quarta-feira, 7 de outubro de 2009

OPERAÇÃO RESGATE, VOCÊ JÁ REALIZOU ALGUMA HOJE?


“As mulheres possuem narrativas épicas em sua cabeça e

quando você não as descobre,

não a entende, elas simplesmente te tiram dela...”

(Personagem do filme

“Procura-se um Amor que Goste de Cachorros”)


Muitas vezes a gente não se dá conta de quantas pessoas resgatamos durante ao dia. Pois é, basta uma palavra e você simplesmente sem saber pode estar mudando significativamente a vida de alguém. Eu sempre me sinto assim quando recebo um scrap carinhoso, uma mensagem no celular surpresa, um telefonema para falar de abobrinha, ou então, um comentário no meu blog. Sinto-me reenergizada quando o dia parece coroado com esses momentos ou literalmente salvo por causa de horas “infernais”.

Ou quem sabe o resgate aconteça in locu, ou seja, no lugar, pessoalmente. Amigas vão ou você vai a casa delas, longas ligações, bebedeira, afogar as mágoas comprando, comendo, cozinhando, fazendo “mototerapia” (enquanto a moto é pilotada vai-se conversando e conversando...). Enfim, incomum é quando você tem que se deslocar intermunicipal e quase interestadualmente para fazer um resgate. Eu?

Eu já fiz isso. Na hora era a única coisa que pensei ser mais certa a fazer. Talvez impulsivo, passional, mas não podia ficar sem fazer nada. Fazer nada. Eu não consigo NÃO FAZER NADA. É horrível. Eu consigo até estragar as surpresas que pensam para mim porque eu sempre tomo a frente. Rá!

Janeiro desse ano fui bater em João Pessoa para resgatar um amigo que ligou chorando. Chorando não, em prantos. Ele nunca tinha feito isso. E detalhe: ele é do tipo que morre sem pedir socorro! Então pensei: “É sério!” E fui. Último ônibus da noite para Jampa e lá fui eu e a irmã. Bolamos um plano mirabolante. Conseguimos carro e armas [a parte das armas é brincadeira] e duas inimizades ao final do resgate. Outras pessoas que estavam no lugar se sentiram injustiçadas com a minha postura. E olha que não entrei com armas em punho fui naquela de....”Ei! Chegamos e vamos para o centro do agito, badalar. Urru!”.

Sei que no final do resgate da criatura que estava em tanto sequelada alcoolicamente, só escutei da ex-colega presente no cenário do resgate: “Thaisa, você não tinha direito de fazer isso”. O resgatado no outro dia decidiu voltar ao cativeiro e nunca mais eu e essa ex-colega nos falamos. Pedir desculpas a ela? Meditei e achei melhor não. Sei que todo mundo tem suas loucuras, mas temos liberdade para ir e vir. Ninguém é propriedade de ninguém e temos que dar liberdade aos amigos de serem, irem e virem quando quiserem. Isso não significa que nos ame menos. Então se ela simplesmente preferiu deixar de falar comigo sem conversar era porque decidiu ficar na “nóia” de todo mundo está contra mim. Ou algo desse tipo. De quebra uma outra colega que admirava muito também se afastou. Aquela coisa do telefone sem fio, de conversa distorcida...ainda tentei me aproximar, mas não deu certo. A essa queria ter explicado o meu lado porque toda história tem vários lados. E isso ainda me incomoda.

O fato é que quase a história do resgate se repetia. Uma colega liga chorando, sem conseguir dizer nem o nome e fiquei desesperada do outro lado da linha. Fazendo perguntas para saber do que se tratava, arriscando perguntas e tentando ouvir respostas em meio as lágrimas. E isso porque deixei uma mensagem na net. Sabia que estava passando por um momento de pressão, então coloquei que a vida leva a caminhos muitas vezes desconhecidos, não planejados e que a gente nem entende o porquê, mas que tudo termina bem ao final como nas comédias românticas ou como nos Simpsons...

Ao final da ligação ela pediu desculpas pelo susto e eu apenas disse:

“Espero que você esteja se sentindo melhor porque sinceramente eu não sei como eu iria proceder num resgate de Natal para Recife, sem saber de nada, nem o que fazer...”. Quase sempre a gente se exige tanto né? Que nem mais percebemos o quanto nos torturamos.


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