segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vida


Faceira e folgosa como só ela é não precisa de babados.
Basta uma sainha pra se cobrir e sair por aí em busca...
Sair e descobrir os babados dos quais ncessita....
pra ficar ainda mais bonita e faceira...

Os Três Mal-Amados


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. [...]

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto



domingo, 27 de dezembro de 2009

Versinho para contabilizar os presentes


Contabilizando os presentes. Pode?

Quando se cansa em sustentar risos suficientes, silêncios necessários.
Quando se cansa em esconder o “aonde me perdi?”.
Quando se cansa em não ter o ceticismo conveniente para viver sem o amparo das utopias.
Quando se cansa em não ter mais as utopias necessárias para se reabastecer de “ópio”.
E quando se cansa em fingir?
E quando se cansa em calar?
E quando se cansa em publicar a espera de um resgate cosmico, um último grito de "socorro, alguém, o mundo"?
Quando se cansa é hora de recolocar as máscaras como quem decidi a roupa para festa black-tie.

Contabilizando os presentes:
caneca desejando esperança;
hidratante e sabonete líquido da natura de pêra;
chocolates e dos mais excêntricos para o que me é desejado em 2010, pode? Trata-se da foto acima.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Esposa ou escrava branca?


Depois de muito tempo sem se verem, aquela notícia caiu como uma boba. E sem nenhum romantismo, nem cerimonia noticiou

- Precisava vê-la. Tenho algo sério para conversar com você. Olha, esse eu meu próximo projeto de vida: Quero casar. Então eu vou colocar logo os termos de nossa união. Quero que mude seu guarda roupa, seu modo de falar - Detesto suas ironias! - e que não saia tanto com seus amigos. Sim! Isso é importante. Não vou para lugares onde não me sinta a vontade, portanto, você também não irá. Quanto a transporte você não precisa: a deixo e a pego em qualquer lugar. E afinal, também não precisará trabalhar tanto, o que tenho dá para nós dois muito bem. Beber só se for em casa. Para nossa harmonia vamos fazer coisas que eu goste e que você goste também.

Um silêncio tenso pairou no ar.

- E aí? Não vai dizer nada.
- Existem muitas mulheres que aceitem essa proposta?
- Sim, claro.
- Eu me pergunto se esse é seu projeto de vida ou de desespero? E ainda, onde está a corrente da mesa da gaiola de ouro?
- Você acha que pode casar e manter uma vida de solteira?
- Não! Mas acho que depois de tanto tempo sem nos vermos fiquei confusa se você queria uma esposa ou uma escrava branca?

Aborrecido ele a deixou sozinha com suas perguntas que mais confusa ainda se perguntava: como é que as pessoas chegaram a esse ponto: driblar a insegurança, encarcerando, matando, o outro em vida? Afinal não seria a partir dos problemas que se chega a um consenso? E o consenso não quer dizer acordo entre as partes e não a imposição de um sobre a vontade de outro? A liberdade de ser ela, porque quem realmente se apaixonara, se comprava?

Ela acreditava que não. Em tempos pra lá de modernos, há coisas que não são tão modernas assim.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Bessa Kite Surfe Club e o mágico do som



Bessa Kite Surf Club, o lugar de João Pessoa. Sob Nova Direção do nosso colega Daniel, embora não seja programa da Globo, além de uma paisagem incrível em frente ao mar, conta com um espaço de coqueral com graminha verde maravilhosa. Dá até vontade de sair rolando...Brincadeiras e verdades a parte, o que torna o lugar ainda mais aprazível é a seleção musical do lugar que é diferente da maioria dos lugares que costuma-se ir com o vício do forró de plástico enfadonho. A seleção musical tem a sensibilidade de perceber a animação que nos estiga começo do dia e a maravilha que é o fim-de-tarde bem vivido. Eu indico.
E tem mais: fomos convidados para a próxima, hem. Quanto a mágica? Imagine você sentar à beira mar e escutar Jack Jonhson e Red Hot Chille Pepers sem precisar pedir, como num passo de mágica? Coisas de Mandrack.






quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Minha retrô 2009


Ainda no lema de que se a Globo faz eu também faço. Lá vai mais um balanço rápido e rasteiro...

Trabalho: três mudanças em um ano.

Casa: também três mudanças em um ano e de cidade, duas.

Amores: Empatada. Zerada. Gestaltes fechadas.

Amigos: Em movimento de espação para os que chegam [que legal! Minha socialização continua melhorando!] e ponderação madura em relação aos que já estão.

