sábado, 28 de fevereiro de 2009

Mais uma dos memes



Como funciona?

Assim ó:1.


  1. Linkar a pessoa que te indicou;

  2. Escrever as regras do meme no seu blog;

  3. Contar 6 coisas aleatórias sobre você; (abaixo das regras);

  4. Indicar mais 6 pessoas e colocar seus respectivos links;

  5. Deixar a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário;

  6. Deixar os indicados saberem quando você publicar sua postagem.


Sobre mim:


  1. Adoro coisinhas de pessêgo, principalmente um suco da marca Maratá que parece pessêgo em calda passada no liquidificador de tão real que é o sabor e isso lembra minha infância;

  2. Detesto quem me reprime quando quero falar alto, dizer baixaria, palavrão...Porra! Que saco! O povo faz um monte de merda eu apoio e quando é comigo: "você está falando alto demais. Acho que você exagerou nos comentários...VAI SE FUDER! Quantas regras para se viver...e num tem descanso não é? É um campo de concentração?

  3. Adoro comer;

  4. Detesto ser gordinha;

  5. Queria ser sexy;

  6. Queria me libertar de meus vícios de comportamento que tanto me incomodam.

Indicar? Concordo com Jad que essa é a pior parte:


  1. Cris;

  2. Patrícia

O resto fico devendo...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sendo sincera comigo



  1. Eu não consigo ficar perto por muito tempo de ninguém. Mesmo quando saio com os amigos eu sinto a necessidade de voltar para casa e ficar só. Acho que um intensivão de gente convivendo, como num BBB por uma semana, é o auge para mim. Sou muito de relevar coisas que na minha percepção parecem "tronchas", mas chega um dia que enche o saco e destesto ser indelicada com alguém. Tipo destesto DR (discussão de relação) por merda;

  2. Mesmo com o povo da minha casa, quando encho o saco deles, me refugio na casa de uma amiga, por no máximo um ou dois dias. Ou então, vou dormir;

  3. Não quero ser expectativa para ninguém. Ando sem tesão com a vida. "Susan procura", no meu caso, tesão por algo, portanto, não me exijam nada. Não me coloquem no canto da parede. Não peçam decisões. Tracem seus caminhos e se algo for me magoar, nesse momento, está valendo "o que os olhos não veêm o coração não sente" e ponto.

  4. AGORA PRECISO ARRUMAR O MEU/NOSSO QUARTO, MEU E DO MEU IRMÃO, QUE JÁ ME INTIMOU DIANTE DO CAOS...OK!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Amo tudo isso (parte III)

Tudo bem, que as folhinhas de bandeija do Mac estão ficando cada vez mais repetitivas, mas essa semana, depois de um shake, não poderia faltar o momento AMO TUDO ISSO...

Amo muito Carnaval
(quando estou brincando, claro)

Amo muito brincar nas férias
Amo muito fadinhas

Amo muito esportes esquisitos


Amo muito experiências científicas


Amo muito óculos escuros

Amo muito paquerar
(a fase mais gostosa de uma relação)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Meu percurso erótico até Marquês de Sade

René Magritte



I- O EROTISMO EM CARRARO

A primeira vez que li um livro erótico foi mais ou menos aos 14 anos quando tive caxumba e fiquei de cama. Como meu irmão era recém-nascido, tive que sair de casa hospedar-me na da minha avó Hitler até a minha recuperação.
Como já tinha lido tudo que tinha trazido de casa, foi lá que encontrei uns livros de bobeira que nem ela sabia do que tratavam já que ela não é muito afeita a leitura. Pois é, lá encontrei os livros de Adelaide Carraro. Resumindo sua obra: que bicha podre! Eu não sei quem era mais podre: ela que escreveu, eu que li ou minha parenta que comprou sua coleção quase inteira. Basicamente o livro narrava cenas inteira de sexo, onde se misturavam luxuria, poder e submissão. Vocês tinham que ver a cara da minha parenta quando minha avó disse que eu estava lendo os livros dela. Era uma cara de medo, espanto, tipo: “E agora Bial? O que é que eu faço me revelo e faço a advertência de que a leitura é imprópria para menores ou fico na intuca [já que fazia a pose de santa e casta]”? Adivinhem o que ela preferiu?
Um livro dessa autora sem nenhuma conotação sexual foi “O Estudante”, sua obra mais reconhecida que relatava o fato verídico do envolvimento de um jovem com as drogas. Imaginem as ironias da vida... No ano seguinte vi Adelaide Carraro na lista de paradidáticos da escola pensei: “Sim. Quem não te conhece que te compre...” Entretanto, não posso negar que me diverti muito lendo os livros dela. Acho que a curiosidade falava mais alto. Não se tratava apenas de tesão, mas principalmente de transgressão, ou pelo menos eu acho. Quando era que ia ter acesso a livros sujos como aquele, numa criação vitoriana, onde tudo é feio, sujo e pecaminoso? Eu lia e ria muito. E morria de medo também que alguém me pegasse com a “boca na botija” sobre o conteúdo daqueles livros...

II- O EROTISMO DAS REVISTAS

No primeiro ano do ensino médio incitei as meninas da minha sala a ver a Playboy em que Adriana Galisteu se depilava. Todos os meninos comentavam. Até que juntamos um grupão de meninas, negociei a revista com um dos meninos da sala e fomos todas para o vestiário que havia no banheiro das meninas. Lá estava a turma em peso, rindo e comentando. Ao sairmos do banheiro todos os meninos de nossa sala sabiam da história e ficaram no primeiro andar da escola dizendo que a gente estava fazendo “sabão”. Helloow!Se naquela época já nos era difícil encontrar uma revista de nu feminino, imagine masculino? Era quase impossível. Tudo bem. Levamos todas na esportiva porque era a sala em peso que estava no vestiário.
Quase aos vinte pedi para que meu namorado na época comprasse aquelas revistinhas japonesas, mangar erótico. Eu ganhei três porque eu não tinha nem coragem de comprar. Eu não sabia se meu riso era nervoso e, portanto, reativo ao meu desejo reprimido, mas confesso que porcos fazendo sexo com mulheres dominadas, para mim, ainda era estranho.
Depois disso eu mesma escrevia meus contos eróticos, mas cheio de romantismo, cenas de aventura, mas sem detalhes quanto à cena. Como eu era pudica... Depois de formada, aos 24 anos, foi que tive acesso a minha primeira revista de nu masculino, eu não sabia se olhava ou ficava ruborizada, enfim: vô ou não vô? Como era engraçado. E ensaiei ver um filme pornô, mas via com os olhos de uma cientista: Que coisa sem graça! De repente um entra e outro sai...Não dava para imaginar era muita “meteção”

III- O EROTISMO EM MARQUÊS DE SADE

O meu primeiro contato com Marquês de Sade foi por meio de um livro fruto de uma tese de doutoramento da UFRJ intitulado “Bruxas, Prostitutas e Donas de Casa”. O pesquisador fez uma pesquisa antropológica sobre a prostituição e no meio do livro havia gravuras de Sade, sobre as quais me contorcia para entender tamanho bacanal. Uma frase desse livro que nem ficha catalográfica tinha, apenas a referência sobre a tese de doutoramento na UFRJ, marcou-me: as donas de casa e as prostitutas possuem algo em comum. Enquanto as donas de casa dão aos seus maridos em hora marcada e de graça, as prostitutas dão por prazer, dinheiro, a qualquer hora e em qualquer lugar que assim desejarem
Em sequencia meu alvo foi o filme “Os Contos Proibidos de Marquês de Sade”, no qual se retrata um pouco da sua vida e obra marcada pelo erotismo, a libertinagem, o sadismo e a loucura desse ator. Já ali minha imaginação divagava...
Enfim, hoje aos 28, reencontro-me com o mesmo Marquês num livro. O gozo pleno, considerando-se que hoje sou bem menos pudica do que aos 14 ou aos 24 anos. Ao contrário da Carraro, ele usa o estilo erótico para falar sobre moral, política, religião e claro, sexo. E não tem nada mais excitante do que um mix dessas coisas, de teoria e prática, já que o livro revela-se um verdadeiro manual descritivo sobre posições e práticas sexuais, servido de algumas ilustrações de verdadeiros bacanais, bem como de um discurso revolucionário contra a religião e a moral que aprisiona a liberdade. Ulalá!
“Filosofia de Alcova” de Marquês de Sade é um livro baseado numa dissertação de mestrado em Filosofia pela universidade da USP e deixa mais do que claro um dito popular: “é preciso ser uma lady na sala e puta na cama”. Inclusive o mesmo autor por meio de uma de suas personagens trata a putaria como uma arte. Comentando com minhas amigas popularizamos para a arte da raparigagem...
Sade foi preso onze vezes, internado como louco e apresenta em seu sistema um escrita no qual romancismo erótico está atrelado à crueldade, à profanação e à violência. Considerado como um herdeiro da “libertinagem erudita” do século XVII, que precede e prepara a figura do filósofo iluminista, “Sade nos faz sonhar, a despeito de toda a crueldade. A essência desse “mal” é uma inversão de valores que visa, em última instância, transformar seu mundo em outro que ele acreditava melhor” (BORGES, 2003:218).
“Sua obra inteira é construída, seja para celebrar o prazer, seja para atacar tudo aquilo que de alguma forma se interpõe entre o indivíduo e sua felicidade. Nesse sentido, o que se vê em Filosofia na alcova é uma educação pelo avesso. Uma “deseducação” em que os costumes e a religião são desqualificados de suas funções seculares de tornar os indivíduos felizes. Não conseguiram, pensa Sade. Jamais conseguirão porque seus princípios estão assentados em bases falsas. Deus não existe e a virtude é uma quimera” (BORGES, 2003:215).
Pertecente a corrente filosófica simétrica e oposta ao sentimentalismo marcado pelas obras de Rosseau, na quais o homem nascia bom e o meio o corrompia, bem como o coração é o órgão dos sentimentos e das paixões, Sade era materialista e invocava um “retorno a natureza”: substituir por meio do discurso revolucionário substituir a justiça e a liberdade conquistados com a revolução francesa pelo despotismo da libertinagem. “Em Sade, razão e natureza andam juntas como, no outro extremo, no coração dos virtuosos, irmanam-se sensibilidade e religião” (BORGES, 2003:222). Seu objetivo era “fazer da palavra libertina um instrumento de transformação política onde o erotismo se torna o centro do poder e do desejo individual suas bases de sustentação” (BORGES, 2003:242).
O excesso, marca principal de suas ações, intenciona o desejo de excerde-se a si mesmo num desejo de transgressão permanente. A utopia de sua revolução impraticável, trazia à literatura sadeana a separação do real, a vingança no espaço de sua realidade absurda “(...) criando um mundo às avessas, como um espelho de imagens retorcidas em que, no entanto, o homem contrafeito parece belo, o gozo triunfa e a felicidade é possível” (BORGES, 2003:246).
Algumas citações do diálogo que Sade estabelece entre seus personagens:

