segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ciumenta! Largue de ser tão ciumenta.


Não! A postagem não é inspirada em música sertaneja, mas numa matéria que li na revista Veja, edição de dezembro e claro, na minha identificação indireta com o tema. Sim, sou ciumenta e não considero do tipo doentio. Por algum tempo tinha vergonha em admitir esse traço da minha personalidade porque parecia algo imaturo, mas hoje como me sinto desobriga de ser exemplo de qualquer coisa então, nem ligo. Sou ciumenta sim.


Assim como a psiquiatra italiana, Donatella Marazziti, que faz analogias com figuras para identificar os tipos de ciúme, o meu é do tipo passional. E daí me vem a mente figuras como Frida Kahlo, Edith Piaf, Maysa, Ellis Regina, enfim...Talvez não sejam bons exemplos, mas elas me remetem a idéia de intensidade. Quando estou enciumada sinto um verdadeiro tsunami formando-se dentro de mim, ou seja, sou capaz de gritar, de bater...Graças a Deus nunca cheguei a matar, rs! Também nunca impedi de que namorados ou amigos deixassem de fazer o que querem. Ou seja, meu ciúme não é do tipo controlador. Eu chego na lata e digo: “ E aí? Acho que tá rolando um clima. Da parte de quem?” . “É impressão minha ou estou sendo escateada?”. Dependendo das evasivas é que o tempo fecha. Minha cara séria ou irônica denuncia logo a situação. Nunca protagonizei aquelas cenas mexicanas em público por causa de ciúme, no máximo a quatro paredes...Ou seja, quando o tsunami vem digo: “Preciso ir para casa”. Esse é o toque de recolher contra ataque aéreo.


E sim: 1) Tenho ciúme dos namorados aos amigos passando por objetos queridos; 2) Meus ciúmes nunca foram infundados, rolaram coisas sim; 3) Sou do tipo que “paga para ver”, isto é, mesmo sabendo que as evidências apontem que vai rolar traição/perda, deixo rolar. Não quero ser empata de ninguém. Quer ficar comigo ou ao meu lado? Fique porque deseja. Não por obrigação, medo ou comodismo. Em alguma medida sofro até a agonia final em silêncio, o que de certa forma se encaixa na categoria da psiquiatra italiana do ciúme hipersensível.


Além do tipo hipersensível, a mesma fala do ciúme depressivo típico de quem acha seus parceiros melhores do que si, fazendo alusão a figura com Charlie Brown [Acho que já passei por essa fase. Jesus!], personagem dos quadrinhos do Schutz. O ciúme obsessivo típico de quem vasculha à procura e controla o tempo todo, parecido com o personagem “Hamlet” de Shakespeare, reconhecido por alguns pela frase existencialista: “Ser ou não ser? Eis a questão.”...Parafraseando, ser ou não ser corno? Eis a questão. E por fim, o ciúme paranóide, no qual os enciumados criam regras a serem seguidas por si e pelo parceiro para evitar as traições, aludindo a outro personagem de Shakespeare, “Otelo”.


A psiquiatra declarou ainda que o ciúme na medida certa é tempero da relação e que é essencial para manutenção das mesmas. Funciona como uma espécie de alerta de que algo está errado, ou ainda, direta ou indiretamente relacionam-se as fantasias com traições anteriores seja dessa ou de outras relações. O importante é que o alvo do ciúme [entenda-se alvo não como bombardeio, mas como entendimento e cuidado] não sejam as pessoas/ameaças, mas a relação e o parceiro.
Bem, o que sei é que a experiência e a reflexão ajudam a controlar, entender, distinguir e reagir melhor os tsunamis internos. Também me ajudaram a entender que os ciumentos passionais estão diametralmente opostos aos tipos “galinhas”, “cafajestes” e “narcisistas”. Eu é que não me meto numa roubada dessas. Morro com rugas de preocupação. A rotina também tem seus prazeres. Prefiro os tipos medianos, sem cara de “bad boy”, de mistério, nem aqueles que carregam a faixa: “Borderline: preciso de concerto”. Jesus não apegue a luz! Acenda! E principalmente, me proteja.

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