domingo, 25 de janeiro de 2009

Vidas paralelas



Como sempre pode ser real, ficção ou mera coincidência.

VIDAS PARALELAS
Quase todos os dias o mesmo ritual, como o chá das cinco na Inglaterra. As duas se encontravam e conversavam sobre o dia, ou os dias que se passaram: as angústias, e as euforias; as tristezas e as alegrais; as vitórias e as derrotas.

Mas o incrível desse cômplo, enlaçado pela amizade, tenha um probleminha: uma sempre parecia bem mais aventurada do que a outra. Não que não passassem pelos mesmos conflitos e dilemas. Fossem existenciais ou cotidianos. Entretanto, uma delas era particularmente "bem aventurada".

Cada derrota era precedida de uma vitória, por menor que fosse. Nossa! Impressionante. Um pequeno presente nos momentos mais difíceis sempre é bem vindo. O sabor da vitória ou do presente para uma era para outra o dissabor, o lodo viscoso e escondido nas relações: a inveja. No entanto, não se tratava de pura e simples inveja e sim de perguntas que ruminavam em sua cabeça: "Por que não eu? Por que não acontecia com ela também?"

Cada derrota e vitória consecutiva de uma era apenas apreciada pela outra com todo carinho e cheio de porquês: "como andava rápido a vida dela?E a sua?"

A dela? Parecia perdida, a deriva, parada. Uma era telespectadora da vida da outra, como numa novela.No momento em que pensava aquela relação rica de amor, amizade e com a inveja a espreita era hora do almoço. Foi quando percebeu melhor o garfo e a faca que estavam em cima de sua mesa.

Diferentes, complementares e em paralelo... Um fazendo parte da da rotina do outro, da vida do outro. Embora fosse o garfo que explorava o mundo, os pratos, as panelas e a boca. A faca, por sua vez, abria caminhos, cortava, apoiava, auxiliava o garfo a cumprir seu destino, para que em fim pudesse descansar em cima da mesa, esperar e assistir o garfo explorar.

Seria ela uma faca na vida? Sempre reservada a assistir ao destino do garfo? Estaria destinado a ela uma vida em paralelo...


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