sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ano novo


Era um vestido branco e o mar. O vestido foi comprado por ocasião do último réveillon, quando substituído por outro. Um mais colorido porque era um ano no qual se guardava muitas expectativas, expectativas de mudanças: amor, paz, dinheiro... As mudanças haviam chegado. Foi então por ocasião do meio do ano que começava o novo ano.


Na semana anterior desse encontro com o mar, houve um outro, um primeiro. O dia parecia mais ensolarado do que os outros dias, a maré baixa e as pedras que quase sempre se esgueiravam ao sol nesse dia mostravam-se de forma sinuosa. Estavam desnudas, convidando os visitantes que a vissem, que a descobrissem, que fossem além dos caminhos de areiam dantes cobertos por águas salgadas.


Foi nesse dia que ela batizou-se. Depois de uma longa caminhada onde estava grata. Grata por um belo dia, por um novo ano, por estar em paz. E ao voltar para casa pegou o vestido branco do seu novo réveillon e simplesmente o vestiu, tornando-o a vesti-lo todos os fins de tarde para caminhar pelo calçadão e reencontrá-lo: o mar.


Mas houve uma tarde ainda mais especial. O sol acabara de se pôr e ela numa atitude voraz correu pela escadaria, desceu o calçadão e pulo em direção a areia da praia. E a beira mar caminhou rápido e mais rápido. Não era por medo, era por força.


Na praia quase deserta ela não temia nada e nem se sentia só. O mar estava agitado e o ribombo das ondas eram forte em suas pernas, molhando as pontas do vestido branco. O mar não a expulsava, mas a demonstrava o quanto era forte, do quanto à vida era como o mar: bela, cheia de desafios e que às vezes nos causa medo, mas podem trazer boas recompensas, boas notícias, bons ventos porque nem sempre o que a gente deseja é o que realmente nos fará feliz.

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