quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Causos Nordestinos e um desafio


PARTE I


Assitindo ao Jornal Hoje no descansinho do almoço, passou mais uma reportagem sobre a guerra do tráfico nos morros cariocas...Então, um senhorzinho que era tio da senhora de onde eu fico para almoçar no dias que trabalho fora da cidade, afirmou:


- É porque não existe mais "Mão Branca".

- Minha mãe já falou a mesma coisa. - eu.


Mão Branca há uns 30 anos atrás mais ou menos, era conhecido por ser o justiceiro, matando os fora da lei. Acho que pelo interior do Nordeste ou de Campina Grande. Ao final ele deixava a mão dele tatuada de cal nas costas do cadáver ou no caixão do defunto quando ia para o velório dos referidos. Por isso, mão branca. Todo mundo tinha medo dele.


Não sei se estou confundindo os causos, mas acho que Mão Branca era o tal de Ataliba Arruda, que cumpriu pena no presídio do Serrotão em Campina Grande. E aí, lembrei quando minha mãe disse que foi convidada para um forró na casa de uns cumpradres e o tal do Ataliba apareceu montado num cavalo, mocinho...No forró, feito na sala da casa do anfitriões mesmo, quem ficava no dancing tinha que dançar com quem chamasse. Não podia recusar de jeito nenhum.


Minha mãe disse que por precaução ficou fora. Vendo tudo da janela com um lacinho de fita na cabeça (Que meigo!), quando o tal do Ataliba a chamou para dançar e ela : "Eu não! Não estou no dancing. Estou fora, está vendo?". Sem saber de quem se tratava, até que uma amiga a "catucou" e disse: "Tu é doida menina esse é Ataliba Arruda, matador...". Ele:


-Como é?


Na mesma hora minha mãe mudou de ideia e disse, "Sim, senhor".


E ela dançou com ele até o dito não querer mais, rezando 500 Pais Nossos e 500 Ave Marias, morrendo de medo dele querer agarrá-la ou algo mais. E quando a festa acabou, ele cumprimentou a moça, "apiou" no cavalo e foi embora. Mãe disse que "tremia que nem vara verde"..A "pobe!". Hoje checo se as identidades conferem...Mais tarde conhecia a filha de Ataliba Arruda na Faculdade: um amor de pessoa que dizia que os namorados quando ficavam sabendo de quem era filha, já saiam correndo com medo porque os pais diziam: "Meu filho saia dessa que é roubada. O homem é doido e perigoso". Tadinha...


Ah! Mas sem esquecer de comentar: Em terra onde não há lei, ou onde a justiça não se faz pelos legítimos órgãos de defesa, temos um retrocesso no tempo, no qual as pessoas dizem que é mais seguro ter um justiceiro por perto do que os braços da polícia amparando. Voltamos a lei de Talião? Olho por olho, dente por dente?


PARTE II

Agarrei o desafio do Between us,


1. Agarrar o livro mais próximo - "Amor é Prosa Sexo é Poesia: crônicas afetivas" - Arnaldo jabor - Editora Objetivo

2. Abrir na página 161


3. Procurar a quinta frase completa


4. Colocar a frase no blog - "Esses intelectuais de quinta querem que eu deixe as maiores reservas do mundo com Saddam?".



Saddam, a coitchado!?

5. Repassar para cinco pessoas.Como Jad, deixei livre. Copia a idéia quem quiser.


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ok! Eu admito: passei da conta


Sabe aquela semana que tudo parece uma gota num copo d'água transbordando...Pois é!Semana passada foi assim e foi por isso que minha primeira postagem dessa semana foi desejando tudo de bom para começar uma boa semana...Mas no meio da semana, enfiei o pé na Jaca.

E como li num post "fazer limões uma caipirinha...Eu também fiz isso e já no meio da semana dei uma da Maysa e comecei bebendo aos poucos e rindo. No sábado já estava com uma garrafa de vinho branco, assistindo pela milhonésima vez A casa do Lago. No domigo foi a desgraça total: PORRE!

Nos meus 28 anos de existência, contabilizo os meus porres: foram 03 no total. Daqueles de você ficar sem o fígado no outro dia, por isso, ainda hoje não tomo uísque e resisto a vodka.


Passei pelo ritual: pagação de mico caindo de costas no sofá e levantando a saia esvoaçante, dizendo que estava bem e ia para casa; banho frio expecionado; me agarrar pelas paredes e algumas vezes durante á noite com o vaso chamando Raullll. No outro dia dor de cabeça, sonolência, sede, estômago virando, ressaca moral enfim...pacote completo.


Quem me conhece sabe que não bebo para comemorar. Geralmente bebo quando não estou bem e preciso levantar o ânimo. Lógica invertida, mas fazer o quê? Um tanto ressacada ainda fui grossa com meu irmão, conversei sobre meus impulsos autodestrutivos, busquei o equilíbrio entre esses meus dois lados e vi que não consigo mais racionalizar meus problemas. Ou seja, fazer dos limões um limonada. Cumprir as missões ou ir em frente mesmo quando não estou bem, enfim...perdi essa capacidade e agora preciso achar outra. TUDO MENOS ISSO! Estou me sentindo pelada sem minha racionalização em ativa...Que merda!

Destravando o papo no domingo de porre, em que se discutia grana, concursos públicos, estabilidade empregatícia e governos...As perguntas que não quiseram calar:

1)Quem será o próximo sucessor de Lula depois da maré de lama no PT, com o fim de Dirceu, Paloci, Genuíno, restou a super mulher: Dilma Rusef? Mas já estão falando em Aécio Neves governador de Minas Gerais. Será que o próximo presidente de fato não sairá das tricheiras do PT?;

2) Lula e a Globo possuem de fato um acordo de cavalheiros: "não mexa comigo que eu não mexo com você?

3) Se hoje temos mais liberdade política, por que não lutamos mais, nos indignamos mais.? Na época do Golpe Militar no Brasil, a década de 80 ficou conhecida mundialmente por ser a década de conquistas, de mudanças...E hoje? Eu ainda acho que não cola essa história de que a mídia aliena e mostra um mundo diferente. Ela não é um simples instrumento nas mãos dos governos. Para mim, a mídia é um jogador de peso e acompanha o jogo de acordo com suas necessidades.

4) Por fim, discutimos democracia, sem querer falar nas obviedades de que ditadura não é boa, que o capitalismo é ruim, que o socialismo parece ainda um projeto utópico, infelizmente a tal democracia ainda não funciona como se propõe. Há chances para ela? Bem que eu gostaria, mas no jogo da democracia, o poder que emana do povo tem um grito muito mais fraco do que os que estão no meio e no alto da pirâmide do nosso sistema político-econômico. Enfim, sem novidades... E um papo um tanto pesado...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Para começar bem o dia


DESEJO (Victor Hugo)

” Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,

(...)

Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E
que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra, com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo,

que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco

e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem, Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher, Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,

E quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar".


domingo, 25 de janeiro de 2009

Vidas paralelas



Como sempre pode ser real, ficção ou mera coincidência.

VIDAS PARALELAS
Quase todos os dias o mesmo ritual, como o chá das cinco na Inglaterra. As duas se encontravam e conversavam sobre o dia, ou os dias que se passaram: as angústias, e as euforias; as tristezas e as alegrais; as vitórias e as derrotas.

Mas o incrível desse cômplo, enlaçado pela amizade, tenha um probleminha: uma sempre parecia bem mais aventurada do que a outra. Não que não passassem pelos mesmos conflitos e dilemas. Fossem existenciais ou cotidianos. Entretanto, uma delas era particularmente "bem aventurada".

Cada derrota era precedida de uma vitória, por menor que fosse. Nossa! Impressionante. Um pequeno presente nos momentos mais difíceis sempre é bem vindo. O sabor da vitória ou do presente para uma era para outra o dissabor, o lodo viscoso e escondido nas relações: a inveja. No entanto, não se tratava de pura e simples inveja e sim de perguntas que ruminavam em sua cabeça: "Por que não eu? Por que não acontecia com ela também?"

Cada derrota e vitória consecutiva de uma era apenas apreciada pela outra com todo carinho e cheio de porquês: "como andava rápido a vida dela?E a sua?"

A dela? Parecia perdida, a deriva, parada. Uma era telespectadora da vida da outra, como numa novela.No momento em que pensava aquela relação rica de amor, amizade e com a inveja a espreita era hora do almoço. Foi quando percebeu melhor o garfo e a faca que estavam em cima de sua mesa.

Diferentes, complementares e em paralelo... Um fazendo parte da da rotina do outro, da vida do outro. Embora fosse o garfo que explorava o mundo, os pratos, as panelas e a boca. A faca, por sua vez, abria caminhos, cortava, apoiava, auxiliava o garfo a cumprir seu destino, para que em fim pudesse descansar em cima da mesa, esperar e assistir o garfo explorar.

Seria ela uma faca na vida? Sempre reservada a assistir ao destino do garfo? Estaria destinado a ela uma vida em paralelo...


sábado, 24 de janeiro de 2009

Cartas não respondidas: "la rose et sien petit prince"


De carona na história do Pequeno Príncipe do autor Antoine de Saint-Exupéry, pensei nas cartas da rosa para o príncipe enquanto viajava na calda de um comenta...Nas cartas que ele provavelmente nem recebeu ou não respondeu. Tais cartas foram especialmente traduzidas pela "Dona Caixera Vianjante Interplanetária" do francês para o português. Entretanto, as originais correspondentes se encontram logo abaixo...

Diário de Bordo de minha Subjetividade, 11 de janeiro

Esse pequeno planeta está tão frio e vazio sem “mon petit Prince” para cuidar de mim. Por que ele abandonou o nosso B-612? Seria eu uma imensa egoísta porque querê-lo tanto assim, bem pertinho: sentindo meu perfume, a maciez de minhas pétalas e vendo minha cor vermelha vibrante? Respostas para essas perguntas eu não sei. Sei que sua rosa o espera porque “somos responsáveis pelo o que cativamos”.

Beijos, sua rosa

Diário de bordo de minha subjetividade, 12 de janeiro
Mais um dia sem meu pequeno princípe. Que faço? Conto as horas para vê-lo ou então morro de saudade?

beijos e bons dias


Diário de bordo de minha subjetividade, 13 de janeiro


Eu acredito que às vezes me torno chata e repetitiva porque falo demais. Talvez, seja na ânsia de escutar mais, ou não deixar que o outro fale. Enfim, no planeta B -612, o pequeno príncipe nunca deixava de falar comigo, de mea guar...Acho que ele já viajou para conhecer outros mundos e eu não sei, ou sei e não quero acreditar.

Beijos e bom dia


Diário de bordo da minha subjetividade, 25 de janeiro

Carinhosamente eu o chamo de meu pequeno príncipe. A mim, me chama de botânica. Creio que não compreenda que a nostalgia asfixia os novos sentimentos com mágoa. Creio que estamos perto do fim que nem começou.


Quotidien de bord de ma subjectivité

Cette petite planète est aussi froid et vide sans « Mon petit Prince », sans lui. Pourquoi il a abandonné notre B-612 ? Serait moi une immense égoïste parce que de le vouloir près: en sentant mon parfum, maciez de mes pétales et je vends ma couleur rouge vibrante? Réponses pour ces questions je ne sais pas. Je sais que sa rose l'attente parce que « nous sommes responsables du ce que nous captivons ».

Baisers, sa rose



Quotidien de bord de ma subjectivité

Je crois que quelquefois moi tour plat et répétitif parce que je parle excessivement. Peut-être, soit dans l'anxiété d'écouter plus, ou ne pas laisser que l'autre fait faillite. Enfin, dans la planète B -612, le petit prince jamais ne cessait pas et ne parle pas avec rose,ne diluer pas… je trouve qu'il déjà a voyagé pour connaître autres mondes et je ne sais pas, ó sais et je ne veux pas croire.


Baisers et bons jours



Quotidien de bord de ma subjectivité


Plus un jour sans mon petit prince. Que je fai ?Histoire les heures pour voir l'ou alors bâti de nostalgie
baisers et bons jours

Quotidien de bord de ma subjetivité

Affectueusement je l'ai appelé de mon petit prince. Moi, de botanique. Je crois qu'il ne comprend pas que la nostalgie étouffe les nouveaux sentiments avec des peines. Je crois que nous sommes près de la fin qui ni a commencé.

Au revoir la rose





sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Lado A lado B


LADO A
Finalmente descobri o que danado são os memes enquanto novata na blogagem, de certa forma uma alusão ao CD de Lulu Santo, Eu e Meme, Meme e Eu (Meme era um DJ, não era?), no blog dos memes tem aquelas pautazinhas sugeridas...Essa é de 2007 e achei interresante: As cinco coisas que você mais destesta. São tantas as coisas que eu mais detesto, mas vou concentrar os esforços para reduzir...

1) Odeio Despertador: Detesto acordar com despertador, seja relógio, uma pessoa me batendo, chamando. Acho um saco. Me dá vontade de ter um momento Amy Wine House e sair quebrando tudo logo de manhã;

2) Odeio Domingos e segundas: Domingo porque parece que domingo é igual em todo lugar: parado... E eu particularmente penso em mais merda nesse dia: o que fiz, o que não fiz, o que devo fazer, enfim...não é todo domingo que você tem grana e companhia para se divertir e esquecer o dia, né? Segunda, por sua vez, porque penso:"Ai! Mais uma semana. Saco! ". Todas as semanas deveriam ser sextas e sábados para badalar e descansar. Perfeito!

