar sua presença no jantar de fim-de-ano para anunciar nosso enlace. Assim, teremos tempo para acertar o contrato de separação total de bens e alguns outros detalhes que pensemos.

- Como assim? – ele

- Ora, você me pediu em casamento e disse que queria resolver sua vida sentimental até o fim desse ano, não foi?

- Sim, mas... – ele.

- Que foi? È uma retirada de pedido de casamento? Você mentiu para mim, é isso?

- Não, estou apenas surpreso. Você parecia nunca me levar muito à sério.

- Mas você me deu um ultimato não foi? Disse que me amava...

- Te amo e sempre te amei...

- Então. Disse que me amava, que não queria mais ser enrolado e disse: “Você não quer se casar comigo?”. Não foi isso?

- Foi.

- Mas você parece chocado.

- Não. Estou surpreso.

- Então pelo jeito não foi uma surpresa boa.

- Não, foi sim.

- Sei não heim?

- Olha eu só acho que a gente devia conversar sobre isso pessoalmente eu ainda estou resolvendo-me no trabalho e tal...

- Tá. Eu não disse que a gente vai casar amanhã. Disse apenas que iríamos oficializar nossas intenções.

- Então, vamos conversar sobre isso tá? Pessoalmente. E uma coisa é vê-la como perfil de minha mulher porque eu quero diminuir a possibilidade de erros dessa união.

- Como assim? Você acha que não sou boa para ser sua mulher?

- Não, não é isso. Conversaremos amanhã pessoalmente está bem?

- Ok! Não sei se ao nos encontrarmos visto meu vestido de festa ou meu vestido de luto pela retirada do pedido.

- Não. Não. Não é uma retirada. Venha normal.

- Ok!

E agora? O que ela faria? Iria pegá-lo com a “boca na botija”. Era isso que faria. Tirou das caixas dos esquecimentos – aquela que temos com cacarecos que não temos coragem ainda de nos desfazermos ou então não estamos preparando o suficiente para fazê-lo – as ditas alianças que seria uma surpresa.

Pela noite pós seu vestido negro mais lindo e sensual com um toque de casualidade claro, como ela. Linda e perfumada ele a pegou em sua casa para irem à casa dele. Lá, ela deixou que ele se enrolasse repetido tudo que já havia feito acreditar sobre o amor, as intenções e pequena ênfase dramática sobre as incertezas do que sentia ante a última frustração do relacionamento deles...Serena ela escuta toda a farsa. E ainda o ajuda a retocar o trabalho do qual ele ainda se sentia inseguro, ao final ela diz:

- Então, quando resolvermos essas pequenas questões chamo sua outra mulher para ser nossa dama de honra?

- Como?

Aí ela conta sobre o telefonema, a deslealdade em fazê-la acreditar que tudo do passado havia acabado e que só restava o presente em construção. Não era uma questão de fidelidade, mas como pôde mentir e enganar daquele jeito? Quer dizer que ela servia para segurar os problemas dele, mas não para ser a amada. Ela fora usada profissionalmente, seu nome corria na boca do povo, sua reputação profissional fora manchada porque ela queria provar que era boa suficiente para ela em qualquer circunstância, que seria até mesmo sua cúmplice. Depois de tudo dito, ela não aceita ouvir mais nada vindo da boca. Chega de mentiras e enrolações! Ela sai do local sozinha. Aliviada, em suas últimas palavras repetiu o que disse a si todos os dias:

- Hoje, não se trata de mais uma briga. Essa foi à gota d’água e a prova de que se você faz isso comigo hoje, nada melhor posso esperar de você mais tarde. Esqueça-me! Esqueça meu nome, nossa história e tudo que remeter a mim ou a nós, porque não apenas o deletarei da minha vida como o extirparei como quem faz a um câncer. Você não vale uma fisgada dessa dor. Você já fez sua escolha e espero que esteja satisfeito com ela. Afinal vocês se merecem, pelo menos por estarem os dois dispostos a tudo para terem, custe o que custar, o que querem. Sejam felizes. – E ela se vai, andando pela noite e sentindo a brisa suave bater em seu rosto.

E SE PUDESSE DIZER ALGO A ESSA AMIGA QUE PASSOU POR ISSO ACHO QUE ESSAS PALAVRAS SERIAM SUFICIENTES...
RecadosAnimados.com


~*~ Lindos recados animados
- Recados Gigantes ~*~

Um comentário:

  1. Amiga, eu nem sei o que falar...
    Fiquei com os olhos mareados de lágrimas...
    Um misto de lembranças ruins, boas, mais ou menos, e a certeza que o meu caso teve um fim bem melhor do que este que vc retratou, mais não menos doloroso...
    Muito obrigada por ter lembrado de mim!!!
    Te adOro visse muié!!!
    Um grande beijO e um abraço afetuoso!!
    Criiss

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