sábado, 18 de julho de 2009

E agora José?


"E agora José?", foi dessa frase do poema de Drummond que outro José do interior da Paraíba lembrou num momento de extrema necessidade. Antes disso é preciso dizer um pouco que é esse José e porque ele tão parecido e igual a outros Josés.

José veio de uma família humilde e crescou ouvido: "Estude meu filho para ser um doutor. Só assim você muda sua sina...". Ela além de humilde bastante esforçada. Todos se empenhavam apra na medida do possível dar todas as oportunidades de estudo a ele. José era o tipo de figura que na escola privada contrastava das demais pelas roupas simples e até surradas. Abria mão de qualquer presente para ter um dinheiro a mais para comprar livros. Sua grande paixão. Ah! Como adorava o cheiro dos livros novos. Cuidava de seu acervo com maior zelo. Foi várias vezes a pé para faculdade. Pediu muitos livros emprestados. Levou muita chuva, mas fazia questão de particpar de tudo com empenho e inteligência.

Até que formou-se. Um dia de esperança e glória de que dias melhores viriam. Passou dois anos desempregado, estudando sem parar. Teve até mesmo, com muita dor, vender alguns a livraviar de sebos por um terço do valor do que tinha comprado. Ele precisava de dinheiro mesmo que pouco para continuar andando em busca de emprego com um currículo embaixo do braço. Nem sabia aquele vendedor sem coração que aqueles livros não tinha preço. Eram de conteúdos inestimáveis, além de levar o leitor para outras viagens, outros destinos desconhecidos.

Nas horas vagas matava-se de estudar para os concursos. E não fazia cara de coitadinho. não . Batalhava mesmo quando batia-lhe uma tristeza. A quase certeza de que jamais poderia mudar sua sina, como sua família prevera. Que jamais poderia retribuir o que sua família havia feito por ela. Uma vida cheia de sacrifícios. Uma vida que sempre esperava por uma amanhã.

José finalmente começou a trabalhar depois dos dois anos. Ganhava pouco, mas a primeira coisa que pensou foi: " Ah! Agora vou conseguir me preparar melhor". Uma esperança para sua sina...Trabalhava muito e em coisas que nem tinham muito haver para o que tinha se preparado. Até que um dia veio o que parecia ser a chance dos seus sonhos. A oportunidade de ficar mais perto dos seus livros, de poder comprá-los quando quisesse. Lançou-se de corpo e alma. O coração parecia que ia pular do peito. Bastava somente o consentimento do padrão quando aos seus horários por trabalho prestado:

-Pode ficar tranquilo José. Seu pagamento já foi depositado - disse o patrão.

José foi cheio de esperança se matricular em mais um concurso próximo da capital que de tanto viajar parecia que estava voltando para o interior...No bolso somente o currículo, a esperança, a vontade, o medo do que ia encarar e a passagem de ida. Na volta, bastava ir ao banco. O patrão tinha garantido o valor justo, em certa medida, de seu trabalho afinal. Quando chegou na terra "prometida" cheio de esperança nada havia no banco. Foi então nesse momento que pensou: "-E agora José?". Com fome, sem dinheiro nem para se deslocar dentro da terra "prometida" teve que contar com a ajuda de um amigo que dentro das posses, também precárias, agilizou todo o processo, inclusive para que pudesse voltar para sua "terra".

Foram tantas as emoções naquele momento: raiva; humilhação por não ter seu trabalho devidamente valorizado; cansaço de lutar contra o mundo e enfim gratidão ao amigo e a incerteza se iria poder voltar para fazer a dita prova que o colocava um degrau mais próximo de um trabalho mais justo.

Voltou para casa cansado, abatido e mais uma vez incerto quanto a sua sina. Nesse momento o telefone toca, era o seu patrão:

-Olha eu estou lhe ligando para dizer que não pude realizar seu pagamento, mas tenha um pouco mais de calma que daqui a dois dias essa situação se resolve.

Daqui a dois dias. Será que daqui a dois dias iria conseguir? Ainda daria tempo?E quanto Josés como ele estão assim no mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...