domingo, 1 de fevereiro de 2009

No cantinho


Ela saiu em êxtase. Como poderia imaginar? Realizou-se. Realizou-se. Ele a beijara. Pensava: "Me belisquem, me belisquem! Eu só posso estar sonhando...". E com um sorriso largo ela estava tomada pelo prazer do tão sonhado beijo, do tão sonhado amado. E foi ali! No cantinho da repartição, ao lado da recepção, no segundo expediente, quando ela menos esperara e enquanto ela perguntava algo sobre alguma papelada. Nunca iria esquecer.

Ela passou para resolver algo da rotina, como ele sempre a chamara quando necessário. E lá no cantinho da sala, ele olhou no no fundo dos olhos delas e de surpresa pegou forte em seus braços e a beijou.

A força que ele fizera a suspendera do chão. E na ponta dos pés, num misto de choque, realização e êxtase, quando alguma consciência a tocou, ela pulou em cima dele e se enroscou em seu peitoral e pescoço tornando o beijo ainda mais longo e profundo. Não queria que aquele momento acabasse nunca mais. Não queria que sua realização terminasse nunca mais. Ao final da cena nada foi dito. Ela não queria mais nada. Apenas saiu.

Nada deveria estragar aquele momento solene. Apenas saiu com um sorriso largo e pensando: me belisquem, me belisquem! Eu só posso estar sonhando. Mas é verdade, eu sinto. Eu juro que sinto. Não pode ser um sonho é tão real. Mas se for um sonho, por favor não me acordem..."

2 comentários:

  1. Belo texto. Muito visual, quase participamos da cena toda, e fica com um gostinho de quero mais. beijos

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  2. Que legal.
    Você entra no texto sem sentir ou talvez seja loucura minha. Foi o que senti.
    Abaços...

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