“EUGÉNIE –(...) Mas por que tantos espelhos?
SAINT-ANGE – É para que repetindo as atitudes em mil sentidos diversos, multipliquem ao infinito os mesmos gozos aos olhos daqueles que desfrutam nesta otomana. Por este meio nenhuma das partes de um corpo ficará velada: é preciso deixar tudo à vista; são tantos grupos reunidos em volta daqueles quadros deliciosos com que sua lubricidade se embriaga e que servem em breve para completá-la” (SADE, 2003:30-31)”;

“EUGÉNIE –(...) O que entendes pela expressão puta?
SAINT-ANGE – Lindinha, chama-se deste modo às vítimas públicas do deboche dos homens, sempre prontas a se entregar ao temperamento deles ou ao seu interesse. São felizes e respeitáveis criaturas que a opinião difama, mas a volúpia coroa; e que bem mais necessária à sociedade do que as recatadas, têm a coragem de sacrificar, para servi-la, a consideração que esta sociedade ousa lhes trar injustamente. Vivam as que se sentem honradas como este título! Eis as mulheres verdadeiramente amáveis,as únicas filósofas de verdade! Quanto a mim, minha cara, que há doze anos trabalho para merecê-lo, asseguro-te que, longe de me escandalizar, ele muito me diverte. Ou melhor: adoro que me chamem assim quando me fodem. Esta ofensa ferve-me a cabeça” (SADE, 2003:36-371)”;


DOLMANCÉ –“(...) é do seio de uma puta judia e no meio de um chiqueiro que se anuncia o Deus que vai salvar a terra” (SADE, 2003: 40);

DOLMANCÉ –“(...) Palavras como vício e virtude só nos dão idéias puramente locais. Não existe nenhuma ação, por mais singular eu se possa supor, que seja verdadeiramente criminosa, e nenhuma que possa realmente se chamar virtuosa. Tudo se dá em razão dos nossos costumes e do clima em que vivemos” (SADE, 2003: 46);


SAINT-ANGE – (...) O destino de uma mulher é ser como a loba e a cadela, pertencer a todos os que a desejarem. É visivelmente ultrajar a destinação que a natureza impôs às mulheres, atando-as destinação que a natureza impôs às mulhere, atando-as pelo laço absurdo de um himeneu [casamento] solitário. (...) Que a moça se empenhe em encontrar uma boa amiga que, livre e na sociedade, possa fazê-la gozar secretamente os prazeres; na falta disso, que ela procure seduzir os Argos que a rodeiam; que lhes supliquem para a prostituírem prometendo-lhes em torça todo o dinheiro que puderem obter com sua vendam ou que esses Argos,eles mesmos, ou mulheres denominadas de alcoviteiras, preencham logo os propósitos da jovem. Que ela jogue poeira nos olhos de todos os que a cercam: irmãos, primos, amigos, parentes; que se entregue a todos, se necessário para encobrir sua conduta.” (SADE, 2003:48-49)”;

DOLMANCÉ–“(...) A imaginação é o aguilhão dos prazeres. Em gente dessa espécie, ela regula tudo, é o móvel de tudo; ora é por ela que gozamos? Não é dela que nos vem as volúpias mais picantes?”
SAINT-ANGE – (...) A imaginação nos serve quando temos o espírito absolutamente livre de preconceitos: basta apenas uma arrefecê-la. (...) Ela é inimiga da regra, idolátra da desordem e de tudo o que leva as cores do crime. Eis de onde vem a singular resposta de uma mulher de imaginação que fodia friamente com o marido: - “Por que tanto gelo?” – perguntou ele. – “Oh realmente,” – respondeu essa criatura singular, - por que PE muito simples o que fazes””. (SADE, 2003:61);

DOLMANCÉ –“ (...) Se a vossa Eugénie, entretanto, deseja algumas análises dos gostos do homem no ato da libertinagem para examiná-lo mais sumariamente, nó o reduziremos a três: sodomia, fantasias sacrílegas e gostos cruéis. A primeira dessas paixões é hoje universal. (...)Evitai o bidê ou limpar com pano quando acabardes de foder dessa forma: é bom que a brecha esteja sempre aberta; disso resultam desejos, titilações, que os cuidados com a limpeza imediatamente anulam”. (SADE, 2003:75;

“(...) Não nos contentemos em quebrar os cetros [Sade referindo-se a queda realeza e o período do Terror na França]; pulverizemos para sempre os ídolos(...)Sim cidadãos,a religião é incoerente com o sistema de liberdade; já o sentistes.(...) Deixemos de acrditar que a religião possa ser útil ao homem. Tenhamos boas leis, e passaremos bem sem a religião (SADE, 2003:130);

“ A ignorância e o medo, ainda direis a eles, são as duas bases de todas as religiões...”(SADE, 2003:134);
“(...) pois se a natureza nos dita igualmente vícios e virtudes devido a nossa organização, ou mais filosoficamente ainda, devido a necessidade que ela tem de ambos, o que ela nos inspira torna-se uma medida muito incerta para regrar com precisão o que é bem e o que é mal. (SADE, 2003:137);


“Quero que a elas também seja permitido, côo aos homens, o gozo de rodos os sexos e de todas as partes de seus corpos. Sob a cláusula especial de se entregarem do mesmo modo a todos os que a desejarem, que elas tenham a liberdade de gozar igualmente de todos aqueles que julgarem dignos de satisfazê-las” (SADE, 2003:152).


“Que todos aqueles que nos rodeiam só se ocupem de nós, só pensem em nós, só cuidem de nós. Se os objetos que nos servem também gozam, ei-los mais ocupados consigo próprios do que conosco, e consequentemente nosso prazer será prejudicado”(SADE, 2003:176)


“O ato de gozar é uma paixão que subordina todas as outras e que reúne todas ao mesmo tempo. Saber ouvir a natureza, portanto, é ouvir a si próprio. Que se ouça então o borbulhar do sangue, que se atenda aos apelos dos “espíritos animais”, estes agentes da luxúria fisiológicos da luxúria em sua irrefreável operação de gozo”. (BORGES, 2003:222).

Guardei uma última citação desse livro para tecer alguns breves comentários. Sem a pretensão de ser uma especialista na filosofia sadeana e tentando me desvencilhar de meus valores morais, acredito que aqui e acolá ele desliza num certo machismo, abrindo exceções de igualdade ao homem as mulheres libertinas. Sem contar que essa última citação de Sade corrobora o que o alemão Reich afirma em seu livro “Revolução Sexual”: ao estarmos cientes de que o ato sexual objetiva o prazer e não a procriação, a idéia de fidelidade embutida no casamento cai por terra e com ela a pretensa necessidade de manter não só essa instituição, o casmaento, como a propriedade privada, base do capitalismo.

“Jamais um ato de posse pode exercer-se sobre um ser livre. É tão injusto possuir exclusivamente uma mulher quanto possuir escravos. Todos os homens nascem livres, todos são iguais em direito; não devemos jamais perder de vista estes princípios. A partir disso, não se pode, pois, jamais conceder direito legítimo a um sexo de se apoderar exclusivamente do outro; e jamais um desses sexos o uma dessas classes poderá possuir o outro arbitrariamente. (...) E todos os laços que podem prender uma mulher a um homem, de qualquer espécie que podeis supô-los, são tão injustos quanto quiméricos” (SADE, 2003:149).

MARQUÊS DE SADE. A Filosofia na Alcova ou Os Preceptores Imorais. Tradução, posfácio e notas Contador Borges. 3 ed. São Paulo: Iluminuras, 2003. (Coleção Pérolas Furiosas)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Pobre Cocozinho


Faz mais de dois anos que li esse conto e não consegui esquecê-lo...

O Pobre Cocozinho

Era uma vez um cocô. Um cocozinho feio e fedidinho, jogado no pasto de uma fazenda. Coitado do cocô! Desde que veio ao mundo, ele vinha tentando conversar com alguém, fazer amigos, mas quem passava por ali não queria saber dele:

- Hum! Que coisa fedida! - diziam as crianças.

- Cuidado! Não enconstem na sujeira! -avisavam os adultos.

E o cocozinho, sozinho, passava o tempo todo cantando, triste:


Sou um pobre cocozinho

Tão feio, fedidinho

Eu não sirvo para nada

Ninguém quer saber de mim...


De vez em quando ele via uma criança e torcia para que ela chegasse perto dele, mas era sempre a mesma coisa:

- Olha a porcaria!- repetiam todos.

Não restavam nada para o cocô fazer, a não ser cantar baixinho:


Sou um pobre cocozinho
Tão feio, fedidinho...


Um dia ele viu que um homem se aproximava . Já imaginando o que ia acontecer, o cocozinho se encolheu. "Mais um vai me xingar", pensou. Mas...Oh! Surpresa! O homem foi chegando, abrindo um sorriso, e seu rosto se iluminou:


- Mas que maravilha! Que belo cocô! Era exatamente disso que eu precisava.

O cocô nem acreditava no que estava ouvindo. Maravilha, ele? Precisando?

Aquele homem devia ser maluco!