Dinheiro: Um pouquinho mais do que no ano passado, pelo menos até dezembro. Depois disso não sei bem...

Virada: No meio do semestre de 2009.

Família: mais forte, mais unida.

Saúde: também mais forte. Principalmente a sanidade, rs.

Auto-estima: Em mudança. Menos menino, menos hippe, mais mulher.Sem medo de ousar.

Angustia: e os novos rumos? Então como vou articular 2010? Como dar novos sentidos a coisas antigas? Péssima jogadora, honesta demais, me ferro...

Conquistas: mais perto do sonho tornar-se realidade.

Perdas: quase lá, dessa vez não foi. Gente parte, gente fica. Um certa sensação de humilhação e trapaça.

Lema:

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.[...]
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato [...]
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
(...)
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.[...]
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, [...]
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree. (...)
(Clarice Lispector - Rifa-se um coração)


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Auto-ajuda, cartomante ou terapeuta? Vai encarar?


Depois que um colega disse que iria a uma cartomante para "desencavar a caveira de burro" na vida dele, começamos a discutir uma matéria da Revista Veja que falava sobre o crescimento da venda dos livros de auto-ajuda. Sei que sou suspeita para falar sobre essa categoria de livro que na maioria das vezes pinta o mundo muito rosa e por isso, quase sempre não gosto muito deles, o que pode até ser um tipo de preconceito. Sei lá! No entanto, comecei a me dar conta de uns tempos para cá que tudo está desencantado demais e que precisa de rosa sim!

Nessa linha, já li alguns livros de auto-ajuda que me são presenteados ou reocmendados. E se o dito conseguir levar-me até o fim, torço o braço e recomendo. Concordando com o que uma psicanalista abordava sobre essa categoria de livro, acredito que os livros de auto-ajuda estão em alta porque cada vez mais nos sentimos desconectados com o mundo e com as pessoas. Diante da falta de tempo e de nossa crescente incapacidade em lidar com o sofrimento que demanda muito tempo/energia [e tempo é dinheiro], acabamos por optar por algo que traga um alívio mais imediato. Algumas vezes os livros de auto-ajuda abrem um porta para refletirmos sobre nós, mas quase sempre não vai mais além. Até porque esse não é o seu papel. Passado o "mertiolate" e posto o bandaid naquilo que nos encomoda, vamos enfrente e na maioria das vezes nem nos damos conta de que o "elefante" permanece no meio da sala e aquilo que nos causou angustia e sofrimento possivelmente voltará a dançar um tango em nossa sala de estar pessoal em outra situação que nos evoque desconforto.

E o que é que a cartomante tem haver com isso? Longe de entrar na polêmica religiosa ou da divindade que as cartomantes seriam portadoras ou não, mais rápido que a auto-ajuda, está o baralho, a reza e os "desmanche de mandiga" são express e daí a procura. Quando ando vejo a enxurrada de panfletos entregues de algumas que trazem seu amor em 24 horas [pacote para a maioria das mulheres que procuram esses tipo de "serviço" em nome do "amor" e os homens, por sua vez, por causa de dinheiro].

E o terapeuta? Esse coitado, nem falo. Geralmente não pode sacar da manga uma solução pronta, nem muito menos a curto prazo. São sessões demoradas e geralmente mais onerosas do que livros e serviços express. Acredito que com dedicação e esforço os resultados com um terapeuta se consolidão melhor, portanto, trata-se de um investimento a médio-longor prazo e até mais interessante. Enfim, cada "macaco no seu galho", que saibamos então desfrutarmos de cada coisa na hora certa.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Letra sem som e história sem fim


Era tão difícil para ela que o choro brotava de suas entranhas como um urro de dor e agonia. Era com um imenso vazio e sem energias para viver que desligara o telefone, enquanto deslizava pelo canto vazio do quarto. Como que se esvaindo. Perdida. Vulnerável e principalmente agredida... Não pelo adeus. Não pela batalha perdida. Não pelas trocas mútuas de farpas. Mas talvez pelas indagações que invadiam aos volumes sua cabeça: por quê? Por que tinha que ser assim, daquela forma?

Sensação tamanha ela somente sentira quando levou sua primeira bofetada. Quando ficou exatamente do mesmo jeito como com o telefonema virulento: com um animal disposta a atacar e a correr. Acuada num canto, perplexa, com medo, rezando para que tudo terminasse e logo.

