sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

É para rir ou chorar?


1)Como ainda não conheço todos os meus novos gestores e hoje estava trabalhando praticamente sozinha, enquanto o hall da recepção estava quase um pandemônio de gente pedindo informações e coisas assim, entra uma mulher que não dá nem bom dia e tenta abrir a sala fechada dos superiores. Eu:
-Senhora, sinto informar, mas a pessoa que procura está viajando posso ajudá-la?
-Essa é fulana, mãe do gestor - a auxiliar
Depois da garfe me desculpo, me apresento, digo minha função e digo que não conheço todos da pequena cidade. A pergunta seguinte:
- Você é de Campina? A qual família você pertence?
Me senti no feudalismo onde minha honra era medida pelos títulos de nobreza da minha família. Um tanto aturdida com aquela pergunta a única coisa que me veio a cabeça foi:
- De uma família comum, normal, sem tradição nenhuma...Filha de Maria de Fátima Clementino e Jonas de Almeida?- nesse momento eu perdi a certeza de qual era realmente a pergunta e se aquela era a resposta desejada.
Fulana insiste:
- Qual o sobrenome mesmo?
Entã me repeti e a mesma:
- Ah! Eu não conheço.
Quase que dizia: "Que novidade! Descobriu o Brasil."

2) No meio do expediente a mesma me diz uma pérola tipo: "Você sabe. Você é capacitada, para ser professora temos que usar o que há na comunidade".[O que ela quis dizer? Que para ser professora não é preciso muita qualificação? É assim que se valoriza a categoria, a comunidade ou os cidadãos? Para ser professor não é preciso muita qualificação, é isso?]

3) Fala posterior da mesma:
- Vamos trabalhar com umas dinâmicas para levantar a auto-estima... (Jesus não me chicoteia... porque todo mundo acha que a gente é animador de festa hem? Que só faz dinâmica, nam...)

4) Para encerrar o dia, a mesma ao entrar e sair como um louca esbaforida, tira na recepção o casaco para ir embora . Ao ir desligar as luzes pelo "consumo com responsabilidade" no mesmo local da sua partida vi entre as cadeira algo preto. Pensei num lenço e de quem seria. Ao ir pegando e desdobrando o tal pano percebi que era uma calcinha. Como não sabia se estava limpa ou suja, por via das dúvidas meus dois dedinhos a lançaram no balcão e a auxiliar começa a rir ao dizer que era da "nobreza".
- Assim, como eu não tinha certeza se estava limpa ou suja, põe num saquinho e entrega na segunda para a vergonha ser menor - disse.
Ela riu e disse que não averiguou profundamente, mas parecia limpinha.
- Eu sei lá - e rimos.
Ah se esse evento tivesse acontecido antes, diria:
- Sou de uma família que a gente toma cuidado com a nossa roupa íntima. Elas não ficam por aí...
Mas...

5) Por falar em roupa íntima, a minha criação foi tão "caxias" que quando viajo tenho vergonha de lavar minhas calçinhas e colocá-las no varal alheio ou de usar um baby dool curto na casa dos outros. Sempre ouvi que a maneira como a calcinha é lavada e fica no varal revela o tipo da moça de família que se é e que roupa de dormir na casa dos outros tem que ser cumprida porque senão não se era moça de família. Aff!Nam!

6) Jogando ainda conversa fora durante o dia de chuva veio a tona medos de chuva, de trovão, de relâmpago... E eu falei do meu medo de galinha (pois é!), mas que encarava legal desde que estivesse cozinhada, amarrada e sob o domínio da faca de um açougueiro. Relembrei:
  • quando tinha 8 anos e minha mãe mandou uma senhorazinha do sítio que visitavamos me dar uma galinha para que levassemos para casa e ao me virar a senhorazinha jogou uma galinha preta se debatendo amarrada em cima de mim, enquanto eu gritava; quando minha bisavó levou uma "carreira" de uma galinha choca (segundo contam);
  • quando derrubei minha mãe em um balaio de batata enquanto um senhor na feira vinha com um cabo de vassoura cheio de galinhas amarradas e passou por mim; l
  • Do ataque do frango da vizinha que entrou na minha casa quando tinha 14 anos e saiu correndo atrás de mim até me deixando acuada num canto de parede encolhida e chorando (uma cena ridícula, mas verdadeira); l
  • Do reveillón de 2006 para 2007 que ao comemorar na casa de conhecidos, havia no terreiro da casa um poleiro com um galo maior do que eu ( e olha que tenho 1, 73) enquanto todos comiam, bebiam e viam shows de Rock. Fui dormir antes da meia noite no carro. Era demais para mim. Foi trash! Enfim, hoje cresci e a galinha olha para mim e eu olho para ela e mantemos distância para nossa segurança, mas não me deixou intimidar e dividimos o mesmo território. Galinha boa é galinha na panela.

7) No fim do dia, vi umas garotas fazendo tipo um rolinhos no cabelo com linhas coloridas. Ai lembrei da tracinha que fiz com uma parte do cabelo da nuca com pedrinhas eu adorava aquele enfeite. Até que um "trombadinha" quando saia da escola a puxou e fiquei com tanto medo que ao chegar em casa a retirei. Não é que me deu vontade de fazer aquela trança com linhas? Meu cabelo está em Natura mesmo... Ainda fui buscar minha rasterinha novinha no sapateiro que depois de um tropeção ficou por um milímetro de arrebentar no entre dedos. E sabe que o sapateiro fez? Ao invés de abrir a sola e fazer o trabalho, empurrou o talo do entre dedos para dentro do buraco e reforçou com um quadrado de couro em baixo do solado. Sabe um trabalho de "catchigoria". Pois foi: um trabalho porco que parece remendo em roupa velha ou cliclete pisado. Mas tenho uma solução: só é não cruzar as pernas da esquerda para direita e pelo menos vai dá para terminar de pagar a sandália com alguma "justiça". Jesus acenda a luz!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...