terça-feira, 30 de junho de 2009

Carpem die


Desde o ensino médio que não entendia bem o significado dessa expressão propalada por escolas brasileiras de literatura: "Carpem Die." Pensava: "Ah! Pode ser muito bonito em poesia, para antigamente, mas hoje? Isso é irresponsável, inconsequente, o que será do futuro se não pensarmos nele hoje e não amanhã?" E não me dava conta que todos os dias meu amanhã era o hoje e que o meu hoje desenhava meu amanhã. Jogando sempre mais para frente o dia da felicidade. Como se isso pudesse existir...E hoje o que faço do meu hoje só para hoje e quem sabe para amanhã também?

Antes - e quem sabe um pouco hoje também - o que valia mesmo estava por vir, algo ainda não falado, "não-sabido" . E assim vivia angustiada como quando se descobre sempre aquém de um projeto. Sempre aquém do amanhã porque era mais fácil acreditar no perdido, consequentemente que há algo a ser recuperado nessa perdição.

No entanto, não há nenhuma história, saber ou verdade, que explique, desresposanbilize, o indivíduo do que se escolheu por perder. Não há o que justifique o sofrimento da perda, trazendo um falso alívio de que "isso não é meu, não fui é e nem é minha culpa", o que sempre persistirá é o como se existe, o que fazemos com o nosso próprio existir.

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