quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Um dia de Magaiver



Lembram daquele seriado da globo com o personagem Magaiver? Pois é, foi o que mais ou menos vivi de terça para quarta-feira. Meu kit: mochila, algumas cicareles (cerveja de 500 ml), um necessáire com hidratante, absorvente diário, sabontete esfoliante de mel do ano novo, escova e pasta de dentes, elásticos para o cabelo, celular, carteira de estudante e por fim R$ 50,00 e cartão de crédito para emergência.


Embora minha vontade desde manhã era ficar afogada na cama. Minha irmã siamesa liga dizendo que chegou de Juazeiro da Bahia com todo o kit "afasta olho gordo": sementes, mensagens, carranca etc...Pulei da cama e fui. Havia oito cicareles na geladeira como sobra de Natal. Bebi quase todas do estoque. E filosofei e reclamei da vida, blá-blá. Mas ia ser um dia como outro qualquer com direito a filmizinho e fazer a festa de doces depois. Sim, porque para mim, cerveja sem doce não tem graça.

Quase as oito da noite nosso irmão siamês liga soluçando, coisa que ele nunca fez. Como sabiamos que ele estava passando por um momento difícil, tentamos conversar, saber detalhes, mas ele não dava uma palavra. E o que você faria numa situação dessa? Desligava o telefone e esperava o dia amanhecer para ligar e saber como estão as coisas ou iria resgatar?

Quem me conhece sabe que fui pela opção B: "O Regate do Soldado Ryan". Nossos passos:

  1. Pegar as mochilas com o que tinha dentro;
  2. Tentar curar a ressaca em dois tempos enquanto articulavamos um carro para chegar na rodovíaria e outro em Cabedelo, onde ele estava;
  3. A irmã viajava cheia de cremes para hidratar o cabelo.
  4. Tomar um comprimido para viagem na rodô não identificado para enjôo, mas a cabeça continuava rodando;
  5. Lá em jampa pegamos outro carro às 10 da noite e simulamos que estávamos resgatando-0 não porque ele estava se sentindo mal, mas para ir a uma festa; Peguei a mala, os celulares, o travisseiro de penas de ganso (podre de chique né?) Enquanto minha outra irmã empurrava dentro do carro como num sequestro...;
  6. Os burburinhos:

- Isso é um resgate? A dona da verdade

- Nada. Amanhã ele volta. A gente vai só curtir à noite. - eu

Saindo do edifício com ele descalço e atordoado, a dona da verdade disse-me:

- Você não tem o direito de fazer isso.

Pensei em dar uma bela resposta mal-criada a lá CHE GUEVARA, tipo:

- Não estamos falando de uma propriedade com direitos e sim de uma pessoa. E mesmo se assim fosse, ele teria o direito de ir e vir.

Mordi minha língua e dei uma de beba doia:

- Mas o que foi?

Dentro do carro a simulação acabou, afinal, ninguém estava mais bebado, mas minha consciência pesou:

Até quando vou tomar decisões/resgatar os outros? Que direito tenho eu de fazer isso? Não me arrependi do que fiz. Sempre que me pedirem resgate, direta e indiretamente, eu o darei. Mas é preciso pensar mais antes de fazer. Sou muito intensa e impulsiva, portanto, vivo para matar e para morrer.

Resumo da ópera: dormimos num puteiro em Jampa bem baratinho porque a grana estava curta. De madrugada a profissional do sexo brigava por dois reais e minha irmã catava as moedas para jogar na cara dela de raiva peal hora e pela insônia. Ela ainda teve todos os ataques de TOC (transtorno obcessivo compulsivo) por causa da suposta falta de limpeza do lugar; as seis da manhã já estávamos tendo uma DR (discussão de relação); pegamos em seguida o busão de volta para Campina Grande e nosso irmão, mesmo chorando, decidiu voltar para enfrentar a situação de frente porque se sentia responsável pelas pessoas que o machucram. É mole? Pensei naquelas mulheres que apanham e voltam para conversar civilizadamente com o marido se sentido culpado...mas cada um é cada um.

Ao voltar, a irmã ainda teve uma crise de pressão baixa por causa do TOC e o irmão voltou ao real cativeiro para ser chicoteado, ou não...Tivemos ainda que abrir a porta do apartamento da irmã com uma carteira de estudante e dois tic-taques para cabelo. MENINOS EU VI! E não é que o arrombamento funcionou?

Estou aqui viva e me pergutanto se devo ligar o foda-se para os problemas dos outros, ou pelo menos não querer mudar o mundo como numa revolução. Me pergunto: o que outros fariam? Eu, por hoje, disse a ele e a mim que: Não me importa quem me ama e quem me odeía, apenas não vou seguir mera conveniências para não magoar A ou B.


"Eu não ligo pra conchavos


Eu não gosto de maus tratos


Mas o que eu não gosto é do bom gosto


Eu não gosto de bom senso


Eu não gosto dos bons modos


Não gosto


(...)


Eu não ligo pra etiqueta


Eu aplaudo rebeldias (...)"


(Senhas- Adriana Calcanhoto)



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...