sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Entre linhas






È incrível como profissões tais como a minha reservam além do tom de “oráculo”, a capacidade de ler entre linhas...Quando a gente menos espera está lá: lendo nas entre linhas do que está sendo dito...Foi o que aconteceu hoje. Uma colega de trabalho me convenceu a fazer uma atividade a qual não era da minha ossada. Quase sempre não me incomodo em ajudar, mas algo que vem se tornado cada vez mais constante são esses tipos de expedientes. Não se entende o que minha profissão pretende ou objetiva e daí tornamo-nos, os profissionais, em um “faz tudo”. Seria por falta de imposição aos outros do meu real papel em equipe? Acredito que não. Já coloquei tal fato em reunião, assim como também me recusei a fazer algumas coisas as quais não eram da minha competência. O que acontece? Reações desse tipo geram apenas a impressão de insubordinação ou então de preguiça. Desviada de minhas funções, a única coisa que pude fazer hoje diante da tentativa de convencimento foi assentir, mesmo tendo clareza da conveniência que cada um atribuiu as suas necessidades, além de usar indiretamente à pecha de que apesar de colaborar não estou ou não estive na frente dos palcos: quem faz o show, os roteiristas ou cenógrafos? Quem sabe os atores? E quem está por traz das coxias, como é que fica? Quando algo sai bem todos querem ser o “pai da criança”, quando contrário ou o “sapato aperta” chama a “Severino”. Enfim, previ que isso aconteceria a pelo menos um mês. O trabalho em grupo tornar-se-ia de pequenos subgrupos ou duplas vaidosas. Não à toa fiz o texto logo abaixo, o qual segundo me foi relatado, foi interpretado pelo grupão como sendo a justificação de certas ausências por estar subordinada hierarquicamente, quando na verdade era isso mais o fato de tentar mostra: Ei! Eu também estou aqui, trabalhando. E não estou querendo projeção, apenas consideração! “Na briga entre o rochedo e o mar, o caranguejo precisa encontrar uma fresta para se esconder”.



Cada campo social, utilizando de categorias Boudienianas, valoriza um capital diferente, geralmente o econômico e o cultural, entretanto, cada vez mais me convenço que em certos sub-campos, como as pequenas cidades, além desses capitais prevalece o capital experiência, o qual ninguém pode contestar, mesmo sendo essa algumas vezes cega, egoísta e centralizadora. Enfim, lá vou eu chupar mais essa maga, seja como meus títulos de graduação, pós-graduação e de línguas estrangeiras ou não. De nada adiantam, mas o que muitos não sabem é que minha escrita muitas vezes guarda nas entre linhas um tom de ironia e pontos para reflexão... Lá foi.

TROCAS

Mais uma etapa se conclui e o gostoso disso é que o sentimento que fica dos nossos encontros é o de satisfação, até saudade, e não de: “Há que bom que acabou porque não agüentava mais...” Pelos menos é esse sentimento bom que tenho nesse momento e acho que muitos dos colegas e companheiras de equipe também.
Rimos, debatemos, aprendemos, compartilhamos angústias e principalmente nos aproximamos. Nossa como foi bom ver o capricho dos trabalhos de grupo, assim como a criatividade. Como foi bom perceber a cada encontro a atitude de amplo acolhimento aos colegas e as idéias. Como foi bom rir. E sem falar, de como foi admirável a criticidade e a vontade de querer mudar de alguns, assim como o quanto foi divertido ouvir sem muito “rapa-pé” a teoria dos livros sendo posta em prática por colegas. (...). Todos foram fundamentais. Todos os que foram referenciados, assim o foram não por serem melhores, mas por representar um pouco das coisas que sentimos e compartilhamos no grupo.
Não poderia deixar de esquecer a felicidade, a lição de vida e de profissão que as minhas demais companheiras de trabalho assim me proporcionaram. Nossa era tanta coisa que me sentia como uma criança! Assim, fascinada com quanta coisa para apreender e compartilhar. Pois é, minha sensação é que minha bagagem saiu muito mais cheia de vontade e leve das angústias de não poder estar em todas as escolas, em resolver todos os problemas.
Enfim, muito obrigada a todas e todos vocês que me proporcionaram esses momentos. E ao final vão as minhas desculpas por não ter conseguido contribuir mais, doar mais, ser mais presente e menos ausente em alguns encontros. Por isso afirmo: “Acho que ganhei mais do que todos vocês juntos porque recebi mais do que doei”. Saio satisfeita com tudo e todos, além de ansiar em começar tudo de novo em 2009, se não do mesmo jeito, ainda melhor e com minha doação, dessa vez, em retribuição, em dobro.
Um abraço carinhoso a todos.



[abre parênteses]

me sinto vulnerável emocionalmente hoje...dia de cuidado e isolamento de situações que me exponham.

[fecha parênteses]

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...