quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Eu, o Carnatal e a gripe suína.


Meia noite do domingo: Garganta arranhando;
Segunda-feira pela manhã: garganha fechada e dores pelo corpo. Quatro horas dando aula no ar condicionado. Durante esse período fui informada de que um dos meus aluno não viria a aula porque estava gripado. No hospital tomou tamiflu e posto na "quarentena". Meu histórico médico: imunologia baixa, bronquinte alérgica e facilidade para gripar. Ou seja, faço parte do grupo de risco para contaminação do H1N1.
Segunda de meio-dia: meu corpo clamava por cama, a cabeça pesava, enquanto isso tentava obter informações de uma clínica pelo jornal, qualquer coisa, que fizesse um exame sério sem tascar remédio sem saber do que se trata e contribuindo para mutações gênicas e mais resistentes de vírus da gripe. Tento cuchilar e o celular toca. Era um aluno querendo orientação sobre o estágio. Me arrasto para frente da televisão querendo saber sobre posto de saúde e o noticiário local lança uma declaração bombastíca por parte da promotoria pública e sem cortes (ou seja, para além do sensacionalismo da imprensa, permitir esse tipo de declaração à abaixo às véspera de um caranaval fora de época como o de Natal, mais do que coragem, de fato constitui algo de real em relação ao risco imediato e não apenas hipocôndria e esteria coletiva):

"- De acordo com as orientações
do Ministério da Saúde, o Carnatal deveria ser suspenso. O município e o governo do Estado estão sendo irresponsáveis em manter o evento. Provavelmente estaríamos passando pelo segundo surto de gripe suína, já que o número de casos graves aumentaram do final de outubro para começo de dezembro com nove óbitos. Os hospitais não contam com leitos de UTI suficientes para atender em caso de incidência de surto. Mas como chegaram a um acordo vamos fazer uma campanha de alerta em caráter de urgência, a qual não se garante muito tendo em vista que a própria natureza do evento, uma aglomeração, já constitui um risco em potencial em si. Recomenda-se que crianças, gestantes e pessoas de saúde frágil ou ainda que apresente alguns dos sintomas de gripe não participem do evento. Evite compartilhar copos, latinhas e beijar na boca".

Como assim? O povo ir para um evento desse e não beijar na boca? É quase impossível...
Em seguida noticou-se a greve da polícia com a afirmação de que não haveria nenhum contingente policial para o Carnatal.

Já alarmada pela falta de "saúde" e segurança, na segunda à tarde ligo quase sem amídalas para meu irmão siamês, quase meu dotô particular e que acompanhou casos de gripe suína no hospital em que trabalha... "Venha agora para casa. Seus sintomas não estão tão fortes. Acho que seu caso não é de gripe suína, mas você é sucetível a contaminação.

Depois disso eu arriei na cama e dormi à tarde toda. Tive frio e febre. Não tinha a quem pedir ajuda para comprar uma cibalene [como minha mãe chama um remédio popular das antigas]. A senhora com a qual divido telhas nem se comoveu com o meu estado. Pelo contrário me tratou como o personagem do livro "Metamorfose" de Kafka [um inseto repugnante], no meu caso em particular um vírus suíno em potencial [Hilário foi meu irmão fazendo a performace a lá Kafka: empurrando um prato virtual de comida com o cabo de vassoura como que pela brecha da fechadura]. E daí descobri o quanto é difícil morar sozinha porque se você precisa de alguém não tem com quem contar. Sem contar a discriminação dos outros quando prcebem que vocês tem sintomas da gripe. Imaginem quem vive com o vírus HIV, o martírio, o medo que descubram... E haja Kuat para essas pessoas.

Enfim, na terça já tinha combinado o resgate "De Volta para minha Terra". Fechei a notas parciais do final do semestre e saí dispensando os alunos para não colocá-los em risco e eles me enchendo o saco por causa de nota. Loucos por férias enquanto eu alertavá-os para o risco de contaminação. Enfim...Não achei mascára descartável em unidade. Estavão vendendo apenas em caixas. Com um cachecol no rosto voltei para casa como um representante da "Alcaeda" e já fazendo os contatos para conseguir máscara e não expor ninguém. Em casa, tomei um coquetel molotov de vítaminas na veia e estou melhorando, o que confirma a tese de que de fato não sou suína, mas que fim de semestre é igual a estresse mais meu corpo gritando "Socorro!". E os carnatéiros que se cuidem! Em casa meu irmão faz minha perfomance de Lady Fanha e Haja risada. Olha o vídeo aí...



2 comentários:

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