segunda-feira, 6 de julho de 2009

Verdades instântaneas ou farsas momentâneas nos sites?


Ana era do tipo de mulher que gostava de homens que precisavam dela, o que significava o mesmo que homens "quebrados". Seja por ex-amores, porque se vitimizavão, porque se fechavam dentro se si...Enfim, ela possuía uma coleção de corações partidos. E a cada coração que partia-se o dela não saía imune porque um pedaço do seu ia junto. Ela não amava, ela precisava apenas juntar as partes, os pedaços de cada um deles, para ficar com um inteiro cheio de imendas de mágoa e dor. A paixão, o amor - fosse lá o que fosse - não passava de uma ilusão sofrida. O amor recíproco e feliz não passava de uma invensão, uma ilusão. E que doce ilusão. E tudo na vida não seria uma invenção?

E assim ela passava pela vida. Encheia uma prateleira de corações partidos e amores platônicos. No entanto, nem ela contava que com tanta tecnologia iria se deparar com situações com as quais não queria e não aguentaria ver e sentir, que iria se deparar com outras verdades/invenções/ilusões...Afinal quase não há mais privacidade, nem segredos na vida. Tudo é publicizável, inclusive as verdades instântaneas ou as farsas momentâneas das fotos em sites de relacionamentos. Ana não buscava, mas mesmo assim encontrou por acaso aquelas fotos, fotos de um homem de quem um dia foi enfermeira da alma...

"Será que ele está feliz ou naquele momento sentiasse assim, ou pior, no momento daquela foto fingia aquele sorriso?" - pensou Ana. Nenhuma resposta era suficiente porque para ela bastava o que via naqueles instantâeos, na superficie das coisas: que antes de ser pai, ele era marido. Uma vida que podia ter sido sua, mas que por alguns segundos não foi...

E com firmeza Ana deu-se conta que não existem pessoas "quebradas", corações partidos, amores platônicos, o que existia eram pequenas verdades que precisamos acreditar. Naqueles instatâneos ele não era seu amor platônico, mas o marido/pai feliz ou que assim buscava. "Inocentes não existem". Nem vítimas portanto, só atores que ao viver representam suas próprias vidas.

Desse site Ana pulou para um outro e com o seu coração magoado e suas invenções perdidas com uma completa estranha também se se indetificou...

[das dolorosas decisões]


por hoje não...
só por hoje não quero seu abraço.
só por hoje sua presença será desnecessária.
só por hoje não vou te esperar.
só por hoje não vou sentir saudade.
só por hoje.
meus minutos de espera não serão seus.
só por hoje não quero ouvir sua voz.
só por hoje as músicas não me falarão de você.
só por hoje a sua voz não será canção para os meus ouvidos.
só por hoje seu sorriso não vai me convencer.
seus olhos não brilharão.
só por hoje...
só por hoje...
não. não. não.
...


Dedicado a T.



por Rafaella Sousa

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