Pois aquele homem não era maluco, não. Era um jardineiro.

E, usando uma pá, com todo o cuidado, ele levou o cocozinho para um lindo jardim.

Ali, acomodou-o na terra, ao pé de uma roseira. E, depois de alguns dias, o cocozinho percebeu feliz e orgulhoso, que, graças a sua força, a roseiratinha feito brotar uma magnífica rosa vermelha, bela e perfumada.


PAMPLONA, Rosane. O pobre Cocozinho. In: Nova Escola. AbriL: Rio de Janeiro. (Edição Especial n. 13) p.48, v. 4.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Serviço de inutilidade ou futilidade pública


É incrível como o carnaval em Campina Grande e com chuva consegue ficar morgado...O que me consola é que economizei uma grana para pagar as contas, né? Mas o que pude ver de interessante na vasta programação televisiva, onde o carnaval era tema de tudo? Algumas inutilidade e futilidade públicas "ao som de baterias" e do meu discurso de "quero a morte pelo amor de Deus".



  1. No globo esporte Tulio Maravailha, se não me engano jogador de Góias, elegeu-se vereador e está tentando fazer 100 gols aos quase quarenta anos. A cada gol que faz, ele doa 10 cestas básicas. OOOOOOOOOOOOOOO! Mas ele dobrou porque antes eram apenas cinco. Quanta mudança. Como me surpreende a capacidade de representação desse jogador/vereador;

  2. Não satisfeitos com a associação carnaval e bunda já impregnada aqui no Brasil, a escola de samba carioca Grande Rio trouxe em seu enredo a revolução francesa que atravessa continentes e chega ao Brasil. Um dos símbolos dessa "revolução" foram as dançarinas de can-can francesas, alusão ao cabaré Moulin Rouge, que ao som de:

"MINHA ALMA É TRICOLOR (bandeira francesa)!!

O MEU ORGULHO É MINHA BANDEIRA.


OUI. VOILÁ!!"


As dançarinas mostravam a bunda ao público, passo clássico do can-can. Me pergunto mesmo assim, porque tudo no Brasil tudo termina em pizza e no caso, cabaré importado, putaria e bunda?


3. O que você entende pela seguinte frase:


A banalidade do jogo, referência da saudade, muita coincidência da consciência. Amizade!


Entendo por: A amizade é coincidência da consciência, na qual a saudade desenha a banalidade do jogo.


"Como assim Bial?

4. E para fechar esses primeiros dias de carnaval inútil, apesar dos livros e filmes que tento ver e ler na morgação, o que foi aquilo hem? Aquela cena de ciúme de Mila do BBB com Ralfe? Menina mais um pouco e ela faz xixi no território (nele no caso). Ataque por quê? Ali é uma situação particular, um jogo, onde provavelmente os casais nunca mais se verão.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

Micos, maldades e coisas do gênero


  1. Eu já quase cai da cama dormindo. A minha sorte foi que me segurei numa cadeira perto dela e evitei cair de cara no chão. Entretanto, achei mais ridículo ver um carinha cair da cama;

  2. Já estive num bar chique e "meio lá e meio cá" tropecei num batente da porta de saída e quase sai catando "cavaco" pelo chão. A sorte foi que sentei num canteiro de flores para disfarçar para o pessoal que entrava;

  3. Tomei um porre de uísque aos 15 anos e andei engatinho pela casa até o banheiro. Nossa! Trash! Hoje não aguento nem mais sentir o cheiro de uísque que me embrulha o estômago;

  4. Ao acordar no meio da noite para ir ao banheiro já meti a cara na porta do quarto que ainda por cima estava aberta;

  5. Inventei de "pegar jacaré" com meu irmão na praia e perdi as duas partes do biquíni a beira mar. E fiquei levando caldo das ondas enquanto tentava puxar a parte de cima e a parte de baixo. E fiquei rindo da minha "desgraça" porque é muita burrice "pegar jacaré" com um sutiã curtininha;

  6. Minha mãe Amy quando era criança pegou uma briga na escola pela quantidade de papel higênico que eles estavam pedindo na lista de material escolar. E ainda alegou que eu só tinha um "cu" e que juntando a minha bosta do ano todo não dava aquela quantidade toda de papel. Ela perguntou se era com a minha lista de papel higiênico que iria limpar a escola toda. Para completar o mico veio a crueldade:

- Thaisinha não é para fazer cocô na escola não. O banheiro é sujo e se fizer mamãe tem como saber porque a calcinha vai ficar suja e você vai apanhar - mami.


- Não é não mamãe? - meu eu infante relatado por minha mãe.


7. Toda a minha família tem TOC (transtorno obsessivo compulsivo) por limpeza e meu irmão foi passar um fim-de-semana na casa da minha tia e ela disse que a tampa do lixo tinha que ser aberta com o pé porque tinha bactérias. Meu irmão sem muito treinamento com a nova modalidade de limpeza, contou que ao ir ao banheiro não sabia o que fazer para abrir o balde de lixo. Com as calças nos pés ele numa manobra "Joseph Climber" ficou tentando abrir o sexto do lixo com o pé e se retorcendo (imaginem a cena). Até que decidiu abrir com a mão e depois lavá-las com sabão que é o mais óbvio. Mas até chegar a essa conclusão ele fez muito contorcionismo para colocar o papel higiênico no balde. O "pobe"!


8. O primeiro banho de cuia e balde que meu irmão tomou também no mesmo período na casa da minha tia, foi com água fervida. Acostumado a só ligar o chuveiro e sair a água quentinha, simplesmente foi a chaleira saindo do fogo e a água caindo no balde que ele simples pegou o potinho de margarina, a cuia, para tomar banho e jogou duas caçambas de água fervendo nas costas, até que desisitiu e tomou banho frio no chuveiro. Como descobriu-se essa façanha? Ele saiu vermelho feito camarão do banho e minha tia perguntou o que foi e ele contou. Ela quase teve um troço e ele ficou com as costas dispelando por um tempo. Também tomara!


9. Segunda aula de português após o intervalo, meu irmão cansado de ouvir o blá-blá, ouve um carro de som de longe, tocando uma música de forró e ele institivamente começou a dançar na cadeira. Ao perceber alguns minutos de silêncio na sala ele perguntou para colega ao lado o que tinha acontecido e porque todos estavão olhando para ele.


- Ora! Porque todo mundo viu você dançando em plena aula.

10. Fiquei morta de vergonha quando um guri ficou gritando no supermercado:

- ACTIVIA!ACTIVIA! Mamãe - em plenos pulmões.

Naquele momento foi como se todos soubessem o porquê de tantos iorgutes. Segredo revelado. Que vergonha!


Ai, ai...devem existir outros micos, maldades e coisas do gênero, mas agora não lembro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Joguinho dos memes


Esquema do jogo:

Você diz 9 coisas aleatórias a seu respeito, não importando a relevância.

Sendo 6 verdades e 3 mentiras.

Quem receber o meme, deverá postar nas suas respostas as 3 mentiras do blogueiro.

Quem indicou revela depois (ou não)!!!

Não tem regras especificas para quantidade de blogueiros.vamos lá!! hehehe


1 -Sou independente ;
2 - Sou carente;
3 - Já perdi as contas dos meses em que não tenho um orgasmo, embora faça sexo;
4 - Estou com nojo de beijar na boca;
5 - Estou com depressão;
6 -Penso em me tornar lésbica;
7 - Quero me suicidar misturando remédios com álcool e drogas;
8 - Não quero ser burguesinha, antes morrer junto ao proletariado;
9 - Antes a morte do que beijar um homem sem barba. Ultrasex!;


Verdades e mentiras da Cris:

(em vermelho as possíveis mentiras)

1 - Me chamo Edite;

2 - Canto desde os 5 anos de idade;

3 - Não quero ter filhos;

4 - Já fui casada;

5 - Já fui evangélica;

6 - Detesto dizer a minha idade;

7 - Dou aulas de Música;

8 - Tive derrame aos 14 anos;

9 - Engravidei aos 18 anos, mais abortei...


Não vou indicar ninguém, mas repasso para quem quiser fazer e dizer a verdade, no meu caso não sei se vou responder quais são as mentiras, até porquei aloprei nos itens para dar mais emoção ao jogo...(kkkk)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Quando se é pego de surpresa


Meu amigo dizia uma coisa que achava que era para consolar-me: "Que a vida da gente pode mudar em um segundo".


Fazia tanto tempo que isso não acontecia comigo que quando aconteceu eu nem acreditei. Não sei porque eu sou um tanto São Tomé: Ver para crer. Ou então, porque estou tão acostumada a má notícias que ao receber uma boa não sei pular. Será que eu sempre acho que algo não se realizará? Ou será que é porque nunca acho que é o suficiente para mim? A eterna insatisfação? Sei lá, o tempo dirá. É como se você sonhasse com um jaguar e ganhasse seu primeiro carro usado. Enfim, vai demorar algum tempo para você alcnaçar o que quer, ou então, algo que não seja igual ao que planejou, mas que te faça feliz....satisfeita?
Entretanto, tem algo que é muito forte ainda em mim: "A gente colhe aquilo que planta". E o tempo aê? Não ocnta nessa colheita? Mais tá bom...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Surrealismo

“Allégorie de soie”

Olha que interessante! Lendo a revista Ciência Hoje das Crianças descobri que aquela brincadeira de passar o papel em branco e cada um ir escrevendo a primeira palavra que vier a cabeça era o passatempo favorito dos surrealsitas, um movimento no qual um grupo via o mundo pelo lado de uma outra realidade, dos sonhos, dos desejos, do inconsciente, do delírio e não pelo entendimento racional das coisas.

O grupo incluía poetas, escritores, pintores e cineastas. O espanhol Savador da Dali , por exemplo, na pintura tornou-se um ícone expressivo desse movimento utilizando uma técnica meticulosa aprendida com os acadêmicos para pintar suas cenas delirantes.

