sábado, 11 de julho de 2009

Cara ou Coroa?


Cara: são as situações cômicas se não fossem também trágicas.

Mami Amy estava na parada do ônibus esperando a dita "limusine" quando um cara abre o zíper e começar a se masturbar. Ela disse que a primeira vista achava que estava ficando doida, que era impressão dela e tal, afinal 12 horas da manhã? Até que ao passar mais alguém pela parada, o cara se "caquiava" todo, se arrumando (pondo as coisas para dentro)...Mainha disse que subiu uma raiva nela até que ela decidiu fazer um sinal "de venha" com as mãos para que o cara se aproximasse. Ao sinal de que viesse, ela ainda disse:

- Venha que eu vou balançar bem direitinho para você - isso já com a voz raivosa e com os lábios e as mãos contraídos em sinal de que ela iria era arrancar as coisas do cara. Seria muito bem feito, mas para felicidade ou infelicidade dele, saiu correndo.

Eu perdi noção de quantas vezes eu já passei por isso. Já chorei, já fiquei com medo, paranóica...acredito que a única forma de saciar a minha vontade de respeito seria puxar até arrancar mesmo pô! A situação é uma merda! E a sensação de impotência então...

Uma outra conhecida numa mesma situação ao adentrar pelo edifício escutou um psiu e começou a rir ao ver a cena de masturbação:

- Ah! É isso. Você devia era ter vergonha de me mostrar isso. Essa coisa pequeninha, ridícula - e riu
- Sua tarada - disseo o senhor Tomás Turbano indo embora com brios afetados.

Coroa: são as situações nas quais não consigo ver graça e que muito me preocupam

Uma paciente chega num serviço a procura de seu médico, ansiosa e quase chorosa, implorando uma vaga para o atendimento porque não conseguia marcar e esperava a muito tempo pela oportunidade, não aguentando mais ficar sem dormir [detalhe não se tratava de um serviço público e sim de plano de saúde, viu?]. A atendente ao perceber que alguns pacientes haviam desmarcado a consulta permitiu que aguardasse ao final dos demais pacientes, pelo menos mais três. Nesse período de esperar ela ficou a mercê dos urubus da recepção que a olhavam com estranhamento e ficavam perguntando o que tinha, desde quando tinha, o que sentia, enquanto a paciente estava visivelmente constrangida. E daí pensei:

Será que salvar-guardar o paciente de situações de exposição e constrangimento também não faz parte do código de conduta médica?

E para arrematar ainda ouvi o dito médico, renomado, dizer:
- Tem que marcar com antecedência porque eu tenho um número de pacientes a atender e se tornar humanamente impossível para mim. Caso de emergência é na emergência. Não posso fazer nada - disse grosseiramente o médico, sem se preocupar com o caso do paciente.

Aquela paciente então era mais um número? E o tratamento humano ao paciente? Será que ele não poderia ter preservado o paciente de mais um constrangimento?

É isso aí minha gente, estamos na Era do "salve-se quem puder," portanto, "antes ele do que eu". E como ainda pedirmos ao outro que se ponha no lugar de uma outra pessoa? Impossível...

Mais uma para encerrar da Coroa:


Fui colocada no encalço da descoberta de um caso de abuso sexual intrafamiliar. Tive um primeiro contato com a vítima, tentando acolher a confiança dela sem tocar no assunto. Mas não posso deixar de reconhecer que tentar ajudá-la é um pouco tentar ajudar a criança que existiu e existe dentro de mim. Ajudar para que sua infância não seja roubada e principalmente que ela não passe o resto da sua vida guardando um segredo que não é seu, cheia de culpa, dor, medo e mais tarde arrependimento. Salvando ela estarei salvando não uma, mas duas pessoas. O problema não é dela, é nosso!

Um comentário:

  1. Noossa, fiquei abismada com o relato da sua mãe...Ainda tem gente que se presta a um papel desse :S
    Como sempre, adoooro seus posts! :D

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