3) Odeio concursos: caramba essa vida de concurseira é um saco...Horários para estudar, pagamentos para fazer, tensões antes, durante e depois...E tudo para um próximo concurso. E quando você passa e não é chamada? Porque isso já aconteceu comigo. Trapaça neles então, nem comento...E é um ciclo que sempre recomeça.

4) Odeio homem burucutu: aquele que já chega mandando, é burro, indelicado, palita os dentes e come numa bacia...Aff! Isso é que o apocalipse. E se juntar a isso o fato de ter um gosto musical duvidoso, tipo: o que tiver na moda seja arroxa, forró, pagode e os demais...Fudeu geral!

5) Odeio desigualdade: Uns podem isso, outros não: comer, falar, comprar, viver...enfim...Toda e qualquer desigualdade que coloca alguns a margem e submetidos a hierarquias e exclusões de direitos cívicos, políticos e sociais.



LADO B
Eu acredito em tudo e não acredito em nada, então, seguido a dica do blog Between us lá fui eu confirmar os que a numerologia diz, mas eu num sei não....não achei muito a minha cara o resultado, quem sabe aos quarentas...Me identifiquei mais com a parte da associação...Hum!

9 – Vulcânico(a)

Ao longo da vida, o(a) vulcânico(a) vê a sua sexualidade transformar- se radicalmente, em virtude da sua personalidade de facetas múltiplas e desejos variados. Aos vinte anos é a inocência personificada. À medida que vai chegando aos quarenta revela-se um(a) amante sensual, extremamente inventivo(a) e muito atento(a) ao seu parceiro(a). A associação "amor- sexo" é para si uma necessidade.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Mulher não trai, mulher se vinga (fato real)


Contando o milagre sem revelar o o santo sobre o tema da última postagem....

Uma colega foi para uma festa e viu uma ex-ficante. Ele queria algo sério e ela não. Numa domigueira, ele estava com outro, mas, segundo relatos dela, por ela tudo bem. Estava superado.

Sendo que ele, se sentindo provavelmente rejeitado, ficou no dancig se "amostrando" com a outra. Rindo dela na mesa com amigos, apontando, esbarrando no salão. E ela se controlando.

Entretanto, ela havia tomando alguns remédios que tinha como reação adversa mudança de humor. Ela misturou com bebida, que não devia, tomou coragem, foi na mesada e deu vasão a sua raiva:

LARGOU A MÃO NA CARA DELE E NÃO SATISFEITA AINDA JOGOU UM COPO DE CERVEJA.

Segundo ela, tudo foi motivado pela chacota e não por "amor" e que ele perdeu o "tino de tanta raiva que estava...Bem essa daí não traiu, mas se vingou...

Como ela ficou?

Saiu corrida da festa com medo da segurança e quando chegou em casa que o efeito do alcóol passou...
"-Menina o que foi que fiz! Se arrependimento matasse"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mulher não trai, se vinga

A primeira vez que ouvi essa música “mulher não trai, se vinga”, achei ridícula. Por quê? Basicamente porque era um forró de plástico e eu odeio esse tipo de forró. Entretanto, depois que fui interpelada por uma recepcionista sobre um papo que ela ouviu enquanto estava no trânsito a respeito dessa música, abandonei meus preconceitos e comecei a pensar sobre esse novo hit do verão...
Lado A da história:
Mulher pode sim trair por vingança. E a maioria alega que traiu porque foi traída. Não podemos deixar de estar atentas ao fato de que, quando uma mulher chega ao ato de trair, quase sempre afirma como motivo a traição do parceiro. Hipocrisias à parte, concordo com o trecho da música de que os direitos são iguais. Então, se um dos parceiros trai, o traidor deixa de ter o direito de exigir fidelidade. Se ele quebrou o acordo, que pague a “multa”. Pode ser até entendido como a lei de Talião “olho por olho, dente por dente...”. No entanto, isso vale para ambos os envolvidos: trai-se também por outros motivos que não a traição do parceiro.

Em alguns casos se trai por tesão, pela falta de algo na relação, pela sensação de incompletude, de vazio, de mesmice, por aventura, enfim...Sendo assim qualquer um pode trair e não só por vingança. Eu já fui traída por vingança. Alegação: maus tratos aos sentimentos do meu parceiro.
Infelizmente a traição feminina é carregada de preconceito. Homens e até algumas mulheres se atem ao fato de que se a mulher trai está transgredindo uma norma social, portanto, é puta, rapariga...Se o homem o faz, é porque é instinto ou porque teve motivos... E os direitos iguais de novo? Parece que só existem ainda no papel....A muito para se aprender. No entanto...Não me lembro de sentir-me vingada com o ato. O fiz porque procurava saciar uma falta insaciável...Buscava o tesão e o amor que me faltavam na relação. Não estou aqui na defesa de que existem ou não motivos nobres para se trair, mas do que qualquer coisa, cada ser humano tem seus motivos e que normas sociais as vezes passam por cima de motivos humanos e que devem ser tratados, portanto, com igualdade, como diz na Declaração Universal dos Direitos Humanos: “todos são iguais independente de cor, raça, gênero, religião...”. No entanto...

Lado B da história:

A música não deixa de colocar a situação pelas quais as mulheres contemporâneas passam e que supostamente estariam cansadas de viver. Ou seja, cansadas de ficar apenas esperando seus parceiros voltarem da esbórnia enquanto as ditas mulheres deixaram de ser “tontas”, submissas, abrindo mão de suas vidas e de seus amigos em nome de filhos, de carreira, de família... Trata-se da liberdade que aos poucos a mulher vem conquistando em expressar da forma como quiser seus sentimentos para com o parceiro.

E uma coisa é certa. Desse ponto, “a voz do povo [na música] é a voz de Deus”, portanto, há uma outra revolução feminina em curso, no "de casa para a Igreja, da Igreja para casa. Ou então, de casa para o trabalho, do trabalho para casa". Se é que podemos chamar tais mudanças de revoluções. Tratam-se de mulheres que além de estar no mercado de trabalho conquistando espaços, criando famílias sozinhas, superando-se, tornam-se de fato donas de seu corpo, de seu desejo, de suas emoções e de suas atitudes, sem precisar da tutela do pai, do irmão, do marido, do noivo ou do namorado. “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”... Já dizia a música de Geraldo Vandré que embalou o movimento das Diretas Já! (entre as década de 60 e 70).