"O grupo surrealista davam a esta brincadeira o nome de "Cádaver delicado". Era uma parte da frase formada numa das primeiras rodadadas do jogo: "O cádaver- delicado- beberá vinho novo". Não faz muito sentido? Mas era exatamente isso que eles procuravam: deixar o pensamento fluir livremente, sem qualquer censura. Quanto mais esquisitas as imagens criadas, melhor" (p:23)

KAPLAN, Sheila. Salvador Dali e o Surrealsimo: a arte de pirar. In: Ciência Hoje das Crianças. 2 ed. MEC/FNDE, ano 11 n. 78 p- 21-23

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Paródia da Santa Ceia


Infelizmente a foto não ficou muito nítida e querendo preservar a identidade da designer, autora dessa foto, não coloquei o link no qual a visualização é de melhor qualidade. Resolvi compartilhar essa boa idéia com os meus colegas blogueiros e comentá-la.
Lembrando que, em conversa direta com a autora, a intenção não foi atacar a religiosidade de ninguém, mas fazer um trabalho baseado num fotografo em alta chamado de La Chapellé e seu estilo Glam. Sendo assim, com todo o respeito aos religiosos, mas como vivemos numa democracia e todos tem o direito de expressar suas opiniões, achei arretado.
Ao usar o estilo Glam, segundo a autora da Santa Ceia feminina, a Barbie ao centro é moderna. Foi comprada especialmente para esse trabalho, enquanto as demais discípulas são uma mesma boneca fotografa em diversas poses e/ou expressões. Por sinal a boneca discípula é minha e, portanto, tem pelo menos 15 anos. Ela é a Barbie noiva, mas já sem véu, vestido sem tanto "glamour" e cabelos desbotados castanhos-claros, por causa da ação do tempo.
A Barbie Jesus causa nas demais a cobiça expressa pelo seu brilho ofuscante e rosa, a indiferença com os "olhares" ao léu ou pelo menos desespero expresso com as mãos na cabeça. O banquete ao contrário do pão e do vinho é feito com cavier e champagne. Uma ceia elegante, moderna e cara. Sim, porque para ser Barbie não basta apenas vontade. É preciso investir.
Quantas mulheres não investem e invejam o glamour? Isso não parece um tanto monótono, igual, massificado, sem identidade prórpria?
As Barbies seguem tendências a muitos anos. Incorporam o estilo de uma época. Se em 90, quando ganhei a minha boneca, a noiva era o auge, virada de século XXI, a escolha de sua Barbie continua massificada e paradoxlamente diversificada. Utilizando basicamente os mesmos traços de mulher alta, pernas compridas, de rosto languido e peituda, você as encontra nas versões mais amorenadas, rockeiras, atletas etc.
Qual a criança que não quer e não quis ser uma Barbie? Mas com uma diferença: as meninas estão cada vez mais insatisfeitas consigo, mais parecidas, neuróticas, competitivas e sem falar do surto identidário ante um monte de cremes, plásticas e na luta insana de querer parar a máquina do tempo que há em nosso corpo.
Sem contar que os comentários das colegas designeres localizando-se na foto tornou a idéia da foto ainda mais interessante. Elas foram se identificando no orkut como participantes desse cenário da Santa Ceia Glam e até disputaram papéis:
- Lógico que eu sou a Barbie Jesus! Ela é a mais cara de todas pq tem mais funções tá. A minha boneca vem acompanhada da garrafa de champanhe e do caviar. Os copinhos e a mesa tem que comprar por fora. Infelizmente... E ela tb consegue falar todos os famosos diálogos de Jesus hahahahaahah morram de inveja! Na sua loja de brinquedos mais próxima e pelo mísero valor de R$ 1,99...E lógico que "fulaninha"é a mais chic. É aquele que tá ajeitando os cabelo ali ó. E a "Sicraninha" é aquela que não está nem prestando atenção no que está se passando hehehehe" - A Jesus

- A minha vinha com a famosa escova rosa e dois pares d sapato e o champanhe era meu ta? - Sicraninha
-Tá certo Sicraninha a garrafa era sua mesmo, mas o caviar é meu! - A Jesus
- Fui eu que fiz a foto montagem, portanto eu sou a criadora, sou Deus! - a designer


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Serviço de utilidade pública sexual


Bem, olha a reportagem que descobri na revista Men'a Health que já tinha sido indicado pela minha amiga Jad. Uma de suas matérias é interesantíssima para que os homens tenham noção do que fazer com uma mulher, já que nós não somos "Tinas" (bonecas inflavéis), nem muito menos produtos em conserva de supermercado ou produto de feira. E, principalmente, se as meninas se atualizam para não deixar a peteca cair na hora H, então, que os meninos façam o mesmo.

As dicas da revista para aos meninos numa breve síntese, em alguns caso comentada :

  1. Começar a ação em qualquer lugar menos quarto. Vasculhe os lugares da casa;

  2. Elogiá-la: faça com que a mulher se sinta sexy, única...comente sobre as roupas, a cor do cabelo, seu trabalho, o cheiro etc. Mulher gosta de sentir -se especial;
  3. Assitir filmes pornôs sem som. O casal deve criar seu próprio diálogo a partir das cenas para estimular ainda mais o tesão. [Essa em particular não seria uma boa. Filme pornô tem diálogo?]

  4. A outra opção é o casal ver um filme de mulher...[Odiei essa expressão, mas ele quis se referir a filmes românticos ou com alguma conquista.] Quando "aquele" ator entrar em cena arrebate-a e beije-a. Transformando você num galã e ela na mocinha;

  5. Fazer rafting ou trilha. A adrenalina do sporte com orientação torna a relação mais intensa;

  6. Comprar algo para sua mulher e fazer uma surpresa. Não precisa ser algo caro, mas que ela goste. Ande com ela, descubra do que ela gosta;

  7. Elaborar fantasias. O casal deve pensar em quais fantasias gostariam de executar e descrevê-las [Isso é fundamental para manter a chama de uma relação viva.];
  8. [Adorei essa!]Explorar novas regiões. Existem outras partes erógenas no corpo feminino que não a vagina e o clitóris. Vocês já ouviram falar em nuca?;

  9. Tomar um cruzeiro. Uma viajem no barquinho e se aventurar a fazer sexo no deck, esperando de repente ser surpeendido por alguém;

  10. Passar uma noite no tibete, ou seja, posição yab-yum: mulher sentada em cima dele com um travesseiro no bumbum para que a altura seja ideal para penetração;

  11. Convidá-la para tirar a calcinha durante o jantar [Essa também achei fantástica];
  12. Falar em público sobre desejos sexuais, o que desperta a fantasias e assim que chegar em casa ou num recanto aconhcegante mais próximo clocar para detonar o que foi dito;

  13. Visitar a sessão erótica da livraria, pegar um livro picante e falar obscenidades um para o outro;

  14. Usar fragrância nas preliminares. Cheiro de homem na cama excita as mulheres;

  15. Sair de posição papai e mamãe (dentro e fora ou só metendo) para dar umas reboladinhas. São excitantes;

  16. Colocar a tv para fora do quarto [de fato TV não é nada estimulante, né?];

  17. Escalar um pico por vez. É difícil os casais chegarem ao orgasmo junto. Segundo a expressão utilizada pela revista é o mesmo que ganhar na libertadores e no campeonato brasileiro, sendo assim, convide-a para ter o orgasmo primeiro e em seguida você, claro;

  18. Experimentar mergulho cubano, ou seja, posição homem-por-cima e joelho feminino no peitoral, deixando a vágina mais esticada;

  19. Beijar por 12 segundos. Como os selinhos caem na rotina, surpreendê-la com um selinho com a boca entre aberta como quem quer e não quer beijá-la por 12 segundos vai deixá-la no ponto para quando vocês se reencontrarem;
  20. Adicionar um quê à Polinésia: fazer sexo oral masageando da direita para à esquerda o clitóris, perguntado-a qual dos lados a excita mais. Sempre é importante pedir informações a parceira do que gosta ou não a medida que o ato e os movimentos acontecem);

  21. Limpar o guarda-roupa [Pois é!] O cheiro de suor empregnado nas roupas, de acordo com algumas pesquisas deixa o casal mais excitado. Convide-a para usar uma blusa antiga, velha e rasgue-a;

  22. Usar um apoio de queixo: coloque um travesseiro nas costas dela para que ela fique na altura ideal para fazer sexo oral e outro travesseiro para que você possa apoiar seu punho e queixos, deixando-a ainda mais confortável ;
  23. Nadar. A natação relaxa os músculos o que torna o ato sexual mais prazeroso, portanto, levar uma toalhinha para praia e começar algumas carícias num dia não tão movimentado, pode ser uma boa;

  24. Falar grandes coisas do futuro, sobre o quanto gosta de ficar com ela e de como se realiza com a presença dela e que quer encarar a relação para valer;

  25. "Elogie bastante os lírios e você será convidado a voltar ao jardim. Diga como é bom transar com ela, como seus corpos encaixam...Faça com que ela se sinta sexy, pensando e dizendo que ela é sexy". MH p.71


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Como ser pop em três lições


Sofri e deixei de aproveitar muita coisa por ser Nerd, CDF, ou coisa do gênero. Gaziar aula era rarissímo e o meu tempo sempre foi para leitura e estudos. E o que ganhei com isso? Por enquanto o salário muito mais ou menos e uma dificuldade enorme em socializar-me.

