segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

“Vô” ou “não vô”?


Adoro essa foto

É do programa Pânico na TV que retirei o lema que vem embalando minha vida nesses últimos dias: “Vô ou não Vô fazer a prova para doutoramento? Ainda sequelada do mestrado, sonhando em estudar fora dessa cidade e sempre em constante mudança emocional interna e relacionalmente, fazer essa prova tinha perdido suas poucas vantagens.

E ao acordar hoje pela manhã me vi fazendo meus dois vestibulares com minhas enormes barras de chocolate – é preciso garantir o suporte de glicose – minha tristeza misturada a ansiedade depois da defesa da minha monografia de curso, minha cabeça que somente ouvia ecos depois da prova escrita do mestrado, assim como minha crise histérica véspera da entrevista ainda para o mesmo mestrado. Sem contar o “branco” que meu no concurso para vaga de professor substituto no meu ex-departamento. De fato não estava preparada para enfrentar ex-professores me avaliando, principalmente quando estes são aos que fiz oposição política ferrenha... Acrescente a essa “receita” uma defesa de dissertação estafante, assumir duas turmas como professora em escola técnica (o que parece dar aula a sala de ensino médio! Uma experiência muito difícil) e se obtém como resultado final a sensação de incapacidade. Mas como? Logo eu? Sempre tão confiante no meu “taco intelectual” estava me sentindo tetraplégica. Incapaz de escrever, de concretizar meu sonho de trabalhar como professora universitária... Mais uma seleção. Fora os concursos da vida, heim?

Enfim o pavor me dominava pela manhã. Mesmo sabendo que as circunstâncias eram outras, que quem preparava meu café e me dava apoio não era mais o(s) mesmo(s). E ainda bem que pude contar com o apoio dos amigos. Como me disse outra amiga, “uma verdadeira operação de guerra” tinha sido armada para reconquistar minha autoconfiança. E aí agradeço minha irmãzinha siamesa que foi me levar até a porta da sala, fez um “kit glicose” como se fosse minha primeira seleção. Bem, sei que antes de entrar na sala fiz um exercício de respiração bipolarizada para me acalmar e no meio retornei do “nada” ao escutar alguns algozes e rever antigos companheiros. AGORA ERA A HORA DO CONFROTO. Confronto com a fantasia, com o medo, com a possibilidade de constatação de incapacidade...E finalmente quando a caneta bateu no papel percebi que minha mão tremia compulsivamente. Aos poucos fui tentando me acalmar e perceber que mesmo com a mente cansada, mesmo sabendo da minha instabilidade interna e relacional, eu era capaz ainda de escrever. Parecia que eu estava andando pela primeira vez, ainda de muletas, mas que para mim já era a glória. Voltar a andar/escrever! Depois disso não me importava se vai ser nessa ou em outra seleção, se vai ser nessa ou em outra faculdade, se vai ser nesse ou no próximo ano, o que importa é que sou capaz e que ninguém pode tirar ou ofuscar isso de mim.

MORAL DA HISTÓRIA: hoje renasci. Libertei-me do medo. Recuperei minha autoconfiança destroçada dos impactos da guerra e a esperança em concretizar e enfrentar quantas seleções forem necessárias para minha formação acadêmica. Relembrando uma frase do filme Batman (que também é cultura, RS) “Para que cair? Para aprender a se levantar e andar”. Valeu bicicleta e patins! Sem dúvidas as dores físicas me tornaram mais autoconfiantes para superar as dores emocionais. Elas doem e também passam porque Deus e eu somos mais...Enfim, “aceitar minha vida com seus obstáculos é ser madura”.

O fim do clímax dessa história de hoje foi no shopping pondo a depilação em dias porque Iemanjá me aguarde. Ow! Como é difícil ser mulher e intelectual: secador ou livros? Fazer as unhas ou escrever? Badalar ou descansar para estudar? A dor emocional me fez transcender a dor física da depilação para deixar de ser como minha irmãzinha diz “ogra”, culminando o dia “curiando” as lojas e lanchando pelo shopping mesmo. Bem Patty, bem mulherzinha...Ufa! Passou! E além do mais uma próxima seleção pode ser muito bem vinda, já que poderia ir para um lugar novo, conhecer gente nova e ter uma identidade Born nova, por quê não?

PS: Eu ia esquecendo...meia hora antes da prova se realizar apareceu uma senhora pedindo informação sobre um sorteio de casas populares em um auditório da Universidade. Tentei encaminhar para a secretaria dos servidores públicos, onde eu sabia que seria bem atendida e estaria com uma pessoa que tinha "todas" as informações. Mas, logo em seguida minha irmã lembrou do ninho de cobras que é a Universidade com a falta de informação. Nesse momento fiquei dividida entre ir fazer a prova ("meus motivos egoístas") e ajudar alguém a não perder sua casa própria. Enfim, decidimos ajudar. Comecei porque tinha que fazer a prova e minha irmã terminou...Ainda fizemos uma boa ação. Pequena, mas pomos em prática que para mudar o mundo é preciso começar de algum lugar...

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