Mas voltando um pouco ao início da conversa que a recepcionista ouviu no trânsito, a polêmica era entre meninos e meninas. Meninos indignados com a letra da música e meninas apegando-se a igualdade de direitos e sua fidelidade amorosa abalada pelas sucessivas traições, pela humilhação de se tornarem "a galheira ambulante" . Treplica de um dos meninos:

- Ah, isso é tema de livro [talvez referindo-se ao livro de Arnaldo Jabor "Amor é prosa Sexo é Poesia" que por acaso estou lendo]. O problema é que vocês quando olham para um homem imaginam um monte de corações fofinhos, rosados...[ou seja, que pensamos logo no amor da nossa vida, em nosso princípe encantado. Nossa! Nós realmente somos mulheres carentes e desesperadas é? Cadê a autonomia mulherada? ] E nós vemos o coração invertido: a bunda [enfim, que a bagaceira é só por aventura e tesão. Novidade...]


Lá vai a letra original para você tirar suas próprias conclusões...

Mulher Não Trai, Se Vinga
Aviões do Forró
Composição: Elvis Pires e Rodrigo Mell

Mulher não trai, mulher se vinga Mulher cansou de ser traída
Mulher se vinga, mulher não trai
Eu era boba, não sou mais... Ficar em casa esperando você
Ficar dizendo o que devo fazer
Você curtindo aí a sua vida
E eu perdendo amigos e amigas...
Ficar te amando e você nem aí
Se divertindo e zombando de mim
Você curtindo ai a sua vida
E eu perdendo amigos e amigas...
Escuta meu bem
Eu não fico atrás
Entre homem e mulher
Os direitos são iguais... (2x)
Eu bato de frente
É dente por dente, é olho por olho...
Mulher não trai, mulher se vinga
Mulher cansou de ser traída
Mulher se vinga, mulher não trai
Eu era boba, não sou mais...

Pintura sobre o mito do apóstolo Daniel jogado na cova dos leões por traição: idolatraia a Deus e não ao Rei

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta


Nossa, fiquei super feliz quando a Patrícia Daltro do blog "A vida sem Manual" listou meu blog com um dos doze melhores de se ler e concorrer ao prêmio do Café com Notícias. Mandei até um recadinho para ela que já estava imaginando e fazendo planos para largar minha profissão e realizar o sonho de ser escritora. Como a disse: "Fui longe...".Só em pensar que em meu blog posso adicionar o selo de "satisfação garantida ou sem dinheiro de volta", já é um inflada no ego. E olha que os blogs que recomendo estão com o mesmo selinho...

Mas voltando a realidade...Valeu Patrícia! Me sinto lisongeada e recomendo a todos a visitar o seu e o site com o regulamento que exibe o reconhecimento do nosso trabalho virtual. Por que não trabalho? Mas sem o sentido de sofrimento como no significado da palavra em latim: tripallium - instrumento de tortura.

As minhas indicações de outros blogs foi para mim a tarefa mais difícil porque sou novata nessa carreira de bloguera, mas meus critérios foram o de frequência e o nível de qualidade. A ordem não é classificatória, mas na medida que os fui descobrindo ou surgindo...

[abrindo parênteses]
O primeiro lugar vai para Jad, do Between us, minha preceptora nesse mundo virtual e que não me deixou desanimar nunca em escrever nesse espaço virtual e até incentivou de certa forma lendo, meu estilo "literário". O estilo dela, bem diferente do meu, me agrada bastante, bem objetivo e humorado (ácido ou engraçado) de ver e escrever sobre o mundo...A que torna até mesmo a rotina em um troço engraçado.
[fecha parênteses]
Lá vai a listinha:

  1. Between us
  2. A vida sem manual
  3. Nó na garganta
  4. Escreva Lola escreva
  5. Meu mundinho violeta
  6. O que me vier a real gana
  7. Ithalo Iankel
  8. Eu comigo mesmo
  9. Não dois não um
  10. Mulheres (im)possíveis
  11. Hoje vou assim
  12. Boteco sujo
Ufa! Quase não consigo porque minha vida de bloguera nem é tão intensa assim. Cato uma coisa aqui e ali. E dou prioridade aos meus preferidos...Então, faça também a sua escolha.

A abobrinha, quanto é o quilo?




  1. Reassistindo o filme "Carga explosiva" em Domingo Maior (insônia, né?), me dei conta de quanto adoro me sentir protegida, embora meu papel seja de mulher independente que não precisa de nada, nem de ninguém. E simbolicamente sabe qual a parte do corpo que mais me remete a essa sensação? O peitoral. É nele que a gente se apoia, dorme, se aninha, chora, sente o abraço acolhedor ou voluptuoso...;


  2. Quem não tiver pecado ou bizarrices que atire a primeira pedra. Como durmo mais fácil com a TV ligada entre BBB, Revelações, Faustão, Gugu e Pânico, fico com o programa Pânico que não tem a pretensão nenhuma de fazer jornalismo sério, mas escrachado. Diferente da Globo que quer dar uma de mocinha, quando na verdade é conservadora e em cima do muro. Hipocrisia! Dei boas risadas nesse programa com a corrida do queijo na Inglaterra. De quebra, ainda lembrei quando tinha 10 anos e levei um escorregão num gramado lamacento e que nem tinha queijo. Hoje é onde funciona um museo interativo . Cara, que ladeira desgraçada cheguei bolando toda suja de lama, mas ri pra caramba;


  3. O bumbum de todo mundo engole calcinha? Ou isso acontece somente comigo porque o meu é grandão? Ou serão os padrões que são tortos? Sim, porque as minhas ,independente do tamanho, fazem essa proeza. No começo achava um saco. Hoje acho até normal. Me policio somente para de repente não ser indiscreta e tirar o elástico da grutinha em público com direito a barulhinho do elástico: estleche!;


  4. Descobri hoje que não preciso buscar a transgressão em ninguém para saciar minha própria necessidade de transgredir, como seu eu mesma não pudesse fazer isso porque essa é a identidade secreta da mocinha perfeita e boazinha. Pensando no que é que os outros vão pensar e fazer e tal...A lindinha da voinha tornou-se uma mulher independente e convicta ponto. O resto que se dane e vou transgredir do meu modo e quando achar necessário;
  5. Outra: nesse momento lembrei de uma frase que achei horrível e que para mim acaba todo sentido da existência humana: "A esperança pode não ser a última que morre, mas é a primeira que mata..."