Claro, que a situação poderia ser pior, afinal perder o ano na escola, não terminar a faculdade e coisas do gênero não é a coisa mais experta do mundo e no mercado de trabalho. Mas, ficou aquela música do Titãs na minha cabeça "eu devia ter amado mais, ter visto o sol se pôr...eu devia ter trabalhado menos...ter morrido de amor...". Mas para que meu irmão não seguisse os mesmos passos que eu, sabendo desde já que ele terá suas próprias experiências independente das minhas, os conselhos que dei a ele:

  1. Nunca seja o primeiro aluno a dar a resposta as perguntas feita pelos professores na sala. Os demais alunos vão ficar com inveja e com raiva. Seja pop! Tire brincadeiras, faça o povo rir, ria, fale de música...E responda somente as perguntas que os professores fizerem à você. E quando numa pergunta ninguém mais na sala souber a resposta, somente depois de um silêncio sepulcral responda com ar de dúvida: "é isso professor?". Você ganhara crédito com o professor, sem que os alunos encham seu saco. Seja comum, normal;
  2. Não diga: "Ei, não converse comigo!"( Isso é o mesmo que tatuar na testa sou nerd...). Despiste: "Eita! Vou sair daqui, vou ficar calado, porque esse professor aí é pau!";
  3. E cuidado com a galera do fundão porque geralmente a maioria é "sem futuro" e poucos são muito inteligentes e expertos;
  4. Ah! Nunca se esqueça: tenha opiniões políticas, mas não faça disso um meio de vida, portanto, não entre em grêmios estudantis logo no primeiro fronte.
Enfim, conselhos mais virão e acho que vou colocar ele para assistir Don Juan de Marco vê se ajuda nas conquistas né? Vê se traz inspiração...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Triângulos



"O telefone encontra-se desligado ou programado para não receber chamadas". Aquela mensagem da caixa postal a deixava ainda mais irritada. Ela buscava notícias da amiga que indicara para uma ótima oportunidade de emprego. Mas tentara várias vezes o celular e nada.

Como aquilo a inervava, mas por quê? Tudo bem, que ela queria que tudo desse certo e tal, mas havia algo mais. Afinal o interesse era muito mais de uma do que da outra. E ela começara a pesquisar na sua cabeça os porquês. E vira alguns que não queria se deparar: seria inveja de não ter aceitado a proposta por orgulho? Afinal, a pessoa que a propusera era uma fonte de angústias e questões mal resolvidas e que naquele momento descobrira que não estavam resolvidas. Ou por que ela tinha medo do dois, da traição? Ela descobrira dentro da sua cabeça que também nunca conseguira superar o fato de uma de suas melhores amigas tê-la traído com o seu próprio namorado. Estariam, então, os dois juntos?

A fantasia voava longe e ela imaginava novamente um triângulo amoroso. Mas que triângulo se não havia mais nada entre o dito ofertante e ela, apenas entre sua amiga e ela mesma? Não adiantava e cenas do passado vinham a sua cabaça. A ex-amiga, a traição, os ex envolvidos...

Ela tomara um ansiolítico e no final da noite finalmente conseguira falar com amiga, que nem imaginava o que se passava pela sua cabeça. E como o alívio foi imediato quando ela soube que tinha sido o namorado da amiga e não o "senhor causa mal resolvida" quem a ajudara a dar direcionamento as questões...

Ela sentira vergonha de si, de seus traumas, de sua baixa auto-estima, da sua sensação de que ninguém seria capaz de amá-la... E ao mesmo tempo a certeza de que não conseguiria estar com quem a proporcionasse esse tipo de impotência. Desligou o telefone, mas a cabeça não.

E ao dormir junto ao seu parceiro que tentava agradá-la, que nada sabia sobre o que tinha se passado, ante o sexo morno e impessoal, ao final pensara e chorara : "Não quero mais triângulos; Não quero mais beijos asfixiantes que querem tomar apenas minha carne como num ato mecânico e rápido; Não quero que me toquem; Não quero mais desejar...Acho que não consigo mais beijar, nem desejar". E uma lágrima escorrera do seu olho para o rosto de seu parceiro. E em meio a tantos livros e papéis daquele quarto de intelectual percebera o padrão das suas escolhas atreladas a muita inteligência e pouco tesão, ou muita inteligência e pouca sensibilidade:

- Choras? - o parceiro
- Não. - respondera enquanto ele se contentava com a resposta porque não tinha tempo ou não queria adentrar em chatices.

E ela ficara apenas com seu choro engasgado.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Eu: Dentro da Central do Brasil do Nordeste





Ao participar da experiência de parcerias de serviços comuntários no meu trabalho ,no interior do Nordeste, me senti dentro daquela cena da escritora de cartas feita por Fernanda Torres no fime "Central do Brasil", com muito rostos diferentes marcados e/ou marcantes, dizendo seus nomes numa tomada muito rápida...

Claro, que meu papel não era escrever cartas, mas preencher fichas o mais rápido que pudesse ao mesmo tempo em que informava e tentava atender bem. Entretanto, tem coisas que faz a gente se estressar e quase ter um ataque Amy Winehouse e sair virando tudo: o calor, as pessoas se amontoando em cima de você e achando que você não quer atender, algumas que não querem enfrentar fila de jeito nenhum [e porque será que as pessoas não gostam de fila?]... E me perguntava como assim? Cheguei até pensar que tinha gente que fingia que passava mal só para ser atendido logo, outras que acham que você é "do governo" e não quer atender [porque será que as pessoas pensam assim, hem?]...E olha que eu não parava um segundo. E observando algumas coisas:


  1. Como preencher uma ficha de dados com um safoneiro tocando no seu pé-do-ouvido?;


  2. Como é difícil escutar as informações das pessoas mais idosas ou por causa de surdez, falta de dentes para ajudar na fala, ou ainda, nem sabia mais entender a pergunta endereço. Perguntava de várias formas diferentes: Qual o endereço? Onde morava? O nome da rua? Enfim, busquei várias maneiras e num ritmo frenético ficava cada vez mais difícil que as pessoas pensassem rápido e me respondessem também rápido. Tipo, enquanto perguntava o nome, já perguntava em seguida a idade e a profissão para a pessoa já ir pensando;



  3. Ao perguntar pela profissão, parecem que as pessoas não se reconhecem como donas de casa, agricultores, aposentados(as) ou estudantes. Acham que dona de casa e doméstica são a mesma coisa. É como se essas categorias não fossem profissão ou então fossem nada ou qualquer coisa, menos algo digno que faz parte de suas identidades. É como se sentissem e repasassem sua desvalorização identitária;


  4. É um absurdo como ainda existe gente que trabalha e gente que faz que trabalha coordenando;


  5. Gente que parece fazer juiz aquele dito "de graça até injeção na testa.."[carência é foda!];

  6. Gente que só vai para o serviço comunitário por causa dos lanches e depois completa com um "forrozim";

  7. Por que as pessoas insistem em me chamar de doutora? E nesse trabalho vestindo branco então...
  8. Lembrei da minha infância e pelo menos tomei o melhor caldo de cana da minha vida;

  9. Pasmem:

- Menina e para onde você vai purpurinada? - colega de trabalho

- Eu estava um tanto pálida e usei um pó diferente, por quê? - eu já imaginando que estava na piruagem...

- Menina você está ótima maquiada. Diga assim, "se sua estrela não está brilhando não apague a minha" - resposta de outra colega de trabalho [sem comentários porque ela já abalou por mim]

- A minha filha eu uso maquiagem todos os dias. [Pensei e o kiko eu tenho a ver com isso? Não acho nisso nenhuma vantagem. Garanto que pela escassez com qu emaqueio chamo mais atenção ;)]

Lembrente para mim: usar pó compacto comum em eventos diários e não o Mosaico da Avon, talvez seja demais.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Entre amigos



1.
Adoro aquela propaganda da FIAT com o tema "amigos para sempre", porque mesmo seus amigos fazendo alguma bizarrice como usar samba canção de patinho, parecer o Toni Ramos de peludo ou usar o canudo do refri para limpar o ouvido, ainda sim eles são seus amigos e as diferenças não são suficientes para separar. Então acabei pensando nas minhas bizarrices, difrenças, e a dos mais chegados, daí:



  • Meu irmão Jou tem transtorno obsessivo compulsivo (TOC) por limpeza, organização, economia, vaidade e ainda "serra meus produtos de beleza. Pô! Dá pelo menos para avisar quanda acaba? Detesto procurar o que quero numa urgência e não encontrar. Fico possessa;

  • Minha irmã siamesa sempre me carrega para quebrar a dieta que faço com tanto esforço, além de me dá uns esporros federais quando estou em estado de vulnerabilidade emocional e só para quando choro;

  • Meu irmão siamês sempre me deixa esperando: "chá-de-cadeira". E sempre fica na coluna do meio antes de dizer algo que possa magoar. Eu prefiro logo o tiro de baszuca pô do que iludir-me!

  • Nilo sempre faz brincadeirinhas na frente dos outros para mostrar o quanto sou tonta. Não precisa colocar num outdoor né?;

  • Jad algumas vezes diz umas coisas que parecem um murro na boca do estomâgo, mesmo tendo razão e com boas intenções;

  • Detesto o fato de mami ser Amy Winehouse quase todos os dias.
Mas as diferenças e bizarrices não nos separam, mas nos tornam ainda sim, amigos para sempre.

2.
- É genético. Por isso que Íthalo é inteligente -mami.
-Bem, poderia dizer que são os genes de nosso pai, se o meu e o de Íthalo fossem o mesmo, mas...- eu
- Mas o pai de Íthalo é inteligente - mami [ou seja, meu papi é "burro"]
- Não porque o que eu aprendi foi com Thaisa. Sobre música, as coisas...Foi ela quem me levou para o show de Adriana Calcanhoto- Mano jou Íthalo
- Urru! Alguém me reconheceu, o meu trabalho, o trabalho do meio. Eu sou a super irmã - eu

3.
- Thaisa, deixe de dar murro em ponta de faca se o plano A não deu certo, parta para o plano B. Que necessidade é essa de ficar se chicoteado pelo o que não deu certo? [me senti num episódio dos Simpsons em que a Margie tentava fazer um bolo para uma competição de culinária e quanto mais ela fazia, mas o bicho ficava horrível (plano A) e a única coisa para que o bolo serviu foi para
arremesso de disco (plano B), salvando Bart. A necessidade faz a pessoa. E apói! Concursos na minha área: tempo para vocês. Áreas jurídicas e adjuntas: me aguardem, ui!Erg!]

