quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Murdida do poirco em cobrança


Pois é, do mesmo jeito como se escreve "Murdida do poirco" e não "mordida do porco". Essa expressão popular geralmente é usada para descrever alguém irritado e que desconta sua raiva em outra pessoa nada a ver. Portanto, nada tem haver com a gripe suína tá, mas quem sabe? Quanto a "murdida" não sou eu a irritada, mas a vítima de tal mordida.


Estava eu fazendo um plano de curso concentradíssima quando atendo um telefone desconhecido, já que minha agenda se foi com o meu celular roubado, conseguindo resgatar apenas o chip para que as pessoas pudessem me ligar.


Quando do outro lado da linha:


"- Olá, tudo bem? Aqui é o "poirco"[nome fictício] - sabendo que essa pessoa não tinha o hábito de ligar para mim fiquei sem reação, embora tenha dito a um amigo que gostaria de se aproximar de mim, mas eu não permitia porque era muito fechada [olha aí meu sexto sentido funcionando...a pessoa era mal-caráter de olho junto mesmo].


- Oi, e aí? Diz - como costumo fazer com os colegas em geral

- Primeiro, como você está? - O poirco simulando uma falsa preocupação com o meu bem-estar

- Bem - e eu era doida de dizer o contrário.

- Olha estou ligando para acertar aquela nossa pendência porque não gostaria de sair no prejuízo.

- Claro, inclusive, liguei algumas vezes antes de perder a agenda do meu celular que foi roubado, mas não consegui falar com você, deixei um recado no orkut...

- Bem, eu não uso o orkut para tratar de negócios - disse-me o dito. Aff Maria nesse momento pensei que tinha uma dívida de um milhão ou que tinha vendido minha alma ao diabo sem saber.

- Certo - respondi e pensei: mas para alguém tão "chic", negócios pela internet é o auge do momento não? E que as páginas de relacionamentos são ótimas para catapultar "negócios". Afinal nessa sociedade global-local qual espaço é o espaço realmente? Mas tudo bem.

- Quero saber um dia certo que você possa estar quitando a nossa pendência para que eu não saia no prejuízo - ele.

- Claro, inclusive, faço questão de pagar juros referente ao seu prejuízo - eu.

- Não é necessário, apenas vamos firmar uma data - ele disse e então eu expliquei para ele toda a minha questão com a prefeitura municipal de atrasos e multas que se arrolavam na minha vida e que preferia afixar uma data que fosse de acordo com o meu novo vínculo empregatício e que estava de mudança por causa de emprego.

- Agora mais um motivo para que a gente acerte issso - ele

- Calma! Eu não vou desaparecer não, inclusive estou te informando, resgatei o número do meu antigo celular... ["Meu amigo", quem não quer pagar some sem deixar rastro não?]- eu. - Olha gostaria que você determinasse uma data porque já fazem tantos meses - nas minhas contas eram menos, mas não quis discutir e dai continuou falando - porque eu sou assim eu deixo muito a vontade para pagar. Inclusive até demais, mas é importante que a gente sinta que exista uma intenção do outro em resolver a situação [como é que ele poderia adivinhar ou não se era ou não era minha intenção? Adivinhar minha angústia com as dívidas?].

-Temos outras formas de pagamento, você pode se lá. conversar com sua mãe, explicar a situação, enfim, você pode dar um jeito para resolver a situação [pedir a minha mãe? Mais sacrificada do que eu por algo que não poderia aguardar mais alguns dias, inclusive com a garantia do juros? A não]


Para encerrar aquela conversa disse ok. E mais essa vai entrar na minha listinha de motivos para ter deixado o trabalho que estava e arriscar no novo. Me senti humilhada pela terceira vez por causa dos problemas cuasados pelo meu antigo emprego e dessa vez foi mais firino. Não consegui nem dormir pensando naquilo.


Acho que por isso entendo que a nossa ética, a das pessoas que vendem sua mão-de-obra para SOBREVIVER, é uma ética diferente da ética burguesa e pequeno burguesa: nem todo trabalhador não paga porque NÃO QUER PAGAR, mas porque não pode ou não consegue pagar se arrolando num mote de dívidas. Não somos "velhacos" porque queremos, mas porque fomos postos numa situação aviltante, submetidos a condição de "não-pagante". Alguns ainda podem dizer: "mas se não pode então não compra?". E porque então, a sociedade nos enche todos os dias do consuma. Pague para respirar. Pague para morrer. Enfim, mas quem me conhece também sabe que não sou daquelas que "morro, mas morro no salto". Levo uma vida simples e não sou de luxo. Infelizmente cai no golpe do constrangimento. Aquele em que a pessoa diz: "Não mulher compra que não é possível que você não tenha condições de pagar isso. Aff..." E daí você se sente uma mexidinha lá no fundo do seu eu com essa afirmação e pensa: "É verdade. E quem disse que eu não posso nunca".


E olha que o que eu devia era pouquíssimo, a menorzinha das minhas poucas dívidas. Entretanto, preciso lembrar das sábias palavras da mamãe Amy com seu jeito às vezes rústico de ser: "Tem gente que tem o sangue ruim mesmo para a gente pagar. Dá o "gueba" você tá com o dinheiro na mão e o bicho some numa emergência qualquer..."


E falta outro "provérbio" da mami:


"Minha filha dever a pobre é dever duas vezes. Eu prefiro comprar a uma firma que se eu pagar, paguei, e senão me acerto com ele depois, com multas e juros, sem muídos para o meu lado". Pois é mami, lição aprendida. O problema é que quem nasceu para não pegar na chibata não sabe pisar na cabeça de ninguém por causa de dinheiro. E eu sou de filosofia comunista não posso negar. E a grande maioria dos meus amigos assim são porque uma mão lava a outra.


Compras agora só em cash e nada desse negócio de sentir-me constrangida a comprar para ajudar e ponto. Mas o poiquinho que me aguarde com a surpresa e eu quero que venha com esse papinho de amiguinho. Amiguinho uma ova porque não sou amiga de porcos capitalistas avassaladores e estuprantes, como costumo dizer. E vale lembra da roda da vida: um dia a gente está em cima, noutro a gente está embaixo.

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