segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Quando parti


Bem, na verdade parti dois dias antes do previsto ao meu local de destino. Objetivo: escala para antes fazer mais um "verstibularzinho" para garantir um emprego decente né? Mas já de início senti as "dores do parto".

Minha mãe me levando para rodoviária, passando minha mala pelo portão de desembarque e me dando chão pela janela. A vontade de chorar foi grande, mas se eu chorasse como ela ficaria? Naquele momento me senti como a menina de seis anos que via sua mãe voltando para o Rio de Janeiro para batalhar pela vida enquanto eu ficava em Campina Grande. Na verdade dessa vez quem partia era eu, para um lugar mais perto, lógico, mas parecia que era eu aquela meninha de seis anos que estava lá abaixo da janela dando tchau. Acho que se não fosse a companhia da irmã siamesa e as "mugangas" dela acabaria chorando. Ela escrevia como num cartaz usando o caderno mostrado pelo vidro do ônibus:


"Vá embora Ivone?"; "Vá balançar a bunda"; "Eu sou Melissa Chave de Cadeia...


Era um riso misturado com o engolir seco de um choro. Bem, após o "vestibularzinho" a vontade de sair correndo para casa era grande e pela primeira vez senti aquela dúvida cruel: vida nova e sonhos ou "minha nada mole vida" e minha família de duas pessoas? Fui enfrente. Acho que será o melhor para todos. E ao pisar no meu mais novo local de trabalho, pensei: " O que somos capazes de fazer por nossos sonhos? E eu que pensava que sonho só era sonho quando era de gente simples que virava artista famoso... ". Pensei ainda: que saudade dos parcos momentos deitada no banco da Faculdade, dos sonhos de mudar o mundo, do meu chinelo com meu calção xadrez azul [sim porque aquilo não era um shorte não, era um calção masculino mesmo] ao invés dessa calça jeans nesse calor infernal e essa "pose de quem sabe tudo"... A saudade? Era boa. E a expectativa? Ainda melhor. De alguém que sempre desejou uma vida nova, uma nova oportunidade, uma Identidade Bourn...Finalizando como uma sacanagem...E claro, me perdi paa variar né? Já me perdi em Campina mesmo, em Sampa, em Jampa, em Galante, na França [e por quatro horas e sem conseguir falar o "dialeto tupiniquim" ou ligar pedindo socorro], então hoje não poderia ser diferente: "Que eu saiba me perder para poder me enocntrar" (Florbela Espanca).
Imagino eu o quanto foi difícil para Raul Cadore, de Caminho das Índias, deixar sua vida para trás em busca do que era um sonho. Tão pleno em nossa mente, mas que pode esvair-se na realidade. Entretanto, aqui não tem "boquinha não", as "Ivones" da vida as deixei no passado e as do presente/futuro as arranco a marretada se preciso for. Tim-tim!
Na sessão minhas respostas aos comments [plagiando Jad]:
Jad: minha filha depois dessa experiência com malas e bagagens acho que num compro mais nada em minha vida. Nam!
Patrícia: Valeu a força, mas ainda me resta muito da ironia para encarar a vida quando andava pela "Terra Prometida" perdida, no sol escaldante ainda cantei: "A burguesia fede...enquanto houver burguesia não vai haver poesia..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...