4.
- Bom aqui não está não. Mas ,prefiro ficar por aqui mesmo. Já imaginou se o outro lado [vida após a morte] for pior?Nãao minha filha!Prefiro ficar aqui porque já conheço, já estou tentando me adaptar ao inferno... Até porque segundo a lei de Murphy tudo pode piorar - siamesa.
- Mas eu não penso no outro lado -eu
- Pior ainda: o nada. Sartre e Niezstche já diziam que o nada não dá - siamesa


5.
Ah! E você nunca me verá participando de uma comunidade dessas. E não é porque não possa estar entre as "paquitas" ou "as meninas do fantástico", e sim porque com excessão das modelos, a beleza e certas firulas em demasia, para mim, não é competência profissional é necessidade de exibição. Jesus acenda a luz! Por isso que dizem que toda unanimidade é cega, pelo menos para os 1.277 membros dessa comunidade, está valendo o dito;

6. Boas ações podem ser um tiro no pé? E o orgulho também? Quem sabe?Pelo menos foi o que aconteceu com Narciso...Mente a serviço do coração é SABER VIVER.


7. A Deusa indiana que habita em mim, de acordo com a dica do Blog de Jad. E não é que é verdade...

Durga

Nem se fale em injustiças perto dela. Durga aparece sempre montada num leão ou num tigre, lembrando a força de sua dedicação em favor da lei e da ordem. Protetora da moralidade e resoluta diante dos desafios, esta deusa poderosa certamente vive dentro de você.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sentimento de hoje



"O meu mundo não é como o dos outros,
Quero demais, exijo demais,
Há em mim uma sede de infinito,
Uma angústia constante que nem eu mesma compreendo,
Pois estou longe de ser uma pessimista;
Sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada.
Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... Sei lá de quê!"

(FLORBELA ESPANCA)


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Amor, sexo, Jabor e Rita Lee


Embora tente uma pegada “afetiva”, o livro de Arnaldo Jabor “Amor é prosa, sexo é poesia: Crônicas afetivas”, ainda me parece muito engessado quanto a afetividade. Um dia ouvi que política também tem sentimento e achei até estranho quando ouvi, mas de fato, muita gente mata e morre em nome não só de política, mas porque a vê com fé, esperança, saudosismo, desencanto, fundamentalismo, razão de vida, existência, paixão, enfim e o que isso tem haver com aquilo?

O livro me parece um desengasgo muito mais ao sistema do que em relação a afetividade: parece mais política do que afeto. Não que esperasse algo romântico e alienado. Principalmente porque a retórica e a acidez do Jabor quando combinadas resvalam não só seu desencantamento com o mundo, seu lado melancólico, como seu direitismo disfarçado de esquerda. E sinceramente, para quem já disse um dia ter lutado pela esquerda, me parece que ele absorveu muito bem o estilo de vida burguês, interpretando um ex-revoltado do sistema.

Mas opiniões a parte, não podemos negar o brilhantismo com que ele combina algumas idéias. E se te derem limões, faça uma limonada. Por isso destaquei algumas partes interessantes do livro com as quais me identifico ou com algum conteúdo revoltante. Sempre tive vontade de ler “Amor é prosa, sexo é poesia: Crônicas afetivas”, por causa da música de Rita Lee de mesmo título. Na época até pensei que tinha sido o Jabor que tinha se inspirado na Lee, mas foi o contrário. Descobri no prefácio do livro que inspiração foi às avessas.

Uma pergunta que não quis calar ao terminar de lê-lo: Estaria o Jabor preso a primeira fase do Romantismo da Literatura brasileira, das Virgens dos Lábios de Mel, como em Iracema de José de Alencar? Paradoxal, não!? Lá vão alguns trechos:

I- SOBRE AMOR E SEXO X MERCADO E MODERNIDADE

“Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio ou veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também tudo depende das posições adotadas” (2004: 32).

“O amor é o momento em que o impossível parece possível, onde o impalpável fica compreensivo...” “(...) Andamos com fome de beleza em tudo, na vida, na política, no sexo, por isso, o amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver...” (2004: 11-12).

“A mulher quer ser possuída, mas só no sexo, tipo “me coma todinha”. Falam isso no motel para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa...A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelos homens para se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. As mulheres não sabem o que querem; o homem acho que sabe. O masculino é certo; o feminino é insolúvel...A mulher é metafísica; o homem é engenharia.” (2004: 17).

"(...) -Aliás, que que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes?
- Nada...- respondo. - Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar...Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney...Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas" (2004: 35)


“...ela adentra gloriosamente o “aparelho” secreto do Partidão na rua Djalma Ulrich e, em meio a livros da Academia da União Soviética, sob um pôster de Lênin e uma reprodução de Girassóis de Van Gohn, “dera” para mim com amor e coragem. Foi um raio de triunfo em minha juventude. Lembro até hoje que, lá embaixo, na loja de discos, tocava o sucesso da época, “Chove chuva, chove sem parar..., com Jorge Ben (ou seria “Bicho do Mato”?). Não sei mas guardo até hoje aquela tarde mágica e revolucionária de 63, com música de Jorge ao fundo, com a mulher com quem vivi até 69, ano que ela resolveu abandonar por outro, quando o grande sucesso musical era de Jorge Bem: “Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza..., o que fazia esse jovem comuna chorar pelas ruas, ao ouvir seu nome nos rádios e nas esquinas...” (2004: 71).

“(...) Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, sem prazer, quantitativo. Antes tínhamos passado e futuro; agora tudo é um “enorme presente”, na expressão de Norman Mailer. E esse “enorme presente” nos faz boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que “não pára de não chegar”. Antes, tínhamos os velhos filmes em prento-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era o presente e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, de começo e fim, ficamos também sem presente. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos em pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção (2004: 74).

“O ritmo do tempo atual acelerou o amor, o dinheiro contabilizou o amor, matando seu mistério impalpável. Hoje, temos controle, sabemos por que “amamos”, temos medo de nos perder no amor e fracassar no mercado. O amor pode atrapalhar a produção(...) O amor não tem mais porto, não tem onde ancorar,(...)não tem mais a utilidade do sacrifício pelo “outro”. O amor ficou pelas ruas, em busca de objeto, esfarrapado, sem rumo. (...)A publicidade devastou o amor falando na “gasolina que eu amo”, no sabonete que faz amar, na cerveja que seduz. Há uma obscenidade flutuando no ar o tempo todo, uma propaganda difusa do sexo impossível de cumprir. Como comer todas as moças da lingerie e do xampu, como atingir um orgasmo pleno e definitivo? A sexualidade é finita, não há mais o que inventar. Já o amor não... O amor vive da incompletude e esse vazio justificativa a poesia da entrega. Ser impossível é sua grande beleza. Claro que o amor é também feito de egoísmos, de narcisismos, mas ainda sim, ele busca uma grandeza – mesmo no crime do amor há um terrível sonho de plenitude. Amar exige coragem e hoje somos todos covardes. Estamos com fome de amor cortês, num mundo em que tudo perdeu aura. (...)Vejam a arte tratada como algo desnecessário, sem lugar, sem uso, vejam as mulheres amontoadas na internet, nuas, com números – basta clicar e chamar. Estamos com fome de infinito em tudo, na vida, na política, no sexo. Por isso que o filme de Almodóvar, cheio de compaixão sussurrada, parece um segredo religioso, uma saudável inexplicável de alguma coisa que existem “aquém”, antes da vida” (2004: 84-85).

“Somos livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, recordes sexuais, próteses de silicone, sucesso sem trabalho, substituição do mérito pela fama. Não precisamos fazer ou saber de nada; basta aparecer. Se antes havia excesso de ideologias, hoje somos todos um bando de frívolos patetas, como crianças brincando no shopping. (...)” (2004: 94).

“Tenho engulhos de ver essa liberdade fetichizada que rola por aí, produto de mercado, ao ver êxtases volúveis de clubbers e punks de butique, livres dentro de um chiqueiro de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, bundas ambiciosas, querendo subir na vida, bundas com vida própria, mais importantes do que suas donas, odeio recordes sexuais, próteses de silicones, sucessos sem trabalho, a troca do mérito pela fama, não suporto mais anúncio de cerveja fazendo competição entre louras burras e Zeca Pagodinho jogando numa cilada, detesto bingo, pit bulls, balas perdidas, suspense sobre capítulo de crescimento, abomino a excessiva sexualização de tudo, com bombeiros sexy engatados em mulheres divididas entre piranhagem e peruíce, o sexo com competição de eficiência. Onde está a sutileza calma dos erotismos delicados? Onde, o refinamento poético do êxtase? Repugna-me ver sorrisos luminosos de celebridades bregas, passo-de-ganso de manequim, saber quem come quem na Caras, mulher pensando feito homem, caçando namorados semanais, com essa liberdade vagabunda para nada, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo (...)enquanto os homens bombas explodem no Oriente e no Ocidente, não agüento mais cadáveres na Faixa de Gaza e em Ramos, ônibus em fogo no Jacarezinho e trens sangrando em Madri, museu de Bilbao, museu evocando retorcido bombeiros, sem arte alguma para botar dentro, a não ser sinistras instilações com sangue de porco ou latinhas de cocô do artista, não agüento mais chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, gente afogada na Nove de Julho, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro dos pobres e destrói a religião negra da Bahia (...) Não agüento mais ver que a pior violência é o acostumamento com a violência, pois o mal se banaliza e vira um luxo burguês.” (2004: 112-113).

“Nunca as mulheres foram tão nuas quanto no Brasil: já expuseram o corpo, mucosas, vaginas, ânus. O que falta?(...)Sugerem uma mistura de menina e de vampira, de doçura com loucura e todas ostentam um falso tesão devorador. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem. Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com tentações os homens que as consomem. A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele. Mas o que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram ser odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiram depois de ferrari , armanis, ouros e sucessos; elas são o coroamento de um narcisismo yuppi, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens” (2004:140-141).

“A dificuldade de realizar esse sonho masculino é que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas, mas se elas pudessem expressar seus desejos, não estariam mais em revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos. Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namorados de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia (... )A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece “libertar” as mulheres . Ilusão á toa. A “libertação da mulher” numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionados numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso “mercado de liberdade”. É isso aí. E ao fechar esse texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século XXI? Será que fui apenas barrado no baile? ” (2004:142-143).

