quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cara, às vezes lembro que a globo me dá náuseas



A cena de ontem da novela a "A favorita" entre Céu e Orlandinho foi definitivamente muito manipuladora. Aquela fala da Céu de que já se nasce mocinha de novela: rica, bonita, boa e cheia de princípes encantados, deve ter sido devastadora para metade das mulheres brasileiras. Por quê? Mocinha tem que ser sempre loura? Um tanto retardada? E sempre muito boazinha? Somos ying e yang (bem e mal) e não existem essas mocinhas de novela que só fazem o bem, mesmo quando está tomando naquele lugar...

Para piorar a cena o Orlandinho tem uma "recaída", a qual pode ser interpretada de duas formas: a) amamos pessoas e não o sexo que possuem, portanto, poderíamos nos permitir amar pessoas independente do sexo. Depende da cabeça de cada um; b) Um gay pode deixar de ser gay, como se fosse uma doença, um reparo, a falta da mulher certa. Aquela merda toda de ex-gay. A meu Deus que o povo não tem mais o que inventar como rótulos. Temos que ser sempre algo imutável, rotulado e que a maioria aceite, bem como concorde.

Enfim, bem que a globo poderia se atualizar. As pessoas poderiam se atualizar e parar com esteriótipos que nos amarra em camisas-de-força imaginárias/reais as quais nos impedem de realmente amar, viver e ser feliz.

Daí vejo outra deixa sobre a realidade de Campina Grande. Uma cidade pequena onde se deparar com gays se torna inevitável e mesmo assim a maioria prefere viver nas festas em guethos. Na hora de colocar a cara na rua, se escondem ou apenas festejam o segundo daquela parada. Nada contra paradas. Deveria ser uma mais um intrumento de mobilização criativa, mas infelizmente é notório que cada vez mais as paradas tornam-se eventos de mercado, de publicidade, de turismo e perde na enfatização do direito a ter direitos.

A primeira parada gay de Campina Grande, em 2007, do meu ponto de vista vai ficar na história dessa cidade. A imensa rua João Pessoa lotada de curisosos, heterossexuais, simpatizantes, homossexuais e os contra-homofóbicos foi uma cena emocionante. E acredito que a movimentação com gente de outros Estados naquele momento, foi alavancada pela polêmica do moovimento evangélico da VINACC. Os homossexuais da cidade se virão obrigados a dar uma resposta, a por a cara na rua, os movimentos sociais da cidade e do Brasil presionavam-se ante a repercursão dos atos de discriminação estampados em outdoors.

Esse ano, no entanto, não deu o mesmo público. O evento foi mais organizado, porém menos mobilizador. Talvez porque não havia nenhuma polêmica a ser discutida, como no Caso das semanas do assassinato de Isabela Nardone e do sequestro de Nayara. Talvez porque ainda se tenha muito chão para de fato ser consolidado no movimento gay em Campina em termos de credibilidade e auto-suficiência. Entretanto, acredito que principalmente falte parar para pensar e agir em prol da consolidação de algo bem a longo prazo e de muito trabalho contínuo, acima de egos, interesses individuais e obstáculos.

De forma nenhuma também concordo com a afirmação tola de que a parada gay daqui sempre foi e será "um arrastão" . O termo é no mínimo pejorativo e também bastante discriminatório. Seria tolice imaginar que a parada daqui seria nos mesmos moldes de paradas como a de São Paulo, tanto nas suas qualidades quanto nos defeitos. Cada lugar é um lugar, cada realidade é uma realidade diferentemente representada pelos movimentos. Não cometamos as mesmas tolices: pensando em quadrados, molduras...Por essa e por outras que decidi me afastar da colaboração nesse tipo de evento porque fazemos como os três macaquinhos, a retirada deve ser estraégica antes que a bomba social exploda.

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