  6. Ainda nessa linha, hoje acordei com vontade de doar todos os meus bichos de pelúcia. Pena que o Natal já passou. A maioria presente de ex-namorados, ex-amigas...Para que guardar um passado sem importância? Que venham outros bichos de pelúcia com outros significados. Ou então, que venha outros presentes: não mais para a adolescente carente, mas para a mulher que floresce em mim em meio ao lôdo como a flor de Lótus. Acho que o mais difícil vai ser convencer minha mãe a doá-los porque ela ainda não saiu completamente dessa fase, a adolescência, e não vai conseguir entender minha necessidade, enfim...;


  7. A decisão em qual turma meu irmão iria fazer parte agora no ensino médio me remeteu a alguns dissabores sobre seleção em turmas. Quando passei para o fundamental dois e queria estar na classe dos "feras", a classe A, fui transferida para a "B", os segundos colocados, porque meu nome começava com T e a primeira turma já estava lotada. Explica isso para uma criança que achava que por mérito deveria estar na dita turma classe A? Sem falar na rivalidade entre as duas turmas que o próprio colégio alimentava...Depois foi quando passei no vestibular de Engenharia de Materiais. Pois é! Quase fui engenheira...E fiquei num bloco da faculdade que era considerado o primeiro mundo. Até que meu nome novamente foi cortado por super-população da sala e fui transferida para um bloco que era o terceiro mundo das engenharias. O teto um dias desses desabou e passou até no noticiário da TV local.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O chaveiro


Esse conto, que como sempre pode ser inspirado em fatos reais ou ser mera ficção, foi inspirado nesse conto da Vida sem Manual.

O chaveiro

Dias difíceis aqueles. Como sempre um forte sentimento de fuga a impelia novamente. Embora fosse uma mulher que se identificasse por ser combatante, quando se sentia derrotada numa guerra interna, com ela mesma, fugia.

Era tarde da noite. E essa noite em particular parecia mais fria do que todas as outras.De início ela ficou pensando se devia ou não fazer aquilo. Mas essa não seria a primeira vez...e quem sabe nem a última. Num relance ela pensou em todas às vezes que fugira não tão recentemente.

Da casa do seu amante pela manhã. Motivada por uma cansativa madrugada de discussões sobre ciúme dele para com ela, sentindo-se derrotada e que o fogo da paixão agora poderia encendiar não só a sanidade dele, mas a dela também, ela descidira fugir. Após ter passado o restante da madrugada chorando na varanda do apartamento, vendo o sol nascer, assim que surgiu pegou sua bolsa, a chave que ficava pendurada próxima a porta de entrada e foi. Desceu as escadas correndo, andou rápido até o ponto de ônibus e somente se sentiu segura quando estava dentro dele. Pensando no que tinha feito, no quanto estava magoada...E as explicações? Depois ela pensaria nelas. E para ele, com certeza. Ela ainda ouviu:

-Nunca mais faça isso viu!?

Para ela seria impossível prometer aquilo e se fez de surda para encerrar o assunto e de como se sentira ameaçada naquela discussão, durante a fuga...

Outra vez, fugiu de um ex-affer com o qual estava empolgada. Tudo parecia que caminhava bem, até que ele foi bem claro em afirmar que não queria assumir mais compromissos com ela porque a vida dele tenha tomado outros rumos...Nessa noite eles durmiram juntos. Ela chorou enquanto ele dormia e praticamente viu o dia nascer. Novamente: "Fugir ou não?Para que continuar com essa farsa de que está tudo bem, quando não estou? Chega de conveniências.Preciso ir."

Ela tomou uma ducha para acordar, pensar, tomar coragem quem sabe...Pegou a bolsa, abriu a porta de mais um apartamento, onde a chave já estava na porta, convidando-a a se retirar e ao descer as escadas deixou um recado para na portaria. Dessa vez não queria preocupações. Chorando, saiu andando até encontrar a rodoviária e pegou um ônibus de volta a sua cidade. Ela teve uma hora e meia para pensar no que fizera. E diferente da sua primeira fuga. Ela sentira que tinha sido o melhor para os dois. Enquanto ela voltava no ônibus, ele ligava enlouquecido e ela desligou celular. Depois falaria que estava, na medida do possível, bem.

Então ela voltou de suas lembranças e viu que estava em mais um dilema. Talvez mais sério dessa vez. O dia tinha sido de forte e agressivas discussões. Houveram momentos que ela passou que ambos iriam partir para a agressão física. Ela, mesmo sendo mulher, não temia. Um dos traços de sua personalidade era ser extremamente impetuosa. Nada, ou quase nada, a fazia temer. Embora fosse adepta do pacifismo. Contraditório não? Mas era como ela, contraditória. O quarto estava abafado, cheirava a bebida e era extremamente desorganizado, assim como toda a casa. Ela já estava pronta para fugir, com insônia, dores de cabeça... Não seria a primeira vez mesmo.

Sendo que dessa vez a tarefa complicou-se: onde estava a chave naquele caos? Horas procurando e nada. E se ele acordasse? Ela nunca tinha sido pega com a boca na butija. Ser pega, ter sua fuga interrompida para mais uma discussão sobre explicações era algo que ela não queria e nem consegueria. A ansiedade tomava conta dela quando finalmente encontrou não a chave mais um mólho delas: um chaveiro. E agora? O que ela faria? Qual era a chave para abrir a porta principal, o cadeado da grade principal e a garagem? Nossa! Isso levaria muito tempo. Ela não podia correr esse risco de ser pega.

Chaves entravam e saiam das portas. O frio da noite passava por sua espinha e se concentrava na barriga, mas ainda sim a tensão da situação não a fazia ter frio, mas muito calor. Depois de um certo tempo, que para ela parecia uma eternidade, ela conseguiu abrir a última porta daquela casa que tinha se tornado uma cela. A sua prisão de Alcatráz. Devolveu a chave ao balcão mais próximo da sala. Fechou o que podia e saiu andando muito depressa. Dessa vez ela fora para sua casa caminhando. Já era tarde da noite, mas pelo jeito não durara mais do que uma hora para chegar.

- O que houve? -sua colega de quarto.
- Nada


Ela fechou a porta de seu quarto, desligou novamente o maldito celular e se fechou dentro de si para fazer um balanço, para catar os pedaços, para colar o que restou da grande poparte que tornara-se sua vida. "Ufa! Mais uma bem sucedida. Estou em "terras" seguras, meu corpo está em terras seguras, minha sanidade está em terras seguras, pelo menos por hoje."


domingo, 18 de janeiro de 2009

Lembra aê?



1. Minha mãe lembrou-me que cama de solteirão era muito comum antigamente. Havia cama de solteiro e de solteirão. A de solteirão era para mulheres que permeciam solteiras e fora da faixa etária das casadóiras. Em seguida ela disse:
- A tua é de solteirão né?
- Am? - eu

2. Ontem comi algodão doce feito na roda. Ele é feito por um senhorzinho que carrega uma carroça artesanla desde a minha infância . E ele ainda hoje põe fogo numa roda, gira uma manivela e põe açucar no meio da tal roda até ele fazer uns fios. Eu comia uma roda inteira quando era criança. E eles eram coloridos. Atualmente comi apenas um pedacinho, mais para lembrar as tardes da minha infância. Minha mãe até disse:
- Corre Thaisa, vem matar um pouco da saudade da tua infância...


O mesmo senhor, a mesma carroça e quase a mesma criança...

