segunda-feira, 22 de junho de 2009

Só por hoje


Parecia estranho a quem passava. Um estranho que batia compulsivamente a cabeça na parede. E quanto mais batia, mas sangrava. E por quê? Seria autopunição? Masoquismo? Devaneio?

Até que um dia ele percebeu que havia algo a mais que aquela parede. Que estranho! Parecia que havia apenas uma parede. Mas não. Havia a direita, a esquerda, para frente ou então para trás. E agora mesmo quando sentia aquela vontade irrestível de cabecear a parede lembrava: há algo além da parede. E segurava-se.

Algumas vezes não. A vontade era mais forte do que a dor. Entretanto, nesses casos espessos ao invéz de lachar a cabeça na parede como sempre fizera antes, detinha-se a pequenos galos na cabeça. "Só por hoje: sem repetições" - era o pensamento maquele momento do estranho

A criança que é lançada para cima, ao ar livre, vive a alegria angustiante de ser pega pelo jogador. Entretanto, trata-se de alegria e não de dor ou de alegria angustiante. E não um possível quadro surrealista perturbador onde a mão que ampara é a mesma que empurra ao abismo.

Bater a cabeça na parede para obter um "galinho" pode ser uma repetição necessária para se dar conta de que paredes existem e que se fazem necessárias a existência, mesmo quando tenta-se atravessá-la inutilmente. É a parede que algumas vezes pode nos orientar, entretanto, nunca nos impossibilitar. Amarras existem para serem desfeitas e nunca para nos aprisionar eternamente.

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