“Como escreveu o Ferreira Gullar outro dia, num genial poema publicado sobre a cor azul, que explica indiretamente o que tanto falar: o amor é algo “ feito um lampejo que surgiu no mundo/essa cor/essa mancha/que a mim chegou/de detrás de dezenas de milhares de manhãs / e noites estreladas/ como um puído aceno humano/ mancha azul que carrego comigo como carrego meus cabelos ou uma lesão oculta onde ninguém sabe ” (2004:161).

“O amor é uma tentativa de atingir o “ impossível”, se bem que o impossível é indesejado hoje em dia; só queremos o controlado, o lógico. O amor anda transgênico, geneticamente modificado, fast love. Mas o fundo e inexplicável amor acontece quando você “cessa” por brevíssimos instantes. A possessividade cessa e, por segundos, ela fica compassiva. Deixamos o amado ser o que é, e o outro é contemplado em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de “compaixão” pelo nosso desamparo (2004:167-168).

“Nunca mais vou ser fraco de alma, inclusive porque eu estou fazendo musculação por dentro do corpo; por fora, eu já estou com uma potência de soco de um Volks de 80 quilômetros por hora, mas, por dentro, meus músculos da alma estão cada vez mais duros, meu coração mais seco, único caminho para o sucesso, como nos ensina a cara dos políticos na TV. Esta é a receita do sucesso: coração duro, num um pisco, nem um tremor de mão, nem um olhar aguado, nada. Eu quero mesmo ser pedra, aliás, eu quero ser uma ‘coisa’, eu queria ser uma ‘12’ de cano serrado ou uma espada de samurai” (2004:175).

II- FOBIAS e ETC

“...é apenas um bumbum brasileiro que um dia cairá, como o PT. (...)[O nosso gosto pela bunda] é herança do homossexualismo deslocado dos senhores portugueses diante das negras zulus das senzalas(...)[de]cabelo muito curto tipo “piãozinho” e encarrapichado na cabeça (2004: 32) [lembrem que o termo homossexualismo não é mais utilizado pela conotação a doença e sim homossexualidade, ou melhor, homoafetividade ou homoerotismo] ” (2004: 17).

“ (...)Não aguento (...) anúncios de celular que faz de tudo, até boquete (...)Dá-me repulsa e lágrimas,(...) casamento gay [Que é que é isso HEM?]” (2004:114).

“ Nessa época , em pleno delírio nacionalista do Getúlio no fim do Estado Novo, lançaram uma campanha para substituir a figura “imperialista” de Papai Noel por outros símbolos mais “coisas nossas”. Inventaram uma figura tropical que nunca colou : O Vovô Índio, um velho seminu com uma peninha na cabeça, que traria presentes para os “curumins”. Foi um fracasso total, numa época em que o cinema americano alardeava o Bing Crosby cantando “White Chirstmas” sem parar (2004: 101).

“(...)Depois, fui partindo para religião e dúvidas metafísicas sobre Deus, já maior, atanazando os padres do colégio: “Se Deus é bom, porque Ele cria um sujeito que irá para o inferno quando morrer?”. Nenhum padre me respondeu essa pergunta até hoje, mesmo falando em livre-arbítrio etc” (2004: 102).

“E esses mesmos padres nos diziam: “Cada vez que você se masturba, morrem milhões de pessoas que iam nascer. É um genocídio! E nós, além de pecado, sofríamos a vergonha de ser pequenos “hitlers”de banheiro . eu pensava: “Por que tanta onda sobre nossos pobres pitinhos, porque essa energia que sento em minha casa é feia, criminosa? Vivíamos ajoelhados em confessionários, ouvindo envergonhados a voz triste e o hálito do triste sacerdote nos sentenciando a dezenas de aves de ave-marias e padre-nossos” (...). Eu mesmo fui assediado por um padre famoso ( do qual muitos colegas meus da época se lembram) que era notório comedor de menininhos: ele fazia mágicas e teatrinhos para ser popular entre os meninos, e, um dia, tentou me beijar num canto da clausura. Criado na malandragem das ruas, fugi em pânico. E falei disso em confissão com outro padre, que mudou de assunto, como se fosse uma impressão minha, como se a pedofilia fosse uma prática necessária à manutenção do celibato, exatamente como os cardeais americanos estão fazendo hoje. O problema da igreja com o sexo leva-a a uma compreensão quebrada da vida, leva-a aceitar a AIDS, a condenar o aborto, o controle social da natalidade e a outros erros maiores” [Estaria aí na biografia do Jabor sua homofobia?] (2004:117).

“Fico doido quando vejo a coisa mais feia de São Paulo nos postos de gasolina e nas oficinas. Adivinhem o quê? Aquele boneco imundo feito de câmaras de borracha, com uma maquininha de ar soprando ar dentro e que fica esperneando em frenesi incessante na beira das ruas (...) E celular com musiquinha?Você está no aeroporto e, súbito, a seu lado toca Jingle Bells ou Pour Elise no bolso de um babaca executivo. Por que não fazem um celular que apertem o saco do usuário? Ele daria um gritinho e gemeria baixinho: Alô? ” (2004:128).

“O narcisismo de butique de hoje reprime dúvidas e tristezas óbvias. Ele têm medo do medo e praticam uma espécie de fobia eufórica, uma síndrome do pânico ao avesso: gargalhadas de pavor. E ainda atribuem uma estranha “profundidade” a esta supercialidade, porque, hoje, esse diletantismo tem o charme raso de ser uma sabedoria elegante e “pós-tudo”. Mas falo, falo e não digo o essencial. Hoje, a felicidade é entrar num pavilhão de privilegiados. Eu queria não pensar, queria ser um imbecil completo sem angústias – meus inimigos dirão: “Você tem tudo pra isso”. Sou uma esponja que se deixa tocar por tudo, desde a crise da dívida pública até o muro da Cisjordânia. Lembro da personagem da Eça de Queiroz que dizia: “Como posso ser feliz se a Polônia sofre?” (2004:191).

“Hoje, a felicidade está na relação direta com a capacidade de não ver, negar. Felicidade é uma lista de negativas. Não ter câncer, não ler jornal, não olhar os meninos miseráveis do sinal, não ver cadáveres na TV, não ter coração. O mundo está tão sujo e terrível que a felicidade é se transformar num clone de si mesmo, num andróide sem sentimentos, sem esperança, sem futuro, só vivendo um presente longo, como uma rave sem fim. Pedem-me previsões para o ano que vem. Tudo pode acontecer (...)” (2004:191).

JABOR, Arnaldo. Amor é Prosa, Sexo é Poesia: Crônicas Afetivas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mulheres carentes e desesperadas



Sabe como é...dia de domingo se junta um monte de mulher para falar das coisas que não dão certo. Local: shopping, né? E na pauta sempre sai homens e dinheiro, sendo assim lá vai as pérolas:
  1. Partindo do princípio feminino de que todo homem é cafajeste. Fixemos uma tipologia de quatro tipos: os assumidos, os românticos, os embutidos e os circunstâncias. Os assumidos são aqueles que afirmam para as mulheres que são cafajestes e riem da sua cara quando dá choque de horário entre uma menina e outra; os românticos são aqueles que encantam, mandam mensagem, enchem de flores e sem mais nem menos (ou seja outra na parada) vão embora, esse foi avaliado como sendo o mais perigoso porque pode passar por bom moço; os embutidos são aqueles que são cafajestes, mas não admitem sê-lo, sentem-se ultrajados por tal difamação, o famoso come quieto e "isso não tem haver comigo"; e por fim, os circunstâncias que quando namorando são quietos, mas quando solteiros caem na bagança. Enfim, esse seria o mais recomendado.
  2. Porém, partindo do princípio de que para cada coisa há momento. Nada melhor do que para um homem cafajeste do que uma mulher esperta. Por isso que, mesmo não sendo assidua da novela "Caminhando nas Índias", adoro quando a personagem da Vera Fisher, Kyara, coloca rédias em Murilo e nem se estressa. Precisamos aprender em meninas! Sejamos espertas. Homens não gostam de meninas bobas e românticas;
  3. Ah! no meio da noite fomos nos divertir comendo, claro. E veio aquela sessão do Mac Donald's do Amo tudo isso e veio novidades:"Amo muito andar de bicicleta, comida crocante, começar o dia com o pé direito"
    "Amo muito dia de pagamento"


  4. "Amo muito coisinhas para dar sorte, viajar com os amigos e estrelas cadentes"

  5. "Amo muito aprender novas línguas, andar de montanha russa e quando tudo dá certo"
  6. Voltamos para casa e começamos a falar sobre maquiagem, sim, porque na carência e no desespero mulheres falam mal dos homens, comem e compram produtos de beleza e derivados. Daí lembrei do episódio em que minha mãe passou brilho labial na sobrancelha pensando que era rímel incolor...
  7. Enfim, espero que essa seja uma semana melhor, já estamos recebendo sinais...O problema de uma era o problema de quase todas: l'amour de verdade, tá? E não é para casar e ter filhos, mas rir e se divertir. Está escasso hem?
E que a semana seja Mara! Pensamentos positivos

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Culpa


Letra MARXUVIPANO
CULPA (Tone Ely)

E ESTE SADO-MASO-SENTIMENTO;
UM FORTE PRAZER PARA O INJUSTO;
ENGODO NO QUE ALMEJAR OU MIJAR
NO QUE TEM DE MAIS PURO;
SURTOS CEGOS DE UM BEM ESTAR;

E CULPA, CULPA, SEM DÚVIDA CULPA;
E CULPA, CULPA, SEM DÚVIDA ALGUMA;

E ESTE SADO-MASO-SENTIMENTO
DE PURA E IMPAR PERFEIÇÃO;
ESTOURA ALGUMA CERTEZA, OU SEI LÁ,
NEM SABE O OURO QUE QUER;
18, BESOURO, DE TOLO QUE É;

E CULPA, CULPA, SEM DÚVIDA CULPA;
CULPA, CULPA, SEM DÚVIDA ALGUMA;

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O segredo das cordas


Ela estava na antisala esperando o médico. Abriu uma daquelas revistas femininas, que entre uma mulher perfeita e outra, mostra uma nova dieta ou produto revolucionário para que você tenha esperança de que um dia pode ser também perfeita e ter o mundo aos seus pés.

