terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Encontros e reencontros da alma


Essa vale a pena lembrar...Eu estava no meio da minha graduação em 2002, quando passei pela minha segunda grande desilusão com o primeiro amor. Imaginem! Estava completamente desolada, não queria comer e anisava ocupar minha cabeça com qualquer coisa. Era a época da militância partidária-estudantil. Fui para capital ficar junto com os "companheiros". Transformar minha dor em algo produtivo. Ou quem sabe, menos doloroso, ou quizá estabelecer contato, mesmo que indireto, com o meu "algoz", que também era militante, ou anarco-sindicalista como era tachado.


Minhas mãos e minha alma sempre divagaram pelas palavras e pelas poesias. Foi quando na UFPB acabei conhecendo Lúcio Lins. Quando me foi apresentado, não houve nenhuma pompa e circunstância, ou seja, nenhum "salamaleque":

- Esse é o professor Lúcio.


Ok! Sentei ao lado dele junto com outra companheira e como carrego desde cedo o hábito terrível de ter sempre a mal um livro, dessa vez estava desprevenida. Havia um livro ao meu lado, meio que jogado num banco de cimento. Foi quando o peguei. Nem pedi licença, não perguntei de quem era ou coisa assim. Fui foliando "Perdidos Astrolábios" e nem me dei conta que o autor do livro era o dito professor que me foi apresentado. Sem nenhuma cerimônia, como costumeiramente costumo fazer, pedi um pedaço de papel e um lápis para guardar alguns versos que me tocaram bastante. Ele então me disse, com jeitão galanteador que se sentia honrado em me dar aquele livro de presente. E na decicatória consta:"Para Thaisa pelo gesto de ler e tentar guardar alguns versos. Com o meu abraço bem forte" E o número de celular dele, claro...os poetas...


Até então, eu não tinha entendido o porquê. Foi então, que ele abriu o livro e me fez um dedicatória e a partir daí associei nome/pessoa. Fiquei morta de vergonha em querer copiar uns versinhos num pedacinho de papel. E exultante de felicidade por ter ganho um livro e de forma tão lisongeira. Eu o tenho até hoje e li e o reli várias vezes.


Hoje ele não está mais entre nós. Seu valor é indiscutivelmente reconhecido. Poderia ser mais, claro.Entretanto quando me deparei com a música "Memórias das Águas" de Adeildo Vieira e ouvi a declamação do poema de Lúcio Lins com esse mesmo nome, a felicidade daquele momento me veio de forma vivaz. Foi um encontro e reencontro de almas poéticas. A minha "pobre alma juvenil" e a de Lins, em seu brilhantismo poético. E hoje, alguns anos depois, a felicidade é arrematada com a bela música em som do belo fado típico de Portugal orquestrado por Adeildo Vieira.

"Não tenho horizontes
Tenho sonhos a vela
E a tempestade da história
Não tenho mapas
Tenho cartas anônimas
E os gritos de seus náufragos
Não tenho mares
Tenho a garganta seca e as palavras navegáveis
Sou um porto de emoções
E o cais, meu coração,
Tem outra história ancorada
(Lúcio Lins)
LINS, Lúcio. Perdidos Astrolábios. 2 ed. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2002

“Sei do mar, do seu sal, suas palavras naus
E toda a paisagem uma vista de Portugal
Sei do mar, do seu sal, suas palavras naus.
E de toda a paisagem uma vista de Portugal
Sei do mar, do seu longe,
Suas histórias mangues
E o barulho das ondas uma linguagem lusitana
Sei do mar, que o mar ainda é um silêncio.
E a palavra mar um oceano de palavras
Sei do mar, que o mar ainda é um silêncio.
E a palavra mar um oceano de palavras”

(Adeildo Vieira)


Vocês lembram daquela atividade que a professora de português da escola passava, perguntando:


- O que vocês entenderam do poema?- e nesse caso específico- Desse poema/música?


Posso dizer que sou "desordenadamente" pacional e minhas emoções não tem mapas, nem destinos prescritos. Ás vezes algumas palavras de amor e/ou de morte. Para mim a palavra é uma arma.


Meu único guia é o desejo e as próprias dores e riscos de não ser desejada, nesse mar sem fim que é a vida, a alma e o sentimentos. Apenas navego. Me perco. Me encontro. Nem perco, nem me encontro e sempre levo no coração a autoria da história da minha vida, assim como a luta da encenação dos que a irremediavelmente querem traçá-la.


Me sinto como o mar: de grande silenciosidade misteriosa, com propriedades relaxante, outras traiçoeiras e reflexivas. Águas levam e trazem lembranças e promessas.


Além de relembrar dos encantos Lusitanos, como assim o fez, o poeta Luiz de Camões com a celébre frase: "O amor é fogo que arde sem se ver". Quem nunca a ouviu e por alguns momentos é até capaz de esquecer por alguns segundos a nossa história de exploração colonial portuguesa? Mas só por algusn segundos... Depois falo mais sobre a poesia dele e eu...


Lúcio Lins

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