sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rápida e rasteira no vuco-vuco da minha vida


Bem, não poderia deixar de passar por aqui sem falar da penúltima atração do festival de inverno de Campina Grande: O silêncio dos amantes. A princípio nem havia me tocado que se tratava de uma leitura sobre a obra de Lya Luft "O Silêncio dos Amantes" a qual já havia lido e me encantou. Até mesmo fiz uma outra postagem sobre o livro nesse blog. Mas do livro para o teatro não deixou nada a desejar. "Sofrido" como meu irmão disse ao final do espetáculo, a dor dos que amam é muito bem interpretada nos quatro monólogos de contos da autora. Exatamente três desses são os meus preferidos no livro...

O espetáculo de fato ganhou um "Q" a mais com todas aquelas luzes, máscaras e a caixa. Ah! A caixa...Nossa vida uma grande caixa cheia de pessoas que se batem e carregam consigo as suas máscaras, as que escondem as dores, com as quais nos protegemos. ACREDITO QUE O ESPETÁCULO FOI INSPIRADO NA SEGUINTE PASSAGEM DO LIVRO:

"Palavras uma máscara de tragédia ou nariz de palhaço, abrem campos queimados até a raiz da última plantinha, como os que se estendiam entre nós (...)Sem que eu soubesse, as coisas não ditas haviam crescido como cogumelos venenossos nas pAredes do silêncio(...)"


Anjos caídos, assim que somos, condenados a amar e a sofrer por esse amor...Divagação vai-e-vem, os espelhos que saíram da caixa do espetáculo representando a vida me fizeram pensar: e vocês aí da platéia? Quais são suas histórias? Vocês se reconhecem aqui no palco? Aqui-aí quais são as imagens distórcidas e turvas de suas vidas?

PASSAGEM DOS MONÓLOGOS:

"Quase voltei, quase perguntei o que havia. Mas desisti e fui em frente, com a leveza dos que ignoram. Em vez de indagar, varri minha breve inquietação para debaixo do tapete, como a gente constuma fazer. E se eu tivesse perguntado? E se ele tivesse me dito? Se eu tivesse merecido saber?Isso me atromentou por longo tempo. Eu me sentia muito culpada. Hoje, acredito que não saber é o que torna a vida possível";


"Palavras uma máscara de tragédia ou nariz de palhaço, abrem campos queimados até a raiz da última plantinha, como os que se estendiam entre nós (...)Sem que eu soubesse, as coisas não ditas haviam crescido como cogumelos venenossos nas apredes do silêncio(...)"



"Morrer devia ser como parir a si mesmo";


"Só porque existo, ofendo os outros";


"A gente tinha só aquela [mãe] da qual era melhor ficar longe, sofrendo numa confusão de amor e raiva";

"Minha mãe definhando em casa, de amor, medo e dor";

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