Numa manchete a palavra sexo chamou sua atenção: "Hum! Ver e imaginar uma sacanagenzinha é bom enquanto não se tem nada para fazer...". Entretanto, a reportagem - para variar do que usualmente se fala, como posições, "lugares mágicos" etc - era a de uma psicanalista falando sobre orgasmos: "A mulher muitas vezes não chega ao orgasmo com o parceiro como forma de se vingar dos maus tratos existentes na relação. É uma forma de fazer com que ele se sinta tão impotente quanto ela e de expô-lo a impotência a qual é submetida na relação de alguma e de várias formas ao mesmo tempo em que se vinga dele"

Xi! A quanto tempo ela não sabia o que era isso. O lugarzinho mágico dela tinha se tornado um verdadeiro forte nox e que, por azar, ninguém tinha a senha. Não que ela nunca tinha sentido a pressão de estar na lua, perder a cabeça e berrar a vida que existia dentro ela. E uma breve retrospectiva sobre o tema começou a passar pela cabeça: o sexo escondido, rapidinho e com medo de ser descoberta pelos pais. Ela se sentia quase que cometendo uma heresia. Quantas vezes aquela mulher de trinta anos aos dezessente se torturou mentalmente porque achava que pecava por palavras, atos e omissões...Quantas? Depois dessa fase, com um pouco mais de liberdade quando rolava o clima na casa de um amigo ou amiga tudo continuava rapidinho. Era o hábito. Ás vezes ela não sentia nada, outras um leve torpor, noutras algo que lhe arrebatava a alma, mas ela não tinha muitas fórmulas e explicações para descrever o que sentia. Nem muitas experiências. Até que um dia ela ouviu:

- Você tem que ir mais devagar. Vamos curtir mais. - o parceiro

Aquilo era uma verdadeira novidade porque quando ela queria gozar ela o fazia . Seja antes dele, junto com ele, mas era rápido porque parecia que o tesão iria simplesmente passar. Assim, de repente. Ou será que a culpa iria chegar de repente e acabar com o tesão?

Então, na segunda fase de sua vida dedicou-se a tentar não se culpar e a aprender. E mesmo diante de tantos esforços que quase sempre a faziam chorar, fossem por culpa, impotência ou inexperiência, ouviu uma pergunta cruel e destrutiva de quem mais amava:

- Tem certeza que você não é lésbica? Ou então, você é frígida.

Sendo uma pessoa defeituosa, como ele a fizera sentir, teria que contentar-se com aquele homem que a aceitaria com suas qualidades e defeitos. E que defeitos, hem!

E foi assim por muito tempo: sexo sem vontade, sexo sem orgasmo, sexo com torpor e de pequenas alegrias e lágrimas. Até que um dia ela foi enlaçada por um verdadeiro "Casa Nova".

A princípio ela achava que nada iria acontecer e que no primeiro encontro ela constataria sua filha "mecânica "com um especialista e ponto. Ela desafiou-se. E no primeiro encontro ela sentiu um calor que tomava o corpo dela como nunca sentira antes.

- Ainda não. - O Casa Nova

"Como ele não iria até o fim? Por quê a deixaria com água na boca? Ela sentia algo antes nunca sentido e que não sabia explicar ". Ela voltara do encontro aturdida: "E agora? O que deveria fazer? Ela precisava ir até o fim. Pagar pelas últimas consequências. Havia talvez a possibilidade de acabar com aquela falha mecânica pessoal e viver de uma forma melhor o seu relacionamento consigo e com que dedicara seu amor por um longo tempo. Um decisão traiçoeira e egoísta talvez, mas tudo iria passar". E sem pensar muito topou o próximo encontro. Ela estava completamente a mercê do Casa Nova. E ao provar do "mel" parecia que ela estava numa montanha russa, praticando rapel, roubando o museu do Louvre e tudo que fosse de mais profundo e adrenado na vida.

E era ali onde morava o perigo. Ela descobrira que não tinha nunhuma falha mecânica simplesmente porque O Casa Nova não esperava nada dela. Apenas ela, com toda calma e paciência, defeitos e qualidade. Ela simplesmente descobrira que não tinha sido tocada como que toca um verdadeiro violino Stradivarius. O que foi uma revolução para ela. E o amor transformou-se em rancor. E o desafio do Casa Nova transformou-se numa relação de verdadeiro aprendizado. E ela fora sua discípula e preferia morrer tocada por ele, mas tendo reconhecido o seu devido valor.

Algum tempo se passou. O Casa Nova seguiu os seus rumos, em busca de novas cordas a serem tocadas e ela aprendera como nunca que não era preciso querer arrancar uma nota. Apenas era preciso sentir o desejo alcançar a alma de quem é tocado e deslizar pelas cordas.

Ela transformou-se numa verdadeira especialista e com algum tempo ela sentia o que qualquer homem desejava e tocava as notas certas neles, não só do corpo, mas as da alma e da fantasia. Entretanto, a aridez de suas primeiras experiências a transformaram numa sommelier rigorosa. Nem todos a agradavam, portanto, quase nunca a tocavam e quando assim o faziam não alcançavam as notas certas. Embora ela o conseguisse neles.


Algo estranho acontecia dentro dela e nem mesmo ela sabia explicar. Perdera o desejo. Fundamental para acionar uma das chaves do forte que se formara. E o pior? Não se importava mais com isso, com esse não sentir.

E embora a vitória ao tocar as notas certas neles representasse a sua derrota, ainda sim se sentia vitoriosa. E ao deslizar da cama de cada um, fazia uma análise minuciosa do quão egoístas com seu próprio gozo eram, ou então, o quão inseguros encenavam uma falsa segurança dos quem sabem o que faz. E pensava no prazer que aquele Casa Nova não mais poderia lhe dar...Restaria a ela o destino cruel de discutir com alguns homens e consolá-los sobre sua virilidade e auto-estima sexual? O que ela achava particularmente um saco. Depois de feito, não há o que se discutir, ou lamentar. Para cada coisa, momentos.

De volta a cena do consultório seus pensamentos são interrompidos pela recepcionista:
- Senhora, sua vez.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pare o mundo porque eu quero descer


  1. Uma menina me achou na net por causa de um concurso que fizemos e ainda não fomos chamadas. E viva a net, mas paranóia ou não, estou com receio de encontrar essa garota. Vá que ela seja uma “psicopata”. Tipo: tinha uma menina, ex ou atual de um ex meu, que se chama como a garota do e-mail. Suspeita um: nomes iguais, ai! E assim, essa dita menina do meu ex, vasculhava minha vida e me odiava. Vá que seja a mesma? Sim, porque o próprio atual dela acho, ex meu, dizia que ela era obcecada por mim. Que vivia investigado minha vida pela net. Pelo sim pelo não, vou levar companhia nesse nosso encontro. Mesmo ela tendo marcado na rodoviária, local público, vá que ela leve uma arma, uma faca e tente realizar a cena da faca de Hiticock. Sei lá! É melhor prevenir do que remediar. Ou pode ser paranóia minha, né?Vamos ver a cena dos próximos capítulos;
  2. Papo de ônibus que a gente escuta sem querer querendo e que pode ser engraçado:

    - Cara, ele colocou umas fotos estranhas. Tipo se jogando na linha do trem, se agarrando com uns homens...- um menino de uma escola particular diz a outro.

    Pensei: “Ele está achando que o menino é estranho e gay?”

    - Assim, a gente já fez uma reunião o ano passado e falou com ele cara sobre esse negócio de EMO pô! - o dito garoto
    Pensei: “Como assim? Supus que ele falava de reunião de grêmio estudantil, mas eles determinam até isso é? Se o cara pode ou não ser EMO? Assim nada contra, nem a favor dos EMOS porque não sei bem o que são ou significam. Alguns dizem que é apenas um modo de se vestir e mostrar que é sensível e mais nada. Para mim é uma mistura de gótico com punk, sei lá, mas acho tosco um grupo que se diz politizado reprimir um dos seus membros, parece ditadura e não democraci. E a liberdade de expressa? Mas deixa rolar....

  3. – Thaisa parece uma aluna nas palestras, os olhinhos verdes nem piscam – ouvi de uma colega de trabalho.
    Pensei, mas não disse com receio de parecer uma afronta: Bem, eu acredito que, além de respeitar ouvindo o que outros profissionais têm a dizer sobre seu trabalho e produção teórica, acho que é também uma questão de humildade compreender que estamos sempre aprendendo. E no pior dos casos aprendemos a fazer dos limões uma limonada e o que não devemos fazer quando em situação parecida”.
  4. Sabiam que além das mulheres bissexuais, existem as mulheres biclimáticas? Sim, porque o clima está tão louco no nordeste que a gente não sabe se sai preparada para chuva ou para o sol. Em todo caso, eu, como uma mulher biclimática, saio de cabelinhos presos, calça, camiseta, tênis, mochila, casaquinho jeans, sobrinha e cachecol na bolsa. Fazer o que, né? Quando não se tem escolhas sejamos práticas; Só sei que esse anuncio de inverno antecipado está mexendo com todo mundo, inclusive uma colega me relatou dores de cabeça constantes, que nunca tinha tido, então disse que se o mundo está louco, o corpo dela também poderia estar. “È o efeito estufa!”. Disse a ela brincando e recomendando procurar um médico, claro.
  5. Tem coisa pior de se ouvir do que “vá embora!, “suma!”?Ou então, alguém querer usar você para plantar a semente da dúvida e usá-la para “leva e traz”?
  6. O medo de autodestruir-se dói mais do que passar pelo processo de autodestruição que não deixa de ser uma válvula de escape.