segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Um olhar antropológico sobre onde Obama e Veneziano se encontram


Um dos EUA, outro de Campina Grande na Paraíba. Um presidente, outro prefeito. Nem de longe quero dizer que Veneziano seja um Obama da vida, ou vice-versa. O fato é que: quem teve oportunidade de ver a caminhada a cidade de Lagoa Seca à Virgem dos Pobres encabeçada pelo referido candidato paraibano percebeu o quanto de sagrado e de profano tinha esse momento. A maioria nem parecia que estava ali por fé (sagrado), mas para mais um comício/comemoração/carnaval da vitória do prefeito (profano). As super roupas-decotadas femininas (Ow! Se minha catequista visse aquilo! As Chamaria de hereges), as latinhas de cerveja de mão-em-mão, as fantasias vermelhas, as músicas de campainha misturada com músicsa religiosas...O lado profano da festa.

Não se trata de ser certo ou errado. Contra ou a favor da vitória porque também não sou “dos Cunha Lima”. Mas trata-se de tentar lançar um olhar antropológico para perceber que a fé mistura-se com a política e vice-versa: vida material e simbólica se imiscui num jogo onde não se percebe onde começa um e termina o outro. Não é a toa que BARREIRA (2006) afirma que “um líder escolhido pelo povo deve ser ao mesmo tempo igual e diferente do povo, por ter algo especial. O escolhido não pode ser um igual porque assim sendo não seria o capaz de mudar, de fazer com que todos se sintam vitoriosos pela simples vitória de quem os representante". O clima da campainha parecia uma batalha entre duas tribos rivais primitivas disputando território: os vermelhos e os amarelos.

Uma outra questão interessante é que ambos os lados se sentiam irmanados por uma mesma causa, ou por um mesmo objetivo: a vitória de seu grupo, de seu lado, de sua causa. Não havia outras distinções (pobre/rico, negro/branco, feio/bonito), a não ser a da cor de suas bandeiras. Diferença essa que causou uma verdadeira histeria coletiva, na qual todos se sentiam no direito de “matar ou morrer” pela causa. Não é à toa que foram registrados episódios de agressão física e verbal de ambos os lados.

E o que isso tem haver com Obama? Os candidatos citados usaram de símbolos e o de que RUBIM (s/d) denomina de espetacularização para catapultar as referidas campanhas, por meio de Deus ou da figura de Marte Luther King (observe a pequena mostra abaixo)... Claro, que isso existe desde que “o mundo é mundo”, mas me parece que à medida que a tecnologia cresce essas ferramentas de divulgação do espetáculo se tornam mais fortes, mais pertinentes e até decisivas em algumas eleições. Nos EUA o vestido da filha de Obama foi para leilão. E se não bastasse o futuro cachorro vira-latadas filhas de Obama na Casa Branca é alvo de cobertura da imprensa. O discurso ideológico que está disseminado e veiculado pela imprensa sem que as pessoas que as pessoas se dêem conta é que: diante da crise econômica dos EUA, não há brancos, negros, ricos e pobres, apenas cidadão americanos. Então, me pergunto: “até quando essa união vai fazer a força para salvar a economia dos EUA e o efeito dessa da economia intrnaiconal?Até quando vai durar essa paz mundial?"

Enfim, onde quero chegar com essas comparações? O que é realidade? O que é fantasia? E mais: até onde vai a consciência democrática ou o “transe hipnótico da crença quase cega”? Paixão é um misto de insanidade e glória, o qual não podemos descartar que nem mesmo a política escapa. Mas liberdade de expressão é isso, né? Dizer o que pensa e escrever também.

RUBIM, Antonio Albino Canelas. Espetáculo, Política e Mídia. Disponível em <http://www.bocc.buit.pt> (Acessado em s/d)

BARREIRA, Irlys Alencar Firmo. Ritual e Símbolo na Política. Cadernos CERU, série 2, nº 7, 1996. p 09 – 35.

Observe que a foto do prefeito Veneziano está junto da Virgem dos pobres como graça alcançada, ou talvez, tão idolatrado quanto ela.

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