“-Acabe logo com isso!”– era o que ressoava em sua cabeça.

E seguida aos ecos dessa frase, suscitava-se outro momento. A imagem de sua meninice quando seu padrasto achara seu diário e sutilmente a convenceu deixá-lo ler. Era o diário a única prova de sua inocência e redenção: para si e por si mesma.

Ele a induziu que rasgasse porque ninguém precisava ficar sabendo “daquilo”. Era um segredo dos dois e ninguém mais poderia saber.

“- É isso o que você quer? Que muitas pessoas fiquem chateadas e machucadas com você?”.

Apesar de estar novamente acuada, não era mais aquela menina. Ela tinha como se defender. E estava disposta a pagar qualquer preço, menos o do silêncio, o da cumplicidade covarde e o da submissão. A boca e a mão não seriam mais silenciadas, nem secretamente amordaçadas, seja pelo passado, seja pelo então agora “direto do cantinho do silêncio e dos seus segredos”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Duas mulheres e um desfecho



Aquele momento parecia ser mais um daqueles dos dias de rotina, de corre-corre. Mais um problema de trabalho, mas um contrato a ajustar, mais uma escala no aeroporto, mais malas para cima e para baixo.

Entretanto, algo de extraordinário, ou seja, de fora da rotina, acontecera numa dessas escalas. Encontrara sua arquiinimiga, que por ironia do destino antes foi sua melhor amiga. E no mesmo instante foi invadida por lembranças desconcertantes, sentimentos de dor, tristeza, angustia e impotência. Que peça aquela do destino hem? Depois de anos sem se encontrarem. Depois do último pedido de perdão. Lá estava ela, bem as suas costas fazendo também o check-in. E por que ela ainda se incomodava com aquela presença? Porque aquela presença trazia lembranças mórbidas. Porque aquela presença trazia à tona todo o sentimento de dupla-traição. Trazia a tona os jogos que mais pareciam de vida ou de morte.

Imediatamente ela foi até o bar e enquanto o vôo não decolava pediu uma porção de qualquer coisa. Precisava de algo, que felizmente ou infelizmente não era uma dose. Qualquer coisa que a preenchesse, qualquer coisa que sufocasse aquela dor, qualquer coisa que a punisse por ter sido um coração tão bobo, por ter um coração tão bola. Tremendo, derrubando e esquecendo tudo que estava em suas mãos, transparecia uma naturalidade qualquer diante daquele estorvo. E a cada riso com as amigas, se sentia a palhaça do picadeiro. E a cada riso se sentia mais feia e medonha.

A única coisa que de algum modo a confortava é que logo aquilo também iria passar. E a certeza que tinha: ninguém pode ser feliz construindo sua vida e sua história a partir da infelicidade de um outro. Que ninguém podia ter um...era uma vez alguém que era feliz e que para que um outro fosse feliz tinha que esse alguém ser infeliz... Nada bom para se recordar e tudo para se arrepender porque ninguém gosta de ser tão feio e medonho por dentro. Entre mortos e feridos se salvaram todos ou todas? Naquele momento parecia que não.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Tudo haver


Data de Nascimento: 31/5/1980
Hora de Nascimento: 09:55:00
Local de Nascimento: Rio de Janeiro ( RJ )
Trânsito do Dia: 06/12/2009

Ascendente: Câncer
Lua: Sagitário
Elemento: Ar
Período do Trânsito:

Início: 06/12/2009 Fim: 07/12/2009

Título:

Mercúrio em Oposição com Vênus natal

Resumo:

A rigidez continua dando espaço para o seu lado mais leve. Nada de excesso de inflexibilidade. Você quer ver as pessoas ao seu redor livres, leves e soltas, que aliás é como você está se sentindo. Nada de trabalho, trabalho e mais trabalho. Você estará mais propenso a aproveitar a vida. Não haverá necessidade de aumentar o "peso" da existência. Viver em paz e sem tanta necessidade de racionalizar tudo. Por que ficar zangado se comprou aquele lindo vaso transparente em uma joalheria? Por que não levar em conta que ficou feliz naquele momento e que na sua casa há um lugar especial para ele? Por que não fazer alguma coisa pela simples vontade de fazer? Por que tudo deve ter uma explicação lógica? Por que não cometecer uma loucura por amor?

Fonte: Estrela Guia

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cadê?


