domingo, 23 de agosto de 2009

A meia luz de tantas dúvidas


Aquela tarde seria decisiva. Foi parar nos alojamentos próximo ao campus universitário . "Por que é que ele ainda insiste em ir a esses lugares? A só conhecer pessoas desse universo? Como ele consegue morar em lugares assim?" Eram essas as perguntas que a tonteavam.


E ao cair do dia lá estava ela naquele edifício soturno. A luz esmaecida decorava a recepção. A medida que andava pelos corredores percebia naquele lugar o estranho hábito de estarem todos nas portas. Era como se morassem fora e não dentro de seus apartamentos. Bebiam, fumavam, riam...A polifonia tomava conta do ar: jazz, rock, músicas antigas... Um cortiço? Não, não. Era uma opção de vida que ela não entendia e nem conseguia se adaptar. Uma opção aparentemente caótica.


Na medida que andava o apartamento parecia mais longe e sua decisão maior. A situação era insustentável. A diferença entre eles havia se tornando um trambolho entre os dois. Um elefante no meio da sala. E não mais motivo de risos, desculpas ou encantamentos.


Enfim o apartamento ao final do corredor. E com a porta escancarada ela viu um homem grande e forte jogado ao chão ao lado de duas mulheres belas porém consumidas pelos vícios ou como eles costumavam dizer, "pelos prazeres da vida". Elas dormiam um sono leve, o sono dos anjos, enquanto ele parecia estranho. Na verdade ele parecia...MORTO! Seus lábios estavam roxos, as extremidades de seu corpo pareciam não ter um pingo de sangue.


Imediatamente ela com uma força que arranjou Deus sabe de onde, arrancou do meio das duas e o sacudiu, chamando-o pelo nome. E ele sonolento, ou sabe lá o que, foi parecendo distinguir a figura dela do fundo daquele apê de paredes escuras e um tanto nodosas, onde a luz não parecia entrar e a sujeira se escondia pelos cantos.


"- O que é? O que você veio fazer aqui? Você se importa comigo é? Você se importa comigo é?" - ele começou a falar enfurecido até que ela correu e só ouvia pelos corredores os ecos daquela mesma pergunta que pareciam vir de uma besta raivosa.


Ela chorava e junto as lágrimas iam-se todas as certezas daquele ponto final. Ela ainda não estava preparada? O que se passava? Por que ele temeu que ele tivesse morrido? E com mais esse turbilhão de perguntas continuou correndo pela avenida asfaltada que naquele momento não passava nem um carro para fazer-lhe companhia. Ela se sentia só ou ao menos na companhia de suas perguntas. E para completar, na correria e com o vento o lenço preso em suas vestes depreendeu-se de suas roupa, agora enforcando-a e enroscando seu pescoço .


E depois de tanto andar a única coisa que encontrou foi uma mulher muito parecida com alguém que ela já havia visto em algum lugar e naõ sabia onde, ou não queria lembar. E ela se deixou tomar pela imagem daquele mulher. Uma mulher numa fila de fast food rindo e perguntando a alguém sobre algo. Não era culpa de ninguém.




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