domingo, 8 de março de 2009

Ausência presente


Ela já não conseguia dormir. A imagem daquela outra mulher era muito presencial, principalmente depois de ter vasculhado a vida virtual dela: rede de amigos, blog...Aqui e acolá informações com ele que tentava ser suscito, porém, deslizava algumas vezes ao falar que isso ou aquilo lembrava a dita cuja.


Aquela lembrança tornou-se uma verdadeira obsessão. Parecia encatadora demais, inteligente demais, bonita demais. E o pior, parecia ter deixado marcas inegáveis na vida dele. E ela? Será que ela consegueria também deixar também suas marcas? Melhor, será que ela conseguiria superar as marcas daquela última lembrança, daqulea mulher, e ser a única na vida dele? E ela no rastro das lembrança permaneceria sempre a sombra.


-Ah! Olha aqui a sua queridinha. Ela está nessa foto em uma festa rindo e se divertindo. Olha aqui o atual dela - Ela apontava para as imagens na internet, insistindo em martelar sobre o passado daquela mulher ausente, mais tão presente na vida dos dois.


- Você já percebeu que você fala mais nela do que eu? - ele


E mais e mais aquela obsessão tomava conta da cabeça dela, com e sem motivos para isso. Ela deixava vestígios dela por todo o apartamento dele, como se para marcar território. Plantava calcinhas na gaveta de cuecas. Xampu feminino no banheiro, uma escova rosa na armariozinho... Entretanto, ela não sabia que a "emenda saia pior do que o soneto". O ataque a um fatasmo somente desgatava a relação que ainda estava na incubadora e a fazia perder tempo em tentar construir o seu próprio lugar na vida dele.


Um dia, num dos ataques de fúria, ligou para a dita mulher fantasmagórica:

- Pare de ligar para ele. Tenha vergonha na sua cara porque ele é meu homem.


No outro lado da linha, nada ouviu. O fantasma sabia que a dúvida e o silêncio eram mais cruéis e que os delírios a levaria a sua própria derrocada. Sem contar que a mulher fantasmagórica sabia qual era o "canto da sereia" para aquele homem; que o pacto de lealdade entre aquela lembrança e ele era particularmente especial em termos de respeito mútuo.


No extremo de sua loucura, ela procurava fios de cabelo na roupa dele, novos perfumes no ar, resquícios no carro...

Um dia, decidida, inesperadamente apareceu no apartamento dele. Com sua presença imposta e possuida pelo ódio, naquele momento o telefone toca e no meio de um diálogo, ela toma o telefone e desferi o golpe mortal no que poderia ter sido a sua história e não a história de uma lembrança.



- Eu sei que é você? Diga que é você. - ela.


- Am? - A pessoa do outro lado respondeu.


- Não é ela. É uma colega de trabalho. E não se preocupe que se fosse ela, a mesma teria muita hombridade em dizer o nome. Pare com isso!


Ele saturou-se ainda mais. Ela, de cara no chão, sentiu-se ridícula. A inveja, a rivalidade e o sentimento de mediocridade diante daquela lembrança parecia tão especial ficou ainda mais pulsante. Por fim, foi a erva daninha que não deixou-a fazer suas próprias marcas inegáveis na vida dele...Infelizmente esse incidente não serviu para que ela aprendesse nada. Para que entende-se que muitas vezes não arrombamos portas, devemos der convidados a entrar na vida do outro. Suas artimanhas apenas alimentaram um ódio desmedido pela lembrança de uma mulher do passado que a consumia e a mais ninguém.

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