- Cadê? Cadê? – e ela continuava sua busca incessante – Nas malas? Quem sabe nas gavetas? Ou quem sabe na caixa de quinquilharias? Num bolso de camisa perdida dentro do guarda-roupa? Talvez. Ou quem sabe naquela bolsa que quase nunca usei?

O fato é: ele se foi. E junto com ele parecia que algo a mais também tinha se ido. Que um pedaço de não sei-o-que tinha se perdido. Um pedaço dela, ou de seus sonhos, de sua esperança, ou de sua confiança em si. Na verdade nada seria igual. Mas o que seria o agora senão aquilo? Era essa a falta, a de certeza? Outra coisa também é certa: não importa o que se foi, o que se perdeu, ou o que falta. O importante é que, o que se foi teve que ir em paz para que algo de novo chegasse. Foi pago o preço necessário. E assim ela decidiu em frente.


Resposta ao anônimo:

Essa é a questão: não há o "x" da questão. Sem certezas, apenas posições, nortes...Não quis dizer nada. Nem sou mestre...São as peças da vida...E as inceno como posso e consigo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O direito, o avesso ou o torto?


“- Não quero concertar nada quebrado. O que está quebrado está quebrado e ponto. - disse a um aluno que tentava me convencer em concertar a caneta que havia emprestado-o.
- Tem um “Q”de caos nessa sua afirmação - o aluno querendo me enquadrar num “anarco no sei-o-que” da vida.
Nem me detive a respondê-lo, mas minha afirmação deu-se a partir da minha experiência de vida, sem nenhuma pretensão político-filosófica. Deu-se a partir das tantas tentativas de concertar. Concertar coisas, situações, pessoas. Mas quem disse que deveriam ser concertadas? E será que deveriam ser concertadas?
Tempo e energia é o que se perde tentando concertar. Frustração e angustia é o sentimento que geralmente resulta desses “concertos”. Entretanto, não fazia os concertos em nome de uma “moral”. Se eu posso em alguma medida explicar essa atitude ilógica seria pelo gozo/prazer de juntar as coisas, de pô-las em ordem, de ter o mapa da certeza e não ser pega de assalto pelo imprevisto, algumas vezes desconcertante e/ou desagradável. Se ainda posso explicá-la de algum modo, seria a tentativa de juntar nos outros aquilo que estava quebrado, avesso ou torto em mim mesma. Ou quem sabe me ocupando da causa dos outros para não me ocupar das minhas próprias causas.
Estranhamente após esse episódio em mais uma temporada de Gilmore Gilr’s, o dilema do concertar o quebrado, ou de empenhar em mudanças, aparece na forma de produção cinematográfica e seus quadros amorosos: o bom moço (Dean) – o bad boy (Jess Mariano) – a mocinha (Rory) que ao se desatar nesse triângulo entre em um novo polígono amoroso: o bonzinho e sem chance (Marty), o não tão bonzinho/certinho (Dean) – o pseudo-bad boy/confuso/rebelde sem causa (Jess Mariano) – o bad boy/playboy (Logan). Colocando como questão: será que para chegar aos acertos é preciso provar dos erros? É preciso ter a disposição de mudar o que parece torto? E mais toda mulher sente uma atração irresistível pelos bad, ou os rebeldes sem causa. Acredito eu que não necessariamente...E lá vamos nós nas tantas invenções sociais sobre o que é ser menino, o que é ser menina. O que é ser homem e o que é ser mulher. Ou seja, “quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?” No âmbito das questões sem fim...
O fato é que muitas vezes as coisas são o que são. Sem mudanças necessárias, apenas adaptações ou rejeição dessas adaptações. Façamos escolhas. E o que muitas vezes nos parece avesso ao outro direito é. E mais, não haveria avesso sem direito e o direito sem o avesso. E o torto? Esse não existe. Trata-se de mais uma forma de ver o avesso ou o direito. Ou o contrário, o torto é uma forma de avesso ou de direito. Enfim, não se trata de um manifesto a favor da permanência, mas de ter a certeza que eu não suporto certas desorganizações, certos “desavessos”, então, em alguma medida não os quero. Hoje, dou novos sentidos a coisas antigas e o que não consigo não me atrevo. Deixo para lá. Então, sem “murro em ponta de faca”. Talvez algumas vezes cada qual “no seu quadrado”, ou no seu círculo e quem sabe a gente se encontra, os círculos se encontram, mas sem polígonos complexos “da Vincianos”.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Eu, o Carnatal e a gripe suína.


