segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Namoro ou amizade?



Mais um conto-crônica e que, portanto, qualquer semelhança com a via real pode ser, como sempre, mera coincidência...

Namoro ou amizade?

A cabeça dela rodava. Depois de pelo menos dois meses de divórcio, ainda não sabia o que fazer. Na tão pavorosa meia idade feminina o mundo lhe parecia muito diferente. Não sabia por onde começar. Magoada, atordoada, lembrando e sonhando com romance que não havia mais, com o companheirismo que não existia a muito tempo.

O telefone de repente toca e diferente das outras vezes, ou pelo menos parecia, o ex-marido propõe um trégua não para reconciliação - como sempre fizera ao longo dos anos em que estiverão juntos - mas para propor amizade. Poxa! Como foi bom para ela ouvir aquilo. Tudo que não queria era ter que enxergar um inimigo aonde justamente já morou o amor.

Ele sugeriu um encontro amistoso. Ela ainda temia porque todos os registros de relação com ele tinham sido de uma relação como amantes e não de amigos. Como agir? Do que falar? O que sentir? Como reagir? Ela ainda não estava pronta, mas decidiu encarar e enfrentar seus próprios fantasmas. Resolver quaisquer pendências de uma antiga relação.

O encontro foi tenso, sem saber como beijar, abraçar, o que conversar...Além de algumas faíscas ocorridas no meio do caminho durante as mais variadas conversas. Quem falava seria a ex-amante, a amante, a colega, ou uma possível amiga?Ela não sabia se acreditava naquele outro tipo de esforço para uma nova relação. Se estava sendo excessivamente paranóica. Ou então, se era estratégico, quem sabe conveniente. Se casso fosse assim então, para quem ou para qual das partes?


Enfim, o dia terminou com cobranças, acusações já por telefone quando já haviam se despedido. Por quê? Até mesmo nessa outra condição seria difícil uma relação? Serião sinceras as intenções de ambos? O que buscavam? Ela não tinha mais certeza o que buscava. Antes acreditava que era apenas alívio para dor e para culpa de ter se frustrado aquela relação de tanto tempo e tanto investimento emocional, com certeza por pura e simples falta de compatibilidade. Afinal descobrira da forma mais difícil que não basta amar o objeto escolhido para seu amor. Para o dia-a-dia é preciso um monte de paciência, afinidades, ceder, compreender e sempre buscar respeitar o espaço do outro, a necessidade do outro, a individualidade que não deve ser sufocada elo "nós" de uma relação. De agora em diante o que seria? Namoro ou amizade? Ela não sabia, só tinha certeza que queria ficar bem, sem muletas, sem morfina e sem ter que provar a ninguém o que era, quem era ou deixava de ser...Queria apenas planar harmonicamente no ar. E, portanto, nada nem ninguém iria quebrar essa aposta em si mesma.

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