terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Esposa ou escrava branca?


Depois de muito tempo sem se verem, aquela notícia caiu como uma boba. E sem nenhum romantismo, nem cerimonia noticiou

- Precisava vê-la. Tenho algo sério para conversar com você. Olha, esse eu meu próximo projeto de vida: Quero casar. Então eu vou colocar logo os termos de nossa união. Quero que mude seu guarda roupa, seu modo de falar - Detesto suas ironias! - e que não saia tanto com seus amigos. Sim! Isso é importante. Não vou para lugares onde não me sinta a vontade, portanto, você também não irá. Quanto a transporte você não precisa: a deixo e a pego em qualquer lugar. E afinal, também não precisará trabalhar tanto, o que tenho dá para nós dois muito bem. Beber só se for em casa. Para nossa harmonia vamos fazer coisas que eu goste e que você goste também.

Um silêncio tenso pairou no ar.

- E aí? Não vai dizer nada.
- Existem muitas mulheres que aceitem essa proposta?
- Sim, claro.
- Eu me pergunto se esse é seu projeto de vida ou de desespero? E ainda, onde está a corrente da mesa da gaiola de ouro?
- Você acha que pode casar e manter uma vida de solteira?
- Não! Mas acho que depois de tanto tempo sem nos vermos fiquei confusa se você queria uma esposa ou uma escrava branca?

Aborrecido ele a deixou sozinha com suas perguntas que mais confusa ainda se perguntava: como é que as pessoas chegaram a esse ponto: driblar a insegurança, encarcerando, matando, o outro em vida? Afinal não seria a partir dos problemas que se chega a um consenso? E o consenso não quer dizer acordo entre as partes e não a imposição de um sobre a vontade de outro? A liberdade de ser ela, porque quem realmente se apaixonara, se comprava?

Ela acreditava que não. Em tempos pra lá de modernos, há coisas que não são tão modernas assim.

Um comentário:

  1. há eu adorei o blog , existe belos poemas , algumas partes dedicadas a familia , com certeza vou continuar o visitando *-*

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