Meia noite do domingo: Garganta arranhando;
Segunda-feira pela manhã: garganha fechada e dores pelo corpo. Quatro horas dando aula no ar condicionado. Durante esse período fui informada de que um dos meus aluno não viria a aula porque estava gripado. No hospital tomou tamiflu e posto na "quarentena". Meu histórico médico: imunologia baixa, bronquinte alérgica e facilidade para gripar. Ou seja, faço parte do grupo de risco para contaminação do H1N1.
Segunda de meio-dia: meu corpo clamava por cama, a cabeça pesava, enquanto isso tentava obter informações de uma clínica pelo jornal, qualquer coisa, que fizesse um exame sério sem tascar remédio sem saber do que se trata e contribuindo para mutações gênicas e mais resistentes de vírus da gripe. Tento cuchilar e o celular toca. Era um aluno querendo orientação sobre o estágio. Me arrasto para frente da televisão querendo saber sobre posto de saúde e o noticiário local lança uma declaração bombastíca por parte da promotoria pública e sem cortes (ou seja, para além do sensacionalismo da imprensa, permitir esse tipo de declaração à abaixo às véspera de um caranaval fora de época como o de Natal, mais do que coragem, de fato constitui algo de real em relação ao risco imediato e não apenas hipocôndria e esteria coletiva):

"- De acordo com as orientações
do Ministério da Saúde, o Carnatal deveria ser suspenso. O município e o governo do Estado estão sendo irresponsáveis em manter o evento. Provavelmente estaríamos passando pelo segundo surto de gripe suína, já que o número de casos graves aumentaram do final de outubro para começo de dezembro com nove óbitos. Os hospitais não contam com leitos de UTI suficientes para atender em caso de incidência de surto. Mas como chegaram a um acordo vamos fazer uma campanha de alerta em caráter de urgência, a qual não se garante muito tendo em vista que a própria natureza do evento, uma aglomeração, já constitui um risco em potencial em si. Recomenda-se que crianças, gestantes e pessoas de saúde frágil ou ainda que apresente alguns dos sintomas de gripe não participem do evento. Evite compartilhar copos, latinhas e beijar na boca".

Como assim? O povo ir para um evento desse e não beijar na boca? É quase impossível...
Em seguida noticou-se a greve da polícia com a afirmação de que não haveria nenhum contingente policial para o Carnatal.

Já alarmada pela falta de "saúde" e segurança, na segunda à tarde ligo quase sem amídalas para meu irmão siamês, quase meu dotô particular e que acompanhou casos de gripe suína no hospital em que trabalha... "Venha agora para casa. Seus sintomas não estão tão fortes. Acho que seu caso não é de gripe suína, mas você é sucetível a contaminação.

Depois disso eu arriei na cama e dormi à tarde toda. Tive frio e febre. Não tinha a quem pedir ajuda para comprar uma cibalene [como minha mãe chama um remédio popular das antigas]. A senhora com a qual divido telhas nem se comoveu com o meu estado. Pelo contrário me tratou como o personagem do livro "Metamorfose" de Kafka [um inseto repugnante], no meu caso em particular um vírus suíno em potencial [Hilário foi meu irmão fazendo a performace a lá Kafka: empurrando um prato virtual de comida com o cabo de vassoura como que pela brecha da fechadura]. E daí descobri o quanto é difícil morar sozinha porque se você precisa de alguém não tem com quem contar. Sem contar a discriminação dos outros quando prcebem que vocês tem sintomas da gripe. Imaginem quem vive com o vírus HIV, o martírio, o medo que descubram... E haja Kuat para essas pessoas.

Enfim, na terça já tinha combinado o resgate "De Volta para minha Terra". Fechei a notas parciais do final do semestre e saí dispensando os alunos para não colocá-los em risco e eles me enchendo o saco por causa de nota. Loucos por férias enquanto eu alertavá-os para o risco de contaminação. Enfim...Não achei mascára descartável em unidade. Estavão vendendo apenas em caixas. Com um cachecol no rosto voltei para casa como um representante da "Alcaeda" e já fazendo os contatos para conseguir máscara e não expor ninguém. Em casa, tomei um coquetel molotov de vítaminas na veia e estou melhorando, o que confirma a tese de que de fato não sou suína, mas que fim de semestre é igual a estresse mais meu corpo gritando "Socorro!". E os carnatéiros que se cuidem! Em casa meu irmão faz minha perfomance de Lady Fanha e Haja risada. Olha o vídeo aí...