3. Sabe o que é ter uma experiência tipicamente nordestina? É carregar algo na cabeça. Qualquer coisa mais pesada, parece mais fácil na cabeça. Você já tentou? Eu já. Ja carreguei uma caixa e ontem um cochão de cama. Ah! Ainda tem os carapuceiros da feira: uns homenzinhos que carregam as compras das madames num balaio. Será que eles ainda existem? Lembrei agora direto do túnel do tempo da minha infância...

4.Você sabe qual é a sensação de dominar o "mundo"? Quando andei hoje de bicicleta pelo viaduto de Campina e via o tudo de cima....Urru!

5. Essa semana também me superei abrindo um vinho com um saca rolha de R$ 1,99. Ou o vinho era muito bom e assim a rolha, ou então, eu estou virando expert...

O sondtrack de hoje...


sábado, 17 de janeiro de 2009

Nem eu, nem o outro. E daí?



Lembram de uns versos de Mário de Sá Carneiro, poeta português, que ganhou melodia na voz de Adriana Calcanhoto?

“Eu não sou nem sou outro

Sou qualquer coisa de intermédio

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o outro.”.

E daí? Daí que isso tem tudo haver com o livro “Mentiras no Divã”, um romance que Yalom (2006), psiquiatra e psicoterapeuta americano, desenvolve a partir de histórias que giram em torno de mentiras ditas no divã, seja pelos pacientes ou pelos próprios analistas. Não só aquelas mentiras ditas intencionalmente, mas aquelas que acreditamos ser a nossa própria verdade, o nosso próprio eu. Eu ou outro?Ou quem sabe qualquer coisa de intermédio?

Confesso que a atração por esse livro se deu pelos seus dois últimos lançamentos: “A cura por Shopenhauer” e “Quando Nietzsche Chorou”. Se li algum dos dois? Não, mas vi o filme sobre o segundo e me tocou profundamente...Então, como “quem não tem cão cassa com gato”, na livraria havia o “Mentiras no Divã” , então, comprei. Quem sabe encontraria a luz para “todos” meus problemas existenciais e profissionais (rsss!).

Como o próprio Yalom (2006), quem sabe plagiando o filósofo Sócrates na frase só sei que nada sei”, disse: (...) a certeza é inversamente proporcional ao conhecimento”(2006:16). Quanto mais conhecimentos, menos sabemos e temos menos certezas...

Outra coisa que me chamou atenção foi a sutileza com que ela coloca a questão da tirania. Geralmente temos a idéia de que um tirano é dominador, mas há uma passagem brilhante do livro dele à respeito de tiranos que fazem parte de nossa vida e nem nos damos conta que casa perfeitamente com uma citação que encontrei em Simone De Beauvoir. Em sequência então:

“Um homem basicamente benevolente que, entretanto, era tão intimidador que ninguém ousava confrontá-lo”. (2006: 259).

“Ela prefere ver uma alma condenada, a se mostrar abertamente tirânica” (1980:117)


Ou seja, a tirania se faz perceber até mesmos entre as criaturas mais dóceis que com jeitinho de que não quer nada, a não ser o bem, faz aquilo que elas realmente querem e não que é melhor para o outro. Benevolência pode ser tão intimidadora e opressora quanto a tirânica aberta.

O mais impressionante na trama do livro é como assumimos papéis sociais que acreditamos ser nosso e que na verdade são dos outros, o que foram ou desejaram ser: nossos pais, nossos cônjuges, nossas profissões e tudo que esses papéis exigem. E nos torturamos, sem saber o que fazer e como fazer para alcançar aquilo que não sou o eu, mas para o outro, para o nós, o desejo do outro, enquanto o tempo passa e a vida passa desapercebida.

Vixe! Isso também me lembrou o sociólogo americano Anselm Strauss (1999) quando coloca que as identidades individuais e coletivas se constituem mutuamente e que assim sendo a problemática individual estabelece conexões relevantes com os processos sociais. Talvez também por isso, o Yalom (2006) tenha uma citação tão interessante sobre como o indivíduo acaba entrando nesse jogo coletivo:


“É o modus operandi da ortodoxia. Eles asfixiam um jovem e perigosos cérebro que está florescendo no estrume da doutrina durante alguns anos até que ele passe a semear. Então, quando a última partícula de criatividade tiver sido soprada e eliminada, eles diplomam o iniciado e confiam que ele, em sua imbecilidade, perpetue o santo livro. (p..116)

Vários trechos do livro me impressionaram. Eu escolhi os meus. Você se quiser escolha os seus...

“Lia até mesmo os fugazes livros de suspense, aqueles de se ler de uma só vez, com lápis na mão, sublinhando partes que o comoveram ou o fizeram pensar, possivelmente para usar em seus próprios textos. [Um] procurava por palavras e imagens poéticas e interessantes, [outro] por ideias. P. 118

“poema de Whittier: “de todas as tristezas da língua ou caneta, / As mais tristes são estas: “Poderia ter sido”.” p. 226


“Ou será que funcionava de maneira oposta? Se não fosse tão duro consigo mesmo poderia ele ser mais clemente com os outros? p.365

“Ser transparente não significa ser escravo de todos os caprichos e vôos de curiosidade” p. 230

“Se quiser ter orgulho de si mesmo, então faça coisas das quais possa se orgulhar” p. 22


“Também tinha a noção de que xeretar nas cinzas do passado era meramente uma desculpa para escapar da responsabilidade pessoal por nossas ações” p.17

“Rastejo no porão e lambo as minhas feridas”. p. 42

“Sinto-me morta e me machuco para saber que estou viva.
Sinto-me morta e devo assumir riscos perigosos para me sentir viva.
Sinto-me vazia e tento me encher de drogas, comida, sêmem.
Mas estes consertos têm vida curta. Acabo me sentindo envergonhada – e ainda mais marta e vazia” p. 20

SOBRE O CICLO AUTODESTRUTIVO QUE ALGUNS SERES HUMANOS SE COLOCAM...


Constituído pelo vício pelo ódio de si mesmo – autodestruição – mais ódio por si mesmo devido a vergonha e autodesprezo pelo seu comportamento (p.21. [Sem esquecer que] (...) autodestrutivos negam demais( p.19)


(...) o comportamento impulsivo parece ser antecedido por um estado emocional de enorme vazio ou de falta de vida e o comportamento de risco, as mutilações o sexo, os excessos compulsivos, tudo pode ser uma tentativa de se ocupar o máximo possível ou de levar de volta a vida (p.20)



STRAUSS, Anselm L. Tradução de Geraldo Gerson de Souza. Espelhos e máscaras: a busca da identidade. São Paulo: EdUSP, 1999

BEAUVOIR, Simone. Tradução de Danilo Lima de Aguiar. Quando o espiritual domina. 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

YALOM, Irvim. Tradução de Vera Paula Assis. Mentiras no Divã. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

É para rir ou chorar?


