terça-feira, 7 de julho de 2009

Arregaçando com tudo e de guarda-chuva virado


Pois é, o guarda-chuva realmente arregaçou com a chuva de vento ao ir e voltar do trabalho. Começou por aí: eu detesto quando isso acontece. E daí meu humor também está do mesmo jeito: virado. Por quê?

1. Porque estou cansada de trabalhar e de não receber. E detalhe: ainda ter que participar de racha de presente para o aniversário do chefe. Me veio, na hora, a cabeça: "Se me pagar eu participo". Até porque eu acho uma hipocrisia e uma puxação de saco presentear quem você não conhece ou não gosta. Mas nessas horas ou você é diplomaticamente hipócrita ou você se ferra, afinal a primeira coisa que pensam e/ou falam é: "Mas nossa! É tão pouco que gasta!" E se esquecessem que não se trata apenas de valor e sim de justiça e indignação porque esse outro camarada que comemora, comemora as custas do meu salário. Ai, ai! Diante dos fatos até entendo quando alguém diz que prefere ficar coçando o saco em casa do que trabalhar...Se continuar assim, vou aderir a essa "moda", mesmo sem saco para coçar;

2. Porque estou cansada de não sair da rédea. Pois é! Não pode isso, não pode aquilo. Porque tudo que é bom é imoral, é ilegal e engorda. Acrescento a isso: custa também. E no meio do mau humor virado, você ainda escuta um colega falar da suruba da noite passada, justificando um atraso de quase uma hora. Do tipo... "menina por falar em sair do rédea, ontem estava no sinal com um amigo meu e daí passou dois caras numa moto a gente mandou encostar . Um desconhecido do trânsito e daí papo vai e vem fomos para a suite presidencial de um motel...Foi massa!". Enquanto isso eu me lembrei que a última vez que sai da rédea foi a um ano atrás numa boate em Natal. Bebei pouquíssimo, mas o suficiente para deixar-me "alegrinha" e lá estava eu no meio do dance dançando a trilha sonora do filme Tropa de Elite. O que é que tem demais? Nada. Mas eu não sei por quê as pessoas quando veem falam: "Mas você? Fazendo isso?" Que porra! E todo mundo não faz isso todos os dias, merda! Tá bom e é a polícia?"Todo dia não era dia de índio", já dizia a cantora Baby Consuelo, então, eu também tenho meu dia de alienação não?

3. Porque eu não sei o que fazer quando as pessoas me chamam de "doutora". Fico num dilema da bexiga: ou corrijo todo mundo a todo instante e não trabalho, alavancando possíveis constrangimentos. Ou então, acabo sem querer compactuando com a manutenção idiota desse status quo: não sou médica e nem fiz doutorado, por favor. Sei que para muitas pessoas isso implica em demonstrar respeito, consideração, mas para mim é somente SUBMISSÃO perpetuada por nossa cultura. Sem falar que hoje ouvi uma nova :"patroinha". E logo me veio a mente a minha imagem em frente ao tronco largando a chibata em alguém. Nam! Deus é mais. Sai de mim que isso não me pertence mesmo.

4. Saldo do dia: provavelmente mais um mês de "Se vira nos 30", e eu nem me inscrevi para o Programa de Faustão...Preciso de dicas de como é que a pessoa sobrevivi com um salário minínmo tendo que sustentar o estaff de "técnica de sáude". Além, claro, de uma inveja "duca" quando vi um casal se beijando no meio da rua nessa chuva. Ai como queria ter alguém me esperando em casa com um beijo cinematográfico daquele...Já ajudava a se virar melhor nos 30 né? Ok! Plagiando "O caceta e Planeta", meus problemas terminaram. Agora já tenho um "super-desinvolveiton chuveiro elétrico Tabajara" para fazer trocas de calor sempre que eu quiser e a hora que quiser. Ah! Falta a resolução do dia: preciso fazer Box. Escrever no blog não é mais suficiente para extravasar minha raiva. É preciso canalizá-la bem, sei lá...eu é que não quero ser parte das estatística do cara mediano que um dia saiu atirando em todo mundo no trabalho ou no cinema...Sem hetero-agressão e nem auto-agressão, afinal eu não mereço isso né?

5. Mas o dia prometia já pela manhã. Porque escutar a música "Sem calcinha" da Gaiola da Popozudas, serviu no mínimo para, pelo menos, desarmar por alguns instantes meu mau humor e continuar trabalhando de graça...Eu ri com a música, tanto que ao ouvir em seguida a expressão "fazer amor" me deu uma vontade de dar uma gargalhada. Mas tive que me conter, claro. Não era apropriado, além de deixar a pessoa constrangida. Não sei não, mas sabe aquele cara que tem uma cara de quem NÃO "faz amor", mas que trepa, transa, faz sexo" ? Pois é. E eu me pergunto se ele usou essa expressão porque estava diante de uma mulher e queria ser polido. É onde você menos espera que sai viu?...Olha que eu sou melosinha, mas detesto essa expresão: "fazer amor". A primeira coisa que me vem a cabeça é que ninguém faz amor.. Falsidade "duca"...;

6. Lá vai então a riqueza da letra que embalou o começo do meu dia, direto da Gaiola da Popozudas:

Eu vou pro baile, eu vou pro baile
Sem, sem calcinha
Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar
Daquele jeito!
Sem, sem calcinha

Eu eu, eu eu, eu eu, eu eu

Eu vou pro baile procurar o meu negão,
Vou subir no palco ao som do tamborzão,
Sou cachorrona mesmo
E late que eu vou passar
Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar!
Dj aumenta o som...

No local do trepa-trepa eu esculacho tua mina
No complexo, ou no mirante
Ou tu no muro da esquina
Na primeira tu já cansa
Eu não vou falar de novo
Aqui que piroca boa, bota tudo até o ovo!
(Ai, vai... ahhh!)
Ai que piroca boa, bota tudo até o ovo!

Gaiola das Popozudas agora vai fala pra tu
Se elas brincam com a xereca eu te dou um chá de cu!
Se elas brincam com a xereca eu te dou um chá de cu!

Sem, sem calcinha
Sem, sem calcinha
Sem, sem calcinha

(...)

Eu queria andar na linha, tu não me deu valor
Agora sento, soco soco
Faço até filme pornô

Sem, sem calcinha
Sem, sem calcinha
Sem, sem calcinha
Sem, sem calcinha


Oh riqueza!

2 comentários:

  1. 2. Regra número 1: não ligar para o que possam pensar/falar de mim. E assim vivo minhas pequenas felicidades diárias.

    3. Ah minha nêga... Abstraia. Dona, doutora, patroinha entre 1488 ainda surgirão. Principalmente depois dos 30 ;-) Vc se acostuma kkkk

    xêro

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  2. Como sempre, seus posts divertidíssimos!!! Saudade!

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