quarta-feira, 18 de março de 2009

Memorial e outras coisas


Memorial é um troço que pedem nas universidades para saber um pouco sobre a trajetória de vida dos que pleitiam uma vaga na pós-graduação. O objetivo me parece que é entender o porquê das escolhas para uma pesquisa e tal... Enfim, se alguém um dia fizer uma biografia de minha vida que pelo menos tenha essa passagem no blog como subsídio: meu memorial.


Nasci no Rio de Janeiro e a melhor lembrança que tenho dessa cidade vai até aos 8 anos circulando todos os dias na praia próximo aos Arcos. Vindo morar na Paraíba não por opção, mas por obrigação, minha mãe via aqui uma oportunidade para que eu estudasse e tivesse convívio com a família. Essa basicamente formada por mulheres que são mandonas/dominadoras e fingem que os poucos homens é quem mandam...Nesse convívio, aprender a ser uma mulher comportada e disciplinada era fundamental. Assumi uma dupla identidade era uma "boa menina" que seguia todas as regras, mas li e discutia política, economia e batalhava minha independência financeira por meio dos estudos.


Desde criança queria ser médica, trabalhar na emergência, salvar vidas. Levei bomba no primeiro vestibular e no segundo optei por Psicologia porque me intrigava os mistérios da mente e Engenhari de de Materiais porque era fera em Matemática. Ham? Pressão familiar.


No primeiro ano de Psicologia me apaixonei e me dediquei ao curso. No meio dele me envolvi com os movimentos estudantis sem deixar as notas caírem. Tarefa árdua. Coeficiente de rendimento escolar ao final do curso foi 9.2.


Num partido de esquerda marxista-leninista-trotiskista, ou seja, esquerda radical dos sem aliança e pertencente ao rol dos pequenos partidos, me especializei em Psicologia Social e estudei questões rurais, por quê? Começou quando numa atividade em campo de uma das disciplinas sobrou um vaga para área social-rural e queriam colocar uma menina sem consultá-la nessa vaga. Ao perceber a injustiça me alistei na vaga desse grupo e deixei uma outra para que a colega pudesse escolher de modo mais justo.


E daí foi: mestrado na área de políticas públicas e ruralidades. No doutorado penso em migrar para o campo da interface do trabalho e das políticas públicas ao perceber na dissertação a importância que essa assume para o cumprimento de políticas públicas.


Enfim, um pouco das minhas escolhas: caminhos difíceis como forma de superação de mim mesma.


As outras coisas é que aconselhei meu irmão a não fazer de suas escolhas políticas um meio de vida. Ele já chegou no ensino médio e mesmo sabendo que minhas convicções políticas de esquerda tenham prejudicado minha trajetória, não posso evitar que ele tenha suas próprias experiências, como escrevi em algum post atrás. Daí ele participou de sua primeira passeata contra o aumento das passagens, mesmo com as minhas ressalvas com relação a política. Jesus tome conta!

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