1)Como ainda não conheço todos os meus novos gestores e hoje estava trabalhando praticamente sozinha, enquanto o hall da recepção estava quase um pandemônio de gente pedindo informações e coisas assim, entra uma mulher que não dá nem bom dia e tenta abrir a sala fechada dos superiores. Eu:
-Senhora, sinto informar, mas a pessoa que procura está viajando posso ajudá-la?
-Essa é fulana, mãe do gestor - a auxiliar
Depois da garfe me desculpo, me apresento, digo minha função e digo que não conheço todos da pequena cidade. A pergunta seguinte:
- Você é de Campina? A qual família você pertence?
Me senti no feudalismo onde minha honra era medida pelos títulos de nobreza da minha família. Um tanto aturdida com aquela pergunta a única coisa que me veio a cabeça foi:
- De uma família comum, normal, sem tradição nenhuma...Filha de Maria de Fátima Clementino e Jonas de Almeida?- nesse momento eu perdi a certeza de qual era realmente a pergunta e se aquela era a resposta desejada.
Fulana insiste:
- Qual o sobrenome mesmo?
Entã me repeti e a mesma:
- Ah! Eu não conheço.
Quase que dizia: "Que novidade! Descobriu o Brasil."

2) No meio do expediente a mesma me diz uma pérola tipo: "Você sabe. Você é capacitada, para ser professora temos que usar o que há na comunidade".[O que ela quis dizer? Que para ser professora não é preciso muita qualificação? É assim que se valoriza a categoria, a comunidade ou os cidadãos? Para ser professor não é preciso muita qualificação, é isso?]

3) Fala posterior da mesma:
- Vamos trabalhar com umas dinâmicas para levantar a auto-estima... (Jesus não me chicoteia... porque todo mundo acha que a gente é animador de festa hem? Que só faz dinâmica, nam...)

4) Para encerrar o dia, a mesma ao entrar e sair como um louca esbaforida, tira na recepção o casaco para ir embora . Ao ir desligar as luzes pelo "consumo com responsabilidade" no mesmo local da sua partida vi entre as cadeira algo preto. Pensei num lenço e de quem seria. Ao ir pegando e desdobrando o tal pano percebi que era uma calcinha. Como não sabia se estava limpa ou suja, por via das dúvidas meus dois dedinhos a lançaram no balcão e a auxiliar começa a rir ao dizer que era da "nobreza".
- Assim, como eu não tinha certeza se estava limpa ou suja, põe num saquinho e entrega na segunda para a vergonha ser menor - disse.
Ela riu e disse que não averiguou profundamente, mas parecia limpinha.
- Eu sei lá - e rimos.
Ah se esse evento tivesse acontecido antes, diria:
- Sou de uma família que a gente toma cuidado com a nossa roupa íntima. Elas não ficam por aí...
Mas...

5) Por falar em roupa íntima, a minha criação foi tão "caxias" que quando viajo tenho vergonha de lavar minhas calçinhas e colocá-las no varal alheio ou de usar um baby dool curto na casa dos outros. Sempre ouvi que a maneira como a calcinha é lavada e fica no varal revela o tipo da moça de família que se é e que roupa de dormir na casa dos outros tem que ser cumprida porque senão não se era moça de família. Aff!Nam!

6) Jogando ainda conversa fora durante o dia de chuva veio a tona medos de chuva, de trovão, de relâmpago... E eu falei do meu medo de galinha (pois é!), mas que encarava legal desde que estivesse cozinhada, amarrada e sob o domínio da faca de um açougueiro. Relembrei:
  • quando tinha 8 anos e minha mãe mandou uma senhorazinha do sítio que visitavamos me dar uma galinha para que levassemos para casa e ao me virar a senhorazinha jogou uma galinha preta se debatendo amarrada em cima de mim, enquanto eu gritava; quando minha bisavó levou uma "carreira" de uma galinha choca (segundo contam);
  • quando derrubei minha mãe em um balaio de batata enquanto um senhor na feira vinha com um cabo de vassoura cheio de galinhas amarradas e passou por mim; l
  • Do ataque do frango da vizinha que entrou na minha casa quando tinha 14 anos e saiu correndo atrás de mim até me deixando acuada num canto de parede encolhida e chorando (uma cena ridícula, mas verdadeira); l
  • Do reveillón de 2006 para 2007 que ao comemorar na casa de conhecidos, havia no terreiro da casa um poleiro com um galo maior do que eu ( e olha que tenho 1, 73) enquanto todos comiam, bebiam e viam shows de Rock. Fui dormir antes da meia noite no carro. Era demais para mim. Foi trash! Enfim, hoje cresci e a galinha olha para mim e eu olho para ela e mantemos distância para nossa segurança, mas não me deixou intimidar e dividimos o mesmo território. Galinha boa é galinha na panela.

7) No fim do dia, vi umas garotas fazendo tipo um rolinhos no cabelo com linhas coloridas. Ai lembrei da tracinha que fiz com uma parte do cabelo da nuca com pedrinhas eu adorava aquele enfeite. Até que um "trombadinha" quando saia da escola a puxou e fiquei com tanto medo que ao chegar em casa a retirei. Não é que me deu vontade de fazer aquela trança com linhas? Meu cabelo está em Natura mesmo... Ainda fui buscar minha rasterinha novinha no sapateiro que depois de um tropeção ficou por um milímetro de arrebentar no entre dedos. E sabe que o sapateiro fez? Ao invés de abrir a sola e fazer o trabalho, empurrou o talo do entre dedos para dentro do buraco e reforçou com um quadrado de couro em baixo do solado. Sabe um trabalho de "catchigoria". Pois foi: um trabalho porco que parece remendo em roupa velha ou cliclete pisado. Mas tenho uma solução: só é não cruzar as pernas da esquerda para direita e pelo menos vai dá para terminar de pagar a sandália com alguma "justiça". Jesus acenda a luz!


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Existencialismo no MSN


Thaisa diz:

Como vai meu lindo? Espero q bem o doutorado não tenha comido o seu juízo. Ou já vai publicar um livro?

Doctor Marte diz:

Amor que saudade. Quanto tempo que a gente não se fala. Como tu tá?

Thaisa diz:

Eu estou escutando Chico Buarque. Agora q a saudade vai aumentar.

Doctor Marte diz:

como tão as coisas?

Thaisa diz:

bem

Doctor Marte diz:

me conte

Thaisa diz:

Colando-me. Fazendo poparte de mim, mas tó bem, ás vezes é engraçado. Outras sai umas coisas trashs, outras críticas. Um dia de cada vez igual no AA. Estou aprendendo a fazer isso, mas sempre rindo, mesmo da tragédia

Doctor Marte diz:

e quanto a seus planos de doutorado, de trabalho? Tá caminhando?

