quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O caso do espelho



Como sempre, qualquer coincidência poderá ser mero acaso...

Passeava tranqüila pelas lojas, vendo as novidades, mas interiormente entediada com a mesmice de sua vida. Casa, trabalho, alguns poucos amigos...Até que decidiu se dar um presente porque algo havia chamado sua atenção: uma lingerie. Diferente de todas que tinha usado. Diferente de todos os motivos anteriores pelos quais as havia comprado.


Dessa vez não era para ninguém em especial, mas para ela. Naquela momento as lembranças de seus ex-amantes narcisistas não mais a pertubavam. Estaria resolvido inernamente que o centro do mundo não eram eles, nem muito menos a incomodava o fato de querê-la, seja pelo desafio de corrompê-la, de quebrar suas regras e seus limites, seja pelo prazer de sentí-la como o esteio que dá limites onde parece o caos. Ou ambas as situações: corromper e assegurar-se.




A lingerie roxa tinha a cor da ressurreição. O modo como, de certa forma, também se sentia: ressurgindo. Ela brindaria hoje consigo e para si. Em seu apartamento ela se felicitava e se amava, como deveria ter sido sempre. Diante do espelho com aquela lingerie roxa e transparente se apreciou e brindou:



- TIM-TIM! A você! Como nunca deveria ter esquecido ou deixado de acreditar: em você.



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