terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ama-se o amor ou o amdao? O meu retrato de Dorian Gray




Essa pergunta me veio em mais um episódio com o “Super-Sincero”. Quando eu já imaginava que já estava tudo certo, ele reaparece de surpresa para me perguntar, depois de um logo rodeio do tipo “o gato subiu no telhado”:

“- Eu queria saber se ficou claro para você sobre a nossa última conversa? Também porque eu não queria que você ficasse com raiva de mim. Queria que você fosse minha amiga...

De cara achei o menino um tanto perturbado, do tipo que não aceita rejeição e tal, ou então, que ele estaria me subestimado quase me perguntando se precisava desenhar para que eu entendesse. Não falei o que pensei. Guardei a indignação para mim porque não queria dar um “piti” e parecer loca-loca pelo cara. Coisa que realmente nunca estive. Bem à primeira vista mesmo, ele me pareceu interessante. Algo que foi desconstruído logo no segundo encontro e telefonemas.

Depois de ter dito a ele que tinha entendido a plaquinha de “danger” ele engrenou um papo tipo eu e minha “ex”. Cara eu não acreditei. Como assim Bial? Eu tinha virado um grande ouvido humano para o caso da ex. Uma “amiga psicóloga”. Isso era novidade para mim. E para mim isso era coisa que só acontecia com “o vizinho”. Mas, enfim, imaginei que depois dessas, por que não foi uma, mas várias mancadas a criatura ia me esquecer né? Que nada. Durante a mesma semana me ligou e eu não atendi porque estava dormindo. Na mesma semana ligou de outro número e ao atender disse que teve vontade de conversar comigo...E daí tentei sair pela tangente: “-Ah! Se eu não tiver estudando ou dando aula, de repente, a gente pode conversar tá?” Ainda fazendo a linha simpática e madura. Vale salientar que uma tarefa árdua nesse episódio em particular.

Só sei que em pleno domingo enquanto me degladiava com os livros, mas um número desconhecido e como estava de guarda baixa, atendei. Já era ele na porta de casa me chamando para andar no calçadão da praia. Como assim? Eu não tinha nem como dar o “dispensa”. Ok! E lá vamos nós. Isso parece coisa de novela de Manoel Carlos... E daí de cara disse-me:

- Você foi um anjo que Deus pôs em minha vida.

Arra! Eu sabia. Eu sabia que na cabeça dele eu tinha um “propósito maior” na vida dele, do tipo: nada acontece por acaso. Esse meu sexto sentido...Tirando a parte do elogio, ouvi uma longa conversa sobre ele e a “ex”. No começo estava atenta aos detalhes e disposta a ser “alugada”, arrancando alguns detalhes para entender o que diabo se passava e menino desmitificasse essa coisa de que eu era algo “maior”...mas caramba lá para as tantas o que descubro: não é que a história dele tem haver com a minha história. Teve momentos em que eu o achei uma “encarnação” de mim mesma nos estágios iniciais da minha relação. Palavras como vício, projetos de vida, respeitar o jeito dela... Depois achei mais parecido com o ex e daí tive vontade de correr com medo. Até que disse uma coisa quando ele tomou um fôlego que doeu nele e depois em mim...Jesus me salve:

“- Ela até pode sentir algo por você. Pode também estar confusa porque não sabe definir ao certo o que sente por você e também não quer abrir mão...é mais confortável ter você por perto, caso algo dê errado. Não descarto essa hipótese, mas não quer se responsabilizar pelo que venha a acontecer e você quer uma pessoa que se responsabilize. Talvez ela não seja seu grande amor, mas seu primeiro grande projeto a dois e é disso que você não quer abrir mão. É isso que você quer concertar porque começar do zero é muito mais difícil e significa que o projeto não vai ser o mesmo. Não é o vaso de cristal que você idealizou, mas um mosaico desse vaso que nunca vai voltar a ser o que era, mas vai tomar outros sentidos que, se você conseguir, vai ter uma figura própria, um significado particular. Nem melhor, nem pior”.

Caramba! Ele parou e chorou. E eu pedia desculpas enquanto ele me dizia que a dor era necessária para “tirar o elefante da sala”. Como não sou adepta a exposição, principalmente a quem mal conheço, me senti na obrigação em dizer que tinha passado por uma situação parecida e que já tinha experimentado todos os estágios. E que ele ficasse a vontade para fazer o que achasse melhor para ele porque eu estava numa zona estranha do QUASE: eu quase fui algo para ele, eu quase era amiga dele e nunca poderia ser sua quase psicóloga. Aconselhei que ele procurasse uma profissional da área psi que era o mais sensato que eu poderia fazer por ele nesse momento.

Depois dessa longa conversa minha vontade foi tomar um porre. Mas graças a Deus, acho que sem sacar, sugeriu que tomássemos um Milk Shake de chocolate porque eu já tinha dito que amava chocolate. E foi bom para tirar o peso da conversa. Foi bom para parar de olhar o meu próprio espelho distorcido no espaço-tempo, como quem olha o retrato de Dorian Gray.

A minha cabeça já tinha começado a rodar e já bastava: “Amamos o amor, o projeto, a segurança, a idealização que representa, ou o amado, com suas imperfeições e mortalidade, no sentido de ser mortal e não inumano?

Eu? Eu amei o amor. E amar o amor, no meu caso, é amar tudo que pode ser salvo. Por isso sempre me meto em “causas perdidas” pessoalmente, profissionalmente, politicamente... Síndrome de super heroína. Naquela tarde queria salvar o Super-Sincero. Salvando-o, salvava a mim e ao meu ex. Mas a única coisa que pude me dar conta no fim de tudo é que quem precisa ser salva sou eu, por mim e de mim mesma. Eu sou nesse momento meu próprio projeto de amor, de salvação e de amada. Se é preciso ser sábio para saber quando voltar atrás, dar o braço a torcer e salvar, também assim o é para desistir, deixar partir e não salvar o que precisa ir.

Um comentário:

  1. Tu te mete em cada uma heim amiga?

    Sabe o que eu acho? Que é mais fácil amar o amor do que o ser amado. E esse é o problema... O ser humano tem o péssimo hábito de ir pelo caminho mais curto, de fazer o que é mais fácil, o que está mais a mão ;-)

    Como tudo na vida, é questão de escolha. E como em toda escolha, tem 50% de dar certo e 50% de dar errado ;-)

    Só acho que a gente devia se cobrar menos por isso... A gente se martiriza demais!!!

    Respirar, relaxar e gozar... Assim que deve ser ;-)

    Beijo

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