Thaisa diz:

Cara dá para escrever um livro, mas vou fazer uma sinopse. Decidi fazer o doutorado na UFCG...foi como se as coisas tivessem perdido o sentido. Então vou me preparar esse ano tentar meu projeto independe na UFPE. E o trabalho não me pagou esse mês, mas tá tudo bem, como na propaganda da FOX.

Thaisa diz:

qdo a gente está leve é mais fácil se deslocar de um lugar para outro

Doctor Marte diz:

começou bem 2009 hein?

Thaisa diz:

k. Pensei nisso, mas eu to realmente bem.Fico xoxa hj. No outro dia levanto sacudo a poeira e dou a volta por cima, como fazia antes e q por um tempo não estava conseguindo

Doctor Marte diz:

ai, thaisinha, tem que ser assim mesmo

Thaisa diz:

estou como o Dalai Lama: exercite a paz interior. Decidi que minha vida ia ser como o desenho do Simpsons. Alguém sempre se fonde, mas todo mundo ri no final

Doctor Marte diz:

Affff menina.Foi um ano puxado, sem tempo pra viver. Conheci nada do rio. Tive um affair com um rapaz, mas já terminamos

Thaisa diz:

pq?

Doctor Marte diz:

porque eu tô voltando daqui a pouco. Então não quero me apegar

Thaisa diz:

ele era autista era?

Thaisa diz:

vcs undergrounds de merda

Doctor Marte diz:

por que?

Thaisa diz:

aproveite o dia. Não é esse o lema? Amanhã pense no amanhã

Doctor Marte diz:

ah, se eu soubesse fazer isso

Thaisa diz:

deixa de ser obsessivamente controlado menino. Vá para terapia, taishi-shuan, qualquer coisa. Vc tb acha q é fácil para mim falar aproveite o agora?Q nada. Isso são pelo menos 3 anos de terapia. Um exercício intenso, q um dia vc vai ter q começar

Doctor Marte diz:

e dificílimo

Thaisa diz:

Tá falando isso para mim é?Organizada, careta, CDF mesmo

Doctor Marte diz:

rsrsrsrsrrs

Thaisa diz:

Sabe o que li essa semana, o pior para língua e para caneta é o "poderia ter sido". Viver, se apaixonar, amar, ser correspondido é o que colore a vida da gente. Além de uma taça de vinho ou de cerveja na falta né?

Doctor Marte diz:

mas também não fique se podando demais não

Thaisa diz:

Eu sei, eu sei. É pq quando decido fazer poparte de mim e sai algo trash demais ai meto a cara na cachaça

Thaisadiz:

Quando nos vemos já estamos nos atracando e brigando Tb. Essa q é a merda. É muito aquela mini-série Maysa e sem eu ser cantora. Muito opostos e a gente acaba não se respeitando

Doctor Marte diz:

Se aquele dito de que os opostos se atraem fosse verdade, vcs seriam o casal mais perfeito do mundo

Thaisa diz:

Pois é, mas não somos. Nem eu sei o q é q liga a gente ou que ligava?Amigo, sinto sua falta, da sua carinha de ursinho de pelúci

Doctor Marte diz:

também sinto a sua, sempre me lembro de ti

Thaisa diz:

sou sua amiga imaginária também?

Doctor Marte diz:

sempre me lembro quando a gente se encontrou na praça

Thaisa diz:

não dizem q uma alma reconhece outra num universo de almas? A gente se reconhece um pouco um no outro, nas nossas loucuras: de querer viver o presente e projetar o futuro como se os dois fossem irreconciliáveis

Doctor Marte diz:

é verdade. A gente tá sempre em conflito, sempre angustiado, sempre insatisfeito

Thaisadiz:

se bem q acho q to num estágio mais avançado do q vc. Dalai Lama lembra? Conflito - mudança pra algo novo. Não tento estender mais os conflitos. Se consigo resolvê-los agora, resolvo. Senão vou fazer outra coisa que me deixe feliz. Procuro o lado doce da vida. Não rumino mais. Pelo menos tento

Thaisa diz:

esse ano vou estudar para valer, mas por mim. Esse projeto é meu e de mais ninguém, não cabe a mais ninguém. Estou mais leve sendo assim. Não espero que façam por mim porque. Eu mesmo agora faço qualquer coisa que alivie o conflito e para q amanhã seja um novo dia. Se eu consigo vc também, se desamarre

Doctor Marte diz:

eu sei. Veja na verdade. Eu quero encontrar alguém, mas enquanto eu levar essa vida errante fica difícil

Thaisa diz:

Lembra da música de Geraldo Vandré: quem sabe faz a hora e não espera acontecer? Não existe a hora certa. Nós fazemos a hora certa.

Doctor Marte diz:

a vida é irônica mesmo

Thaisa diz:

Coisas boas ficam, coisas não tão boas vão.E isso é a vida. Não deixe sua vida para dps pq ela está acontecendo agora. Não espere a pessoa certa ou a perfeita. Sinta. Deixe seu coração navegar, não procure com uma lupa os problemas, as dificuldades, apenas sinta, bem pequeno príncipe.

Doctor Marte diz:

hoje admito que não consigo viver assim, mais leve, mais sábios. Falo por mim. Essa coisa de tentar viver o hoje, de só pensar que temos o agora. Eu não consigo. Eu penso muito no depois. Eu sei que não é a forma mais sábia de viver, mas como ser diferente?

Thaisa diz:

quem disse? Os fundamentalismos são ruins. Nem enlouqueça hj nem envelheça pelo amanhã. A medida vc vai encontrar se procurar.

Thaisa diz:

Leia. Não é nem olhe porque se você não olhar tb não não lê. Pessoas como eu e vc nunca seremos totalmente o agora, mas nos angustiamos tanto pensando no futuro...Então nós temos que encontrar o nosso meio termo. Exercitar: isso dá, isso não dá, isso posso tentar, isso não aguento agora, mas tem que começar algum dia

Doctor Marte diz:

Esse tal de equilíbrio como é difícil de encontrar

Thaisa diz:

não é nem equilíbrio porque parece q vc tá naquele estágio o tempo todo Zen. Tem dias que to loca-loca, mas bem. Tem dias q sou cordial e to uma merda

Doctor Marte diz:

Eu também. Amiga..

Thaisa diz:

eu falo demais né?

Doctor Marte diz:

Não. Tá se sentindo rejeitada? Pára de se desculpar

Thaisa diz:

eu to até rindo da nossa conversa, com nosso aconselhamento mútuo e virtual. Falo para vc para que eu tb escute, como num eco

Doctor Marte diz:

A gente sempre dá um jeito de discutir essas coisas. A gente se fortalece. Um dia um tá mais fraco que o outro...

Thaisadiz:

solidão compartilhada deixa de ser solidão. Faça tudo bem

Doctor Marte diz:

muita luz e paz pra vc também. E não perca seus projetos de vista

Thaisa diz:

Sim, claro. Hj e amanhã sempre juntos