sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A lá Carte: completamente desavergonhada


"...O tom da nossa vida. Em que tom a queremos viver?...


Em meios-tons melancólicos, em tons mais claros,


com pressa e superficialidade ou alternando a alegria


e prazer com momentos profundos e reflexivos" (Lya Luft, p.12)






É essa autora que está na minha cabeceira marítima com "Perdas e Ganhos", já que duas vezes por semana, pelo menos, bem cedo vou a praia, até o morro do careca, estendo minha canga e fico lendo, ouvindo e vendo o mar...Perfeito. Me sinto revigorada. E em todos os bons sentidos, desavergonhada.


Algumas pessoas gostam de usar esse adjetivo para qualificar outras que estariam fazendo algo "pecaminoso". Meu pecado? Fazer as pazes com meu corpo e comigo. Quando cheguei a quase 20 poucos dias atrás morria de vergonha de mostrar meu corpo. Até porque quem me conhece sabe que me trato carinhosamente como "O Mostro do Marshimelow" do filme "Caça Fantasmas". Me acho imensa, gorda...Minha barriga? Nossa! E percebi que nem é tanto assim oh! E sabe como? Observando outras pessoas na praia...Elas não estão nem aí! Usam biquíni de tênis, "tomaras que caias" com o peito caindo junto, inclusive uma senhorinha que parecia uma maracujá murcho se sentindo..."Então, por que não eu, aaaa, porque não eu?" Refrão de música do Leoni, mas verdade.


Fui me libertando aos poucos e quando me vi lá estava eu: de tomara que caia [lindíssimo por sinal] e sainha branca como se fosse uma TOP. Vergonha eu? Que nada...Percebi que alguns homens até paravam para reparar e ficavam boquiabertos babando...


Uma vez ouvi o despautério que a autora Lya [porque estamos íntimas tá?] era um pouco auto-ajuda. Descordo completamente porque para quem já traduziu obras densas como Virginia Wolf torna-se impossível escrever algo desse gênero. Basta ver um pouco da biografia da autora no filme "As Horas" com Nicole Kidman e outras atrizes de peso como Glan Close.

Enfim, aí vão algumas notas para serem escolhidas a lá carte, se possível. Tirem suas próprias conclusões sobre o livro. Lembrando que essa é a segunda vez que leio e releio esse livro em momentos difrentes da minha vida:


"Não sou a areia


onde se desenha um par de asas


ou grades diante de uma janela


Não sou apneas pedra que rola


nas marés do mundo,


em cada praia renascendo outra.


Sou a orelha encostada na concha


da vida, sou construção e desmoronamento,


servo e senhor, e sou


mistério.




A quatro mãso escrevemos o roteiro


para o palco de meu tempo:


o meu destino e eu.


Nem sempre estamos afinados,


nem sempre nos levamos


a sério." (p.16)




"O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar" (p.11)




"Na arte como nas relações humanas, que incluem os diversos laços amoros, nadamos contra a correnteza. Tentamos o impossível: a fusão total não existe, o partilhamento completo é inexequível. O essencial nem poder ser compartilhado: é descoberta e susto, glória ou danação de cada um - solitariamente." (p.13)




"É uma idéia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista, com ele sobrevivemos ou naufragamos. Explodimos ou congelamso conforme nossa abertura em relação ao mundo" (p.17)




"Constituir um ser humano, um nós, é trabalho que não dá férias nem concede descanso: haverá paredes fragéis, cálculos malfeitos, rachaduras. Quem sabe um pedaço que vai desaber. Mas se abrirão também janelas para a paisagem e varandas para o sol.


O que se produzir - casa habitável ou ruína estéril - será a soma do que pensaram e pensamos de nós, do quanto nos amamos, do que nos fizeram pensar que valemos e do que fizemos para confirmar ou mudar isso, esse selo, sinete, essa marca" (p. 18)




"Marcados pelo que nos transmite os outros, seremos malabaristas em nosso picadeiro. A rede estendida por baixo é tecida de dois fios enlaçados: um nasce dos que nos geraram e criararm; o outro vem de nós, da nossa crença ou nossa esperança" (p. 19)




"Todo amor tem ou é crise, todo amor exige paciência, bom humor, tolerância e firmeza em doses sempre incertas. Não há receitas nem escolas para se ensinar a amar..." (p.23)




"Carregamos muito peso inútil. Largamos no cmainho objetos que poderiam ser preciosos e recolhemos inutilidades. Corremos sem aprar até aquele fim temido, raramente nos sentamos para olhar em torno, avaliar o cmainho, e modifar ou manter nosso proejto pessoal. ou tínhamos desejos pessoais. Nos diluimos nas águas da sorte ou da vontade alheia. Ficamos tênues demais para reagir. Somos os que se encolhem nos cantos ou sentam na beirada da poltorna nos salões da vida" (p.23)




"Sair do estabelecido, do habitual, mesmo ruim, é sempre pertubador. O desejo de ser livre é forte, o medo de siar da situação conhecida, por pior que ela seja, pode ser maior ainda. Para nos reorganizarmos precisamos nos desmontar, refazer esse enigma nosso e descobrir qual é, afinal, o projeto de cada um de nós...Não preciso ser um rei para ser importante, mas devo me sentir admirado" (p.29)




"Algo elementar pode ter sido mais deletério do que podíamos suportar. Feridos de morte no início, passaremos o tempo espreitando para os lados: quem agora vai me ferir, d eonde virár o próximo golepe, a próxima traição? Crescendo, amadurecendo e envelhecendo: com que olhar nos contemplamos?"(p.33)




"Reinventar-se inteiramente é impossível: o controno deessas margens, o terreno de que são feitas está estabelecido. Trazemos uma chancela na alma - mas podemos redefinir seus limites. Quem sabe mudamos as cores aqui, ali abrimos uma clareira e erguemos um abrigo" (p.49)




"Ainda que a gente nem perceba, tudo é avanço e trasnformação, acúmulo de experiência, dores do parto de nós mesmos, cada dia refeito. Somos melhores do que imaginamos ser. Que no espelho posto à nossa frente na hora de nascer a gente ao fim tenha projetado mais do que um vazio, um nada, uma frustração: um rosto pleno, talvez toda uma paisagem vista das varandas da nossa alma" (p.50)




"Vive-se numa dupla solid~~ao: a de que se submete e a de quem até sem querer subjulga. Conviver não se torna diálogo nem parceria, mas um frustrante monólogo a dois" (p. 56)




"Alguns desconcertos se arrumam coma boa conversa...Outras amrcas são inapagáveis, queimaram mesmo, nos derformaram. Para essas é preciso bondade, doçura consigo mesmo, sabedoria e aceitação..." (p.57)




"Amadurecer serve para isso: o novo olhar, na lucidez de certo distancimaneto, permite compreender aspectos nossos e alheios antes obscuros. Por vezes promove-se uma espécie de anistia. Partindo dela podem-se reconfigurar padrões..." (p.59)




"Se nos valorizamos pouco não só tendemos a manter as como estão (ruim o que conheço, pior o que ignoro), mas tomamos - ou não tomamos - decisões sozinhas, medo da solidão, de sermos incapazes de decidir sozinhas, meda da opinão dos outros, medo." (p.61)




"Somos criadas em função do hipotético príncipe salvador que decidirá - e terá de gerir, ainda que lhe custe - o nosso futuro. E naturalmente vais nos tratar como crianças. Seremos sempre as despossuídas, sem espaço, sem força de decisão. Seremos dos pais, depois dos maridos, dos filhos e dos netos" (p.62)




"Em certos momentos não é humor que nos salva, mas é o humor...(p.64)




"Pode ser um último recurso: "Ou tento sorrir, até de mim mesma, ou corto os pulsos..." (p.64)"




"Todos os dias de nosso casamento ( de uns 40 anos), eu te escolhi de novo como minha mulher. O casal mais feliz haveria de ser aquele que não deesiste de correr atrás do sonho de que, apesar dos pesares, a gente a cada dia se olharia como da primeira vez, se enxergaria - e se escolheria novamente" (p.67)


" A melhor parceria deve ser aquela em que um aceita o outro sem ter de se submeter a qulaquer coisa pelo outro, em que um aprecia e admira o outro, mas tem por ele ternura e cuidados. Sobretudoaquela em que a parceria não investe no outro todos os seus projetos, à primeira decepção passando de amor a rancor" (p.68)


"Laços podem ser reconstituídos, remendados ou cortados. O corte se faz com mais ou menos generosidade, carinho ou hostilidade e raiva - sempre com dor. Porém nenhuma união deveria ser a sentença definitiva de aniquilamento múuto dentro de uma jaula" (p. 70)


"Na escolha do aprceiro opto pelo que julgo merecer. E aí é que podemos apunhalar o próprio peito. Escolho conforme minha sáude emocional ou minha doença, meus desejos mais obscuros, meus moviemntos inconscientes em direção de afirmação ou destruição" (p.73)


"A culpa, disse alguém, é como uma mala cheia d etijolos, peso inútil que carregamos de um lado para outro sem objetivo algum. haveria só uma solução: jogá-la fora inteira ou ao menos parte dela" (p.75)


" O tmepo será aquele velho ogro que devora criancinhas, e os momentos de crise vão nos jogar de um lado para outro como bonecos de trapo, seres humanos empalhados" (p.83)


Luft, Lya. Perdas & Ganhos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009

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