sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Eu: Dentro da Central do Brasil do Nordeste





Ao participar da experiência de parcerias de serviços comuntários no meu trabalho ,no interior do Nordeste, me senti dentro daquela cena da escritora de cartas feita por Fernanda Torres no fime "Central do Brasil", com muito rostos diferentes marcados e/ou marcantes, dizendo seus nomes numa tomada muito rápida...

Claro, que meu papel não era escrever cartas, mas preencher fichas o mais rápido que pudesse ao mesmo tempo em que informava e tentava atender bem. Entretanto, tem coisas que faz a gente se estressar e quase ter um ataque Amy Winehouse e sair virando tudo: o calor, as pessoas se amontoando em cima de você e achando que você não quer atender, algumas que não querem enfrentar fila de jeito nenhum [e porque será que as pessoas não gostam de fila?]... E me perguntava como assim? Cheguei até pensar que tinha gente que fingia que passava mal só para ser atendido logo, outras que acham que você é "do governo" e não quer atender [porque será que as pessoas pensam assim, hem?]...E olha que eu não parava um segundo. E observando algumas coisas:


  1. Como preencher uma ficha de dados com um safoneiro tocando no seu pé-do-ouvido?;


  2. Como é difícil escutar as informações das pessoas mais idosas ou por causa de surdez, falta de dentes para ajudar na fala, ou ainda, nem sabia mais entender a pergunta endereço. Perguntava de várias formas diferentes: Qual o endereço? Onde morava? O nome da rua? Enfim, busquei várias maneiras e num ritmo frenético ficava cada vez mais difícil que as pessoas pensassem rápido e me respondessem também rápido. Tipo, enquanto perguntava o nome, já perguntava em seguida a idade e a profissão para a pessoa já ir pensando;



  3. Ao perguntar pela profissão, parecem que as pessoas não se reconhecem como donas de casa, agricultores, aposentados(as) ou estudantes. Acham que dona de casa e doméstica são a mesma coisa. É como se essas categorias não fossem profissão ou então fossem nada ou qualquer coisa, menos algo digno que faz parte de suas identidades. É como se sentissem e repasassem sua desvalorização identitária;


  4. É um absurdo como ainda existe gente que trabalha e gente que faz que trabalha coordenando;


  5. Gente que parece fazer juiz aquele dito "de graça até injeção na testa.."[carência é foda!];

  6. Gente que só vai para o serviço comunitário por causa dos lanches e depois completa com um "forrozim";

  7. Por que as pessoas insistem em me chamar de doutora? E nesse trabalho vestindo branco então...
  8. Lembrei da minha infância e pelo menos tomei o melhor caldo de cana da minha vida;

  9. Pasmem:

- Menina e para onde você vai purpurinada? - colega de trabalho

- Eu estava um tanto pálida e usei um pó diferente, por quê? - eu já imaginando que estava na piruagem...

- Menina você está ótima maquiada. Diga assim, "se sua estrela não está brilhando não apague a minha" - resposta de outra colega de trabalho [sem comentários porque ela já abalou por mim]

- A minha filha eu uso maquiagem todos os dias. [Pensei e o kiko eu tenho a ver com isso? Não acho nisso nenhuma vantagem. Garanto que pela escassez com qu emaqueio chamo mais atenção ;)]

Lembrente para mim: usar pó compacto comum em eventos diários e não o Mosaico da